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Pobreza e extrema pobreza caem ao menor nível em 12 anos, diz IBGE

Levantamento mostra queda contínua da pobreza desde 2022, mas desigualdades seguem em alta

Pobreza no Brasil: queda em 2024 foi puxada por programas sociais e pelo mercado de trabalho. (Mario Tama/Getty Images)

Pobreza no Brasil: queda em 2024 foi puxada por programas sociais e pelo mercado de trabalho. (Mario Tama/Getty Images)

Publicado em 3 de dezembro de 2025 às 11h17.

Última atualização em 3 de dezembro de 2025 às 11h40.

Entre 2023 e 2024, 8,6 milhões de pessoas sairam da condição de pobreza no Brasil, segundo a nova edição da Síntese de Indicadores Sociais divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram que a pobreza caiu pelo terceiro ano consecutivo.

O levantamento mostra que o país voltou ao patamar pré-pandemia. Entretanto, os dados apontam que as desigualdades de renda, especialmente entre pretos, pardos, mulheres e trabalhadores informais, seguem em nível de atenção.

A proporção de brasileiros com renda inferior à linha de US$ 6,85 PPC por dia (cerca de R$ 694 mensais) caiu de 27,3% para 23,1%.

Já na faixa da extrema pobreza — abaixo de US$ 2,15 PPC por dia — o índice recuou de 4,4% para 3,5%, representando menos 1,9 milhão de pessoas nessa situação.

AnoPessoas na extrema pobreza (US$ 2,15 PPC)Pessoas na pobreza (US$ 6,85 PPC)
(%)(mil pessoas)(%)(mil pessoas)
20126,612.98534,768.390
20135,811.59732,564.469
20145,210.38030,961.771
20155,611.38431,763.963
20166,713.69733,768.545
20177,314.93733,769.085
20187,415.17833,468.812
20197,415.27632,667.540
20206,112.61331,164.737
20219,018.88636,876.977
20225,912.32931,666.494
20234,49.28227,357.572
20243,57.35423,148.948

Pobreza cai e programas sociais evitam retrocesso

O estudo aponta que a continuidade do Bolsa Família em valores superiores aos pagos antes da pandemia foi importante para a redução da pobreza.

Sem os programas sociais, a pesquisa afirma que a extrema pobreza teria saltado para 10% da população, quase o triplo do índice real (3,5%). A taxa de pobreza também subiria de 23,1% para 28,7%.

O Nordeste registrou a queda mais expressiva: de 47,2% para 39,4% da população pobre em apenas um ano (-7,8 p.p.). Já a Região Sul manteve o menor percentual do país, com 11,2%.

Mulheres tinham maior incidência de pobreza (24%) que homens (22,2%)., já entre pretos e pardos, a proporção chegou a 25,8% e 29,8%, respectivamente, em comparação a 15,1% entre brancos.

Pretos e pardos, embora representem 56,8% da população, compõem 71,3% das pessoas pobres do país.

Brasil tem a segunda maior desigualdade da OCDE

O IBGE afirma que o país segue entre os mais desiguais do mundo. Em 2022, os 20% mais ricos ganhavam, em média, 11 vezes mais que os 20% mais pobres — proporção inferior apenas à da Costa Rica entre os países analisados pela OCDE.

A comparação coloca o Brasil à frente de Chile, México, Portugal, Espanha, Itália e França em desigualdade de rendimentos.

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