Terras raras em Goiás (Serra Verde/Divugação )
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 12 de abril de 2026 às 12h03.
As terras-raras, grupo de minerais essenciais para tecnologias como baterias, chips e energia renovável, passaram a ocupar espaço central no debate eleitoral no Brasil.
O tema conecta a política doméstica ao interesse dos Estados Unidos em reduzir a dependência da China nesses recursos estratégicos.
O país detém a segunda maior reserva mundial desses minerais, atrás apenas da China, segundo o USGS, o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Apesar disso, a exploração ainda é limitada, principalmente pela ausência de tecnologia para processamento em larga escala.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) levou o tema ao debate internacional ao discursar na CPAC, conferência conservadora realizada no Texas. Ele afirmou que o Brasil pode assumir papel estratégico para os Estados Unidos.
"O Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será lutado", disse, ao citar o papel dos minerais críticos para a indústria tecnológica e a segurança nacional americana.
Dias depois, ao comentar as críticas, o senador voltou ao tema e defendeu uma relação mais próxima com os EUA, citando geração de empregos e transferência de tecnologia.
"Eu vou ter pragmatismo", afirmou, ao rebater críticas e defender aproximação com os americanos.
Do lado do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem adotado discurso voltado à soberania sobre os recursos naturais. Em declarações recentes, criticou o interesse estrangeiro na exploração sem contrapartidas.
"Querem nos explorar e fazer a mesma coisa que fizeram no passado: levar e deixar os buracos", disse Lula.
A posição foi reforçada por Edinho Silva, presidente do PT, que defendeu a regulamentação do setor e antecipou uma proposta legislativa sobre minerais críticos.
"Não podemos aceitar que uma riqueza tão importante para o futuro do Brasil seja entregue como a família Bolsonaro propõe aos Estados Unidos", afirmou durante evento do Esfera Brasil.
A mobilização do partido inclui a elaboração de um projeto de lei sobre minerais estratégicos, com previsão de partilha de lucros com a União, nos moldes do pré-sal, e restrições à exportação desses recursos para países em conflito.
O tema também aparece na agenda de outros nomes da corrida presidencial.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), hoje pré-candidato, citou iniciativas no setor ao lançar sua candidatura e destacou ações voltadas à exploração de minerais críticos.
Recentemente, ainda à frente do governo estadual, Caiado assinou um memorando de entendimento com os Estados Unidos para cooperação na área.
"Junto com as universidades, vamos desenvolver em parceria com o governo americano as tecnologias", afirmou ao comentar o acordo, que prevê mapeamento mineral, definição de áreas estratégicas e avanço no processamento dos recursos.
O estado de Goiás concentra projetos relevantes, como a planta da Serra Verde, em Minaçu, única unidade de processamento de terras raras pesadas da América Latina, em operação desde 2024. A empresa recebeu financiamento de US$ 565 milhões do governo americano.

Outros projetos incluem investimentos em Nova Roma, estimados em R$ 2,8 bilhões, e iniciativas em Iporá, com potencial de dezenas de milhões de toneladas em reservas.
O ex-governador Romeu Zema (Novo), também pré-candidato, destacou o potencial econômico da exploração em Minas Gerais em agendas recentes.