Avança no mundo a discussão sobre a obrigatoriedade da vacina

No Brasil, maioria adere à vacinação, que garante pelo menos que, se contaminadas, as pessoas tenham menos sintomas

Por Marcelo Tokarski*

O avanço da variante delta, mais contagiosa e agressiva que as anteriores, tem levado a uma discussão sobre o direito de o Estado e também de as empresas privadas exigirem que as pessoas sejam vacinadas. O palco mais quente desse debate tem sido os Estados Unidos, onde mais ou menos 30% das pessoas ainda não se vacinaram, mesmo com a sobra de doses em todo o país.

Os defensores da obrigatoriedade se apoiam nas estatísticas. E elas são para lá de contundentes. Nos Estados Unidos, 97% dos pacientes internados e 99% dos mortos por covid-19 são pessoas que não receberam nenhuma dose da vacina, ou seja, cidadãos que estão completamente desprotegidos. Isso porque, se não garantem 100% de imunização, as vacinas garantem pelo menos que, se contaminadas, as pessoas têm menos sintomas e necessitam menos de hospitais.

Nos EUA, governo federal, alguns estados, mais de 500 universidades e diversas empresas passaram a exigir que seus funcionários estejam vacinados, sob risco de punição e até de demissão dos negacionistas. No caso dos funcionários do governo federal, quem não comprovar ter sido vacinado será obrigado a usar máscara e a fazer testes rápidos de covid para poder trabalhar.

Já houve o caso de um hospital no Texas que demitiu 117 funcionários que se negaram a tomar a vacina. A decisão foi contestada na Justiça, que, no entanto, manteve as demissões. Até mesmo a rede de TV americana CNN dispensou três funcionários que não se vacinaram.

Aqui no Brasil, também começam a surgir exemplos semelhantes. No sábado, 7, a prefeitura de São Paulo determinou a obrigatoriedade da vacinação para os servidores públicos do município. Serão dispensados da vacinação apenas aqueles que apresentarem justificativa médica para não serem imunizados contra a covid-19. O desrespeito ao decreto municipal pode resultar em punição e suspensão do servidor.

Antivacina

Diferentemente dos Estados Unidos, onde, apesar da sobra de vacinas, quase um terço das pessoas optou por não se vacinar, aqui no Brasil o quadro tende a ser diferente. De acordo com pesquisa do Instituto FSB, feita a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o brasileiro está bastante aderente à vacinação.

Na pesquisa, foi perguntado aos entrevistados se eles deixariam de se vacinar caso, ao chegar no posto, não estivesse disponível a vacina de sua preferência. Apenas 9% afirmaram que sim, deixariam de se imunizar. A esmagadora maioria (90%) afirmou que não deixaria de se vacinar, o que indica alta adesão à vacinação contra a covid.

O problema aqui é outro. O brasileiro quer se imunizar, mas a vacina ainda não chegou para todos. Até domingo, apenas 21,5% da população já tinham tomado as duas doses ou a dose única. Outros 50,58% já tomaram a primeira dose, o que não garante a proteção. Mesmo assim, sabemos que efetivamente 72% dos brasileiros já aderiram à imunização, sendo que em boa parte do país ainda não chegamos a oferecer doses para todas as faixas etárias. Ou seja, provavelmente chegaremos a algo entre 80% e 90% de vacinados.

Essas estatísticas são um ótimo sinal. Apesar de campanhas localizadas contra a vacinação e de toda a lentidão do Plano Nacional de Imunização, que só recentemente ganhou tração, o brasileiro entendeu que vacina boa é vacina no braço. No momento em que em todo o mundo a variante delta é uma ameaça, saber que a ampla maioria dos brasileiros quer e está se vacinando é um alento.

*Marcelo Tokarski é sócio-diretor do Instituto FSB Pesquisa e da FSB Inteligência

Este é um conteúdo da Bússola, parceria entre a FSB Comunicação e a EXAME. O texto não reflete necessariamente a opinião da EXAME.

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