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Abandono de animais aumentou cerca de 60% durante a pandemia

Dado preocupante chama a atenção para a conscientização sobre a tutela responsável
Dezembro verde é o mês dedicado a ações de conscientização contra o abandono animal (Multilaser/Divulgação)
Dezembro verde é o mês dedicado a ações de conscientização contra o abandono animal (Multilaser/Divulgação)
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Bússola

Publicado em 27/12/2021 às 12:25.

Última atualização em 27/12/2021 às 12:31.

Estamos no mês da campanha Dezembro Verde, dedicada a ações de conscientização contra o abandono animal. O tema é de extrema importância uma vez que durante a pandemia, ainda que tenha existido um aumento de cerca de 30% na adoção de cães e gatos, o número de abandono também cresceu. De acordo com Rosangela Gebara, gerente de projetos da Ampara Animal, ONG parceira da Cobasi, o índice de abandono e de recolhimento de animais aumentou, em média, 61% entre julho de 2020 até o terceiro trimestre de 2021.

“Alguns protetores declararam aumento de abandono de 300%, de 150%, outros de 30%. Este dado se torna ainda mais agravante quando vemos que o número de doações também diminuiu por causa da pandemia, em que quase não teve eventos de adoção. A crise econômica e social exacerbou um problema antigo que é a falta de responsabilidade das pessoas com os animais. Então, quando a pessoa está passando por um momento difícil, a primeira coisa que ela faz é abandonar o mais vulnerável”, diz a gerente.

De acordo com a gerente, o Brasil não tem muitas pesquisas na área e, normalmente, o abandono é realizado de maneira escondida, largando cães e gatos em espaços públicos. Porém, estudos americanos mostram que as principais causas para o abandono dos pets são problemas comportamentais (47%) e mudanças no espaço ou na rotina (30%). “Por causa da pandemia, muitos estão deixando seus pets por questões de mudanças de casa, de cidades, separações, perda de emprego e, principalmente, por questões econômicas. Ou seja, pela consequente incapacidade de manter o animal causada pela grave crise social-econômica que estamos vivenciando”, afirma Rosangela.

Ela ainda explica que deixar os pets, antes domesticados, nas ruas, gera sofrimento extremo, que afeta a saúde e o bem-estar do animal, além de deixá-los sujeitos a maus-tratos, atropelamentos e doenças, diminuindo sua expectativa de vida. “A vida nas ruas é uma vida de total desamparo, fome, sede, estresse, medo e angústia e isso faz com que a imunidade destes animais caia e aumente o risco de contraírem zoonoses. Portanto, o excesso de animais abandonados nas ruas também é um problema de saúde pública e todos nós temos nossa parcela de responsabilidade”, diz. O abandono de animais é crime, previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal n° 9.605 de 1998).

A parceria com ONGs de proteção animal e o incentivo à adoção é um dos pilares da Cobasi e ocorre desde 1998, com a inauguração do primeiro centro de adoção na unidade Villa Lobos, em São Paulo. Atualmente os eventos acontecem nas mais de 130 lojas da rede, em parceria com diferentes protetores, sempre instruindo os interessados sobre a adoção responsável.

Em caso de não poder mais manter o animal, o tutor não deve, em hipótese alguma, abandoná-lo na rua. Busque um novo lar ou converse com protetores para garantir a qualidade de vida do pet.

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