Previdência na base da pressão

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, voltou a pressionar publicamente os parlamentares pela aprovação da reforma da Previdência. Ontem, disse que a medida “é uma necessidade em função das contas públicas brasileiras”. Sem mudar a Previdência, afirmou, o país ficará insolvente. Dias antes havia afirmado que, sem as reformas, os deputados federais receberiam menos emendas para projetos em seus currais eleitorais. O clima azedou. Inúmeras vozes, incluindo o presidente da comissão especial que analisa a reforma, Carlos Marun (PMDB-MS), e o relator da ação, Arthur Maia (PPS-BA), alertaram que, da forma como está proposta, a reforma “não passa”.

Para convencer os insatisfeitos, a tática do governo tem sido a pressão. No fim de semana, uma peça publicitária foi divulgada pelo PMDB nas redes sociais, relacionando a não aprovação da reforma da Previdência ao fim de Bolsa Família, Fies e outros programas sociais. Dias depois, o texto foi suavizado para um genérico “a reforma da Previdência vai garantir o futuro do Brasil”. “Os parlamentares são suscetíveis à opinião pública. O governo tem que convencer”, diz um analista. “Mas Temer precisa ser didático, assumir o papel de estadista e mostrar que a população não vai ser passada para trás”.

A edição de hoje da Folha de S. Paulo afirma que o PSDB, principal aliado do governo, quer abrandar pelo menos quatro pontos da reforma. Segundo o jornal O Globo, o governo já estuda desistir de idade mínima progressiva,  que prevê aumentar, no futuro, a exigência de 65 anos. O tema, como se sabia desde sempre, seria o grande desafio do governo em 2017.

O problema, como fica claro a cada dia, é que a Previdência corre em paralelo com o avanço das investigações da Lava-Jato e do Superior Tribunal Eleitoral, que minam o presidente e seus maiores aliados. O principal articulador, Eliseu Padilha, está no estaleiro. A vantagem é que o projeto inicial, duro, dá margem de manobra para mudanças. A dúvida é o que vai sobrar.

 

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