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Principal preocupação sobre Jaguari é abastecimento de água

Atitude da Cesp de manter uma vazão reduzida na hidrelétrica Jaguari, desobedecendo ordens do operador, não chega a ameaçar o abastecimento de energia elétrica


	Jaguari: participação da usina do rio Jaguari na geração de energia é insignificante
 (Paulo Fridman/Bloomberg)

Jaguari: participação da usina do rio Jaguari na geração de energia é insignificante (Paulo Fridman/Bloomberg)

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Da Redação

Publicado em 13 de agosto de 2014 às 14h40.

Rio de Janeiro - O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, disse nesta quarta-feira que a atitude da Cesp de manter uma vazão reduzida na hidrelétrica Jaguari, desobedecendo ordens do operador, não chega a ameaçar o abastecimento de energia elétrica, mas que a principal preocupação é sobre o abastecimento de água.

De acordo com o diretor-geral do ONS, a participação da usina do rio Jaguari na geração de energia é insignificante. "Não compromete o fornecimento de energia. Jaguari é uma usina de duas máquinas de 13,8 megawatts e não significa praticamente nada em termos de abastecimento de energia... a preocupação é com água e não com abastecimento elétrico", afirmou ele.

Segundo Chipp, a decisão de São Paulo foi inédita e o desrespeito à determinação do operador abre um perigoso precedente para a geração elétrica no país. "Foi uma polarização indevida de São Paulo. Foi uma decisão unilateral e uma decisão como essa tem que ser tomada em conjunto, como diz a lei", disse ele a jornalistas em evento do Acende Brasil. "O comando do Operador tem que ser aceito em nome da melhor solução global", adicionou.

O diretor-geral do ONS ressaltou que o problema emergiu no meio do período seco, ou seja, de poucas chuvas, e com reservatórios em níveis mais baixos que de costume. "Temos escassez hidrológica no Paraíba do Sul (rio afluente do Jaguari) e isso tem que ser administrado com muito cuidado", afirmou Chipp.

Chipp disse ainda que o tema deve ser discutido com a Agência Nacional de Águas (ANA) ainda nesta semana. Ele espera que uma solução para o impasse ocorra "rapidamente".

Se não houver acordo na reunião que será intermediada pela ANA, o assunto terá que levar o tema para esferas superiores "Isso tem que ser resolvido rapidamente porque você pode chegar a zero nos reservatórios de Funil, Santa Branca e Paraibuna antes do fim de novembro, e aí você compromete o consumo de água no Rio e em São Paulo", declarou Chipp.

Reservatórios mais altos

O ONS melhorou suas projeções para o nível dos reservatórios das hidrelétricas ao fim do período seco para o sistema Sudeste/Centro Oeste, o mais importante do país. A nova estimativa para os reservatórios dessa região são de que cheguem a cerca de 20 por cento.

Para região Nordeste, a previsão é de que o armazenamento fique entre 18 a 20 por cento. "Nós estamos trabalhando no armazenamento de água. A estratégia é essa: manter o reservatório de cabeceira para quando a carga começar a crescer, no fim do período seco, se atender a ponta do sistema", disse Chipp a jornalistas.

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