Cláudio Castro: TSE retoma julgamento que pode levar à cassação do governador do Rio. (Pablo PORCIUNCULA/AFP)
Repórter
Publicado em 10 de março de 2026 às 07h52.
Última atualização em 10 de março de 2026 às 07h55.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma nesta terça-feira, 10, o julgamento que analisa recursos contra a absolvição do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), em um processo que investiga suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
A ação foi apresentada pelo Ministério Público Eleitoral e por uma coligação adversária e questiona decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, que havia absolvido o governador.
No TSE, o Ministério Público pede a cassação do mandato de Castro e a declaração de inelegibilidade por oito anos.
A investigação teve início em 2022 e apurou cerca de 27 mil contratações sem transparência de funcionários temporários que teriam atuado na Fundação Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Segundo o Ministério Público Eleitoral do Rio, as vagas teriam sido usadas para acomodar aliados políticos do governador durante o período eleitoral, em um suposto esquema para fortalecer sua campanha à reeleição.
A investigação também citou a participação de Rodrigo Bacellar (União), presidente afastado da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
O caso foi julgado em maio de 2024 pelo TRE-RJ. Por 4 votos a 3, o tribunal decidiu que não havia provas suficientes de abuso de poder político ou econômico para influenciar o resultado da eleição estadual de 2022.
Após a decisão, o Ministério Público Eleitoral e a coligação que apoiou Marcelo Freixo, candidato derrotado na disputa pelo governo do estado, recorreram ao TSE.
No julgamento no TSE, iniciado em novembro de 2025, o Ministério Público sustentou que houve uso indevido da estrutura do Estado durante o período eleitoral, o que caracterizaria abuso de poder político e econômico.
O órgão pediu a cassação do mandato e a inelegibilidade por oito anos de Castro, de Bacellar e de outros acusados.
A relatora do caso, a ministra Isabel Gallotti, votou pela cassação do mandato do governador e pela realização de nova eleição para o governo do Rio de Janeiro.
O vice na chapa, Thiago Pampolha, não foi incluído no pedido de cassação porque assumiu posteriormente um cargo no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.
Após o voto da relatora, o julgamento foi interrompido por um pedido de vista e agora será retomado pelos ministros da Corte eleitoral.
*Com O Globo