Brasil

Relator proíbe cobrança de mala de mão apenas em voos nacionais

Deputado Neto Carletto (Avante/BA) afirma no seu parecer que após diálogo com as companhias aéreas e o setor público a proibição ficou limitada apenas a percursos nacionais

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 28 de outubro de 2025 às 16h02.

Última atualização em 28 de outubro de 2025 às 16h03.

Priorizar nos meus resultados Google

O deputado Neto Carletto (AVANTE/BA), relator do PL 5041/2025, que proíbe a oferta de passagem aérea sem mala de mão, definiu que a limitação ocorrerá apenas para voos nacionais. O relatório preliminar foi publicado nesta terça-feira, 28.

O texto original definia que a proibição se estenderia a voos nacionais e internacionais com embarques no Brasil. No entanto, o relator afirma em seu parecer que, após diálogo com as companhias aéreas e o setor público, a medida foi limitada apenas aos percursos nacionais, para evitar a redução da oferta de voos de empresas de baixo custo que atualmente operam em rotas relevantes na América do Sul, a partir do Brasil.

Ao justificar a medida, o relator afirmou que o projeto tem "mérito inquestionável" por preservar o direito do passageiro e impedir que um serviço essencial seja convertido em produto adicional.

"Entendemos que o projeto tem mérito inquestionável, pois preserva um direito historicamente reconhecido ao passageiro e impede que um serviço essencial seja transformado em produto adicional", diz o texto.

Havia a expectativa de que o projeto definisse as dimensões da bagagem de mão, mas Carletto afirmou que a proposta não deveria interferir nas competências técnicas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), responsável por definir as regras.

"[A proposta] limita-se a assegurar, em nível legal, que as regras atuais — já consolidadas e conhecidas pelos passageiros — sejam mantidas, evitando que a bagagem de mão seja transformada em objeto de cobrança adicional", diz o relatório.

Em entrevista à EXAME, o deputado Da Vitoria (PP-ES), autor da medida, afirmou que as passagens no Brasil já são caras e que a oferta de tarifa sem mala de mão prejudicaria o consumidor.

"Estou muito feliz pelo apoio dos parlamentares e acredito que o projeto pode ser votado na Câmara ainda nesta semana", diz Da Vitoria.

Entenda o projeto sobre bagagem

O avanço do PL na Câmara é uma reação dos parlamentares ao lançamento de tarifas sem o direito à mala de mão pelas companhias aéreas. O projeto tem apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Atualmente, as companhias aéreas não cobram pela mala de mão em voos domésticos. A GOL e a Latam oferecem a tarifa basic apenas para algumas rotas internacionais.

Nessa modalidade, o passageiro pode levar somente uma mochila ou bolsa de até 10 quilos, sem a possibilidade de levar uma mala.

A Azul informou que não cobrará pela bagagem de mão em voos internacionais.

A justificativa dada pelas companhias para a cobrança da tarifa é a necessidade de competir em condições de igualdade com as empresas low cost, aquelas com tarifas mais baratas e menos serviços a bordo, nas mesmas rotas. Nesse caso, o preço da passagem é baixo, mas os outros serviços são cobrados.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Resolução nº 400/2016 define que o passageiro tem direito de levar, pelo menos, 10 quilos na cabine, dentro dos limites de tamanho e quantidade definidos pela companhia aérea.

As empresas podem restringir o peso ou o conteúdo por motivos de segurança, ou limitação de espaço na aeronave.

Como nas tarifas sem mala de mão as empresas permitem uma bagagem de até 10 quilos, a Anac entende que as companhias aéreas estão cumprindo a regra.

Acompanhe tudo sobre:AeroportosAeroportos do BrasilCâmara dos Deputados

Mais de Brasil

Fachin determina que Mendonça tire sigilo de mais um inquérito sobre pagamentos do Master

Vamos nos inspirar nas reformas que Milei fez, diz coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro

'Futuro é de um fiscal mais organizado', diz Durigan sobre eventual Lula 4

Caiado, Cury e Renan: para onde vão os votos da 'terceira via' no 2º turno?