Mais de 70 milhões de cadastros de pessoa jurídica já foram emitidos (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
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Publicado em 7 de julho de 2026 às 13h00.
Segundo a Contabilizei, o Brasil abriu mais de 5 milhões de empresas em 2025, o maior volume da história, com alta de 19,4% sobre 2024. O número de novos empreendimentos foi tão grande que a Receita Federal foi obrigada a introduzir letras ao sistema CNPJ.
O novo formato alfanumérico entrou em vigor em julho, mudando as diretrizes pela primeira vez desde 1998.
O ritmo acelerou no começo deste ano: no 1º trimestre de 2026, foram 1,6 milhão de novos CNPJs, crescimento de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mais de 70 milhões de cadastros de pessoa jurídica já foram emitidos, segundo declaração recente do coordenador operacional de cadastros e benefícios fiscais da Receita Federal, Rafael Neves Carvalho.
Cada número usado não pode ser reaproveitado. O sistema chegou ao limite. A partir de julho, novos CNPJs passam a combinar letras e números, abrindo espaço para bilhões de combinações. A mudança para o formato alfanumérico, a maior no cadastro desde sua criação, também prepara o sistema para a Reforma Tributária.
“Este recorde não é um evento isolado, mas a consolidação de uma mudança estrutural no comportamento do brasileiro, que entende a importância da formalização das suas atividades econômicas realizadas como autônomos”, afirma o vice-presidente executivo de operações da Contabilizei, Guilherme Soares.
Em 2025, os 5 milhões de novos CNPJs equivalem a 13.800 aberturas por dia, ou 575 por hora, incluindo fins de semana e feriados. Só as empresas abertas no ano passado lotariam mais de 63 estádios do Maracanã, um por semana do ano, de acordo com análise da Contabilizei.
No 1º trimestre de 2026, serviços e indústria cresceram 14% cada; comércio, 9%. MEIs 15%; empresas de outros portes, 7%. E há mais pressão vindo: a obrigatoriedade de emissão de nota fiscal por autônomos entrando em vigor em agosto em São Paulo e o fim do período de testes da Reforma Tributária ao final do ano movimentam uma nova onda de formalizações.
“A obrigatoriedade da nota fiscal para autônomos e o fim do período de testes da Reforma Tributária tendem a impulsionar a formalização, tornando o CNPJ alfanumérico não apenas necessário, mas urgente”, reforça o executivo.
Nos últimos 10 anos, o Brasil abriu mais de 34 milhões de CNPJs, crescimento médio de 9,25% ao ano, mais que dobrando o volume desde 2016. Mesmo com a retração de 2022 (-5%), o ritmo se manteve. São em média 9.400 novas empresas por dia, todos os dias, o equivalente a mais de 430 Maracanãs lotados em uma década.
"A digitalização abriu mais possibilidades e mercados ao pequeno empreendedor. Advogados, engenheiros ou psicólogos, por exemplo, que antes dependiam de presença local para exercer a sua própria vocação, hoje prestam serviços para qualquer lugar do mundo. Uma década de crescimento significativo mostra que o brasileiro não abre empresa só quando não tem outra opção, mas porque a formalização virou vantagem competitiva real na profissão", conclui.