Falência pode ser evitada se liderança aprimorar radar destes erros (FG Trade/Getty Images)
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Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 07h00.
Cerca de 900 mil negócios fecharam as portas apenas nos primeiros quatro meses de 2025. Essas empresas não faliram da noite para o dia. A falência, que não é evento súbito, pode começar até mesmo sem que a liderança da empresa perceba.
Mas é possível aprimorar a capacidade de enxergar os sinais que se manifestam antes dos números vermelhos. Estes, raramente aparecem nos prejuízos financeiros evidentes, mas em decisões adiadas, percepções distorcidas e padrões de comportamento normalizados dentro da liderança e da cultura organizacional.
Convidamos Rodrigo Tetti Garcia, Mestre em administração, especialista em recuperação empresarial e autor do livro “Genes Sustentadores - As competências que recuperam e transformam empresas para o enfrentamento de crises empresariais” para compor a lista a seguir.
Cada um dos cinco erros apontados cria um efeito cumulativo que enfraquece a organização ao longo do tempo, reduzindo a capacidade dos gestores de reagir com velocidade às mudanças do ambiente.
Segundo estudos, a deterioração de uma organização leva, em média, 3,7 anos até que a crise se torne explícita. O erro invisível está na incapacidade da liderança de perceber e aceitar os sinais iniciais de enfraquecimento.
A confiança excessiva no sucesso passado, a crença de que “dessa vez será diferente” ou a leitura distorcida do ambiente fazem com que decisões estruturais sejam adiadas.
Quando a crise finalmente é admitida, a empresa já perdeu a principal vantagem competitiva em momentos turbulentos: o tempo. Nesse estágio, a transformação preventiva já não é mais uma opção, restando apenas tentativas emergenciais de sobrevivência.
Em contextos de pressão, muitos líderes se deixam capturar pelo imediatismo da crise. O foco excessivo em apagar incêndios operacionais gera um paradoxo: a organização passa a ser supergerenciada no curto prazo e subliderada no médio e longo prazo.
Cortes, controles e microdecisões ocupam toda a agenda, enquanto a visão estratégica desaparece.
Sem uma liderança colaborativa, capaz de distribuir responsabilidades e orientar a organização para o futuro, instala-se a centralização excessiva, o esgotamento da liderança e a paralisia decisória — o que pode levar à rápida falência.
Um dos erros mais silenciosos é operar com apenas um “radar” ligado. Organizações fragilizadas tendem a concentrar todos os esforços na eficiência operacional e na preservação do caixa, negligenciando investimentos seletivos em inovação, novos mercados e capacidades futuras.
A ambidestria organizacional, que equilibra eficiência no presente com exploração do futuro, é o que permite atravessar crises sem comprometer a relevância de longo prazo.
Quando a cultura organizacional pune o erro, a discordância ou a má notícia, informações críticas deixam de circular. Sem segurança psicológica, os alertas permanecem ocultos até que o impacto seja irreversível.
A falta de transparência mina a capacidade de diagnóstico da liderança e impede ajustes de rota.
Organizações resilientes, ao contrário, criam ambientes onde falar sobre riscos e falhas não é um ato de coragem individual, mas um dever coletivo.
A ausência de gestão de riscos é um denominador comum entre organizações que chegam à insolvência. O erro invisível não é a exposição ao risco, mas a ilusão de que ele pode ser ignorado.
Sem identificar, mensurar e preparar respostas para riscos estratégicos, financeiros, operacionais e reputacionais, a empresa opera sem defesas em ambientes voláteis.
A gestão de riscos funciona como um sistema imunológico organizacional: não elimina a crise, mas reduz sua intensidade, amplia a capacidade de resposta, preserva a viabilidade do negócio e evita a falência.