Um conteúdo Bússola

3 perguntas de 5G para Marcelo Silvestrin, diretor de tecnologia da Bosch

Executivo participa amanhã do seminário 5G.br São Paulo, que marca a chegada da tecnologia no Brasil, promovido pelo Ministério das Comunicações
Marcelo Silvestrin participa de evento em São Paulo (Marcelo Silvestrin/Divulgação)
Marcelo Silvestrin participa de evento em São Paulo (Marcelo Silvestrin/Divulgação)
B
BússolaPublicado em 11/08/2022 às 11:30.

Se para o consumidor final o impacto do 5G vai ser pouco evidente, para a indústria a tecnologia vai trazer uma revolução em muitos setores, otimizando desempenho e segurança. "Vai ser possível realizar manutenção preventiva eficiente, com base em cálculos de redução do tempo de inatividade dos equipamentos", diz Marcelo Silvestrin, diretor de tecnologia da Bosch, dando apenas um exemplo.

Em entrevista à Bússola, ele falou também sobre como a quinta geração de telefonia móvel vai permitir conectar infindáveis dispositivos em uma rede, trafegando uma quantidade de dados muito grande, com um consumo de bateria muito menor. "Isso vai possibilitar aplicações de inteligência artificial, rodando em nuvem. Não seria possível com outra tecnologia."

Ele participa hoje do seminário 5G.br São Paulo como palestrante no painel “Revolução na indústria e na economia: como o 5G deve alavancar o setor produtivo brasileiro”.  O evento, promovido pelo Ministério das Comunicações, acontece no hotel Grand Hyatt, em São Paulo (SP), e discute o alcance da transformação na economia e nos setores produtivos da chegada do 5G no Brasil.

Bússola: A Bosch se considera líder em fornecimento de tecnologias AIoT, uma junção de AI (inteligência artificial), com IoT (Internet das Coisas). O que isso significa e o que a chegada do 5G pode mudar nesse cenário?

Marcelo Silvestrin: A Bosch é uma líder mundial no fornecimento de tecnologia e serviços e está focada em desenvolver soluções inteligentes e conectadas por meio da AIoT (Inteligência Artificial das Coisas), que nasce da união entre a Internet das Coisas (IoT) e a Inteligência Artificial (IA), com o objetivo de oferecer produtos, tecnologias e serviços inovadores que proporcionam real valor agregado para as pessoas e para a sociedade como um todo.

Nesse sentido, a chegada do 5G vai trazer uma possibilidade de trafegar um número de dados muito maior que o 4G, com uma latência muito baixa e com uma confiabilidade muito alta. Na prática, isso significa que poderemos conectar infindáveis dispositivos em uma rede, trafegando uma quantidade de dados muito grande, com um consumo de bateria muito menor, o que vai possibilitar aplicações de inteligência artificial, rodando em nuvem, e não mais localmente no próprio dispositivo, o que reduz o tamanho e a complexidade dos mesmos. Isso não seria possível com outra tecnologia. É uma abertura de possibilidade de tudo estar conectado no futuro.

Bússola: Como esse tipo de tecnologia pode ser vislumbrada no cotidiano do consumidor?

Marcelo Silvestrin: O consumidor final deverá sentir pouco o impacto do 5G em um primeiro momento, afinal, no dia a dia para ele o 5G vai ser uma evolução do 4G na utilização de dados móveis. Um dos pontos que pode, sim, impactar o consumidor final, e esse ponto devemos sentir em breve, é o aumento no número de dispositivos “vestíveis” (wearable). Com o 5G, óculos de realidade aumentada, dispositivos conectando pulseiras, relógios, blusas e outros equipamentos devem se popularizar rapidamente.

Bússola: Considerando a experiência da Bosch com o 5G ao redor do mundo, quais são os setores produtivos que devem ter o maior impacto positivo com a chegada da tecnologia?

Marcelo Silvestrin: Olhando para os processos industriais, a realidade é diferente da dos consumidores finais. O 5G na indústria vai trazer uma revolução, em todos os segmentos. Desde dentro de um barracão industrial até o processo produtivo dentro de uma fazenda, por exemplo.

A Bosch vem tendo ótimas experiências com inspeção visual, realidade aumentada, ferramentas inteligentes, retrofit de equipamentos antigos e computação em nuvem em vez de na máquina. Existem inúmeras possibilidades sendo testadas no momento e já é possível afirmar que teremos um aumento da produtividade, flexibilidade e eficiência, além da redução da necessidade de hardware, tudo isso de uma maneira fácil de aplicar.

Ademais, a tecnologia 5G será responsável por um ambiente industrial ainda mais conectado e irá tornar possível que as empresas adequem o layout e a logística de suas produções de forma mais ágil, segura e flexível.

Outra oportunidade para as indústrias é a possibilidade de um monitoramento 24 horas por dia, ininterruptamente, otimizando o desempenho e a segurança, além da realização de uma manutenção preventiva eficiente, com base em cálculos de redução do tempo de inatividade dos equipamentos. A utilização do 5G no Brasil é uma prioridade para otimizar o fluxo de tempo na manufatura e o envio de dados. As empresas que já se preparam para o uso da tecnologia poderão contar com uma rede mais estável, em que será possível conectar inúmeros equipamentos sem comprometer a eficiência dos processos.

Siga a Bússola nas redes: Instagram | Linkedin | Twitter | Facebook | Youtube

Veja também Todos devem usufruir do poder da internet, diz Vint Cerf, pioneiro da rede

3 perguntas de 5G para Marcelo Entreconti, head da Nokia Enterprise Latam

3 perguntas sobre 5G para José Guaraldi Félix, presidente da Claro Brasil