O eleitor poderá acompanhar a divulgação dos resultados oficiais conforme os votos forem totalizados pelo TSE (Antonio Lacerda/EFE)
Colaboradora
Publicado em 4 de outubro de 2026 às 12h37.
As eleições de 2026 não terão pesquisa nacional de boca de urna no primeiro turno, repetindo o cenário de 2022. A rapidez da apuração oficial, que pode começar a ser divulgada pelo TSE a partir das 17h, e o custo elevado para realizar milhares de entrevistas reduziram a utilidade desse tipo de levantamento. Sem a boca de urna, os eleitores poderão acompanhar diretamente os resultados oficiais conforme os votos forem totalizados pela Justiça Eleitoral.
Quem acompanhar as eleições de 2026 neste domingo, 4, pode estranhar a ausência de um elemento que durante anos fez parte da cobertura eleitoral: a pesquisa de boca de urna. No primeiro turno deste ano, não haverá esse tipo de levantamento nacional — repetindo o que aconteceu em 2022. Mas por que a boca de urna deixou de ser feita?
A principal explicação está na velocidade da apuração oficial. Desde 2022, a votação acontece das 8h às 17h pelo horário de Brasília em todo o país. Com o encerramento unificado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode começar a divulgar os resultados a partir das 17h, à medida que os votos são totalizados.
Isso diminuiu o tempo em que uma pesquisa de boca de urna conseguiria oferecer uma informação que ainda não estivesse disponível na apuração oficial.
A pesquisa de boca de urna é um levantamento realizado com eleitores depois que eles deixam o local de votação. Os entrevistadores perguntam em quem a pessoa votou e, a partir de milhares de respostas, os institutos fazem uma projeção do resultado.
O processo, porém, não termina na entrevista. É preciso coletar as respostas, organizar e processar os dados, aplicar os cálculos estatísticos e preparar a divulgação.
Tudo isso precisa acontecer em poucas horas — e, desde 2022, os institutos passaram a disputar esse tempo com uma apuração oficial cada vez mais rápida.
Assim que a votação termina, as urnas eletrônicas emitem os chamados Boletins de Urna, que registram os votos daquela seção. Os dados são então encaminhados aos sistemas da Justiça Eleitoral para a totalização.
Como todas as seções seguem o mesmo horário de votação pelo horário de Brasília, a totalização pode começar simultaneamente em todo o país. Nas eleições de 2026, o TSE prevê a divulgação dos resultados a partir das 17h.
Com isso, a boca de urna pode perder sua principal função: antecipar uma tendência antes que os números oficiais apareçam.
Em 2022, Márcia Cavallari, então diretora do Ipec, explicou que o levantamento tinha custo elevado e exigia uma grande quantidade de entrevistadores e entrevistas. O problema era que, quando a primeira parcial do TSE fosse divulgada, ela poderia já reunir mais votos contabilizados do que uma pesquisa conseguiria alcançar em sua amostra.
Para ter uma amostra representativa de um país inteiro, o instituto precisa colocar uma grande estrutura nas ruas.
São necessários muitos entrevistadores, milhares de entrevistas e uma operação de coleta, processamento e análise de dados. Tudo isso para produzir um resultado que pode perder sua utilidade poucos minutos depois, quando os números oficiais começam a avançar.
Por isso, além da velocidade da apuração, existe uma questão de custo-benefício: quanto vale investir em uma operação tão grande se a Justiça Eleitoral consegue apresentar dados oficiais rapidamente?
O fim desse tipo de pesquisa não começou com o horário unificado.
A boca de urna já vinha perdendo espaço entre os grandes institutos há décadas. O Datafolha, por exemplo, deixou de realizar esse tipo de levantamento para disputas presidenciais em 1998.
Um dos últimos exemplos de grande repercussão aconteceu em 2018. Naquele ano, o então Ibope foi o único grande instituto a divulgar uma pesquisa nacional de boca de urna no segundo turno da eleição presidencial.
O levantamento entrevistou 30 mil eleitores e projetou 56% dos votos para Jair Bolsonaro e 44% para Fernando Haddad. O resultado oficial acabou sendo de 55,13% a 44,87%, respectivamente.
O caso mostra como a pesquisa pode chegar perto do resultado oficial, mas também evidencia a dimensão da estrutura necessária para produzir uma estimativa desse tipo.
Haverá — e a diferença é importante.
Não ter pesquisa de boca de urna não significa não ter apuração. A partir das 17h, o eleitor poderá acompanhar a divulgação dos resultados oficiais conforme os votos forem totalizados pelo TSE.
Ou seja: em vez de uma estimativa baseada nas respostas de uma amostra de eleitores, o público poderá acompanhar diretamente os votos efetivamente contabilizados pela Justiça Eleitoral.
Sim, mas são coisas completamente diferentes.
A pesquisa de boca de urna é um levantamento estatístico feito com eleitores depois da votação.
Já o crime de boca de urna é a tentativa de influenciar a escolha do eleitor no dia da eleição. Pedir votos, distribuir propaganda eleitoral ou abordar eleitores para tentar convencê-los a votar em determinado candidato são condutas proibidas no dia da votação e podem caracterizar o crime.
Apesar de terem o mesmo nome, portanto, uma coisa não tem relação com a outra.
A pesquisa de boca de urna é um levantamento realizado com eleitores depois que eles deixam o local de votação. A partir das respostas sobre em quem votaram, os institutos usam métodos estatísticos para estimar o resultado da eleição.
Não haverá pesquisa nacional de boca de urna no primeiro turno das eleições de 2026, assim como ocorreu em 2022.
Um dos principais motivos é a velocidade da apuração oficial. Como a votação termina às 17h pelo horário de Brasília em todo o país, o TSE pode começar a divulgar os resultados a partir desse horário. Além disso, uma pesquisa nacional de boca de urna exige uma operação de alto custo, com muitos entrevistadores e milhares de entrevistas.
O TSE prevê começar a divulgar os resultados a partir das 17h, pelo horário de Brasília, conforme os votos forem totalizados pela Justiça Eleitoral.
Sim. A ausência da pesquisa de boca de urna não interfere na apuração. A partir das 17h, os eleitores poderão acompanhar os resultados oficiais conforme os votos forem contabilizados pelo TSE.
A pesquisa de boca de urna é uma estimativa baseada em entrevistas com uma amostra de eleitores. A apuração, por sua vez, apresenta os votos efetivamente contabilizados pela Justiça Eleitoral.
Não. A pesquisa de boca de urna é um levantamento estatístico realizado com eleitores depois da votação. O crime conhecido como boca de urna é diferente: refere-se a condutas destinadas a influenciar o eleitor no dia da eleição, como pedir votos, distribuir propaganda eleitoral ou abordar eleitores para tentar convencê-los a votar em determinado candidato.
Esse tipo de pesquisa já vinha perdendo espaço antes da adoção do horário unificado. O Datafolha, por exemplo, deixou de realizar boca de urna para disputas presidenciais em 1998. Em 2018, o então Ibope foi o único grande instituto a divulgar uma pesquisa nacional desse tipo no segundo turno presidencial.