O ex-assessor da Presidência Filipe Martins durante palestra no Instituto Rio Branco (Arthur Max/Ministério das Relações Exteriores/Divulgação)
Redação Exame
Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 09h15.
O ex-assessor da Presidência Filipe Martins foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira, 2, em sua casa, em Ponta Grossa, no Paraná. Três agentes cumpriram o mandado determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Martins estava em regime domiciliar desde o último sábado, 27. A medida foi decreta na ocasião após o ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro ter supostamente violado uma das medidas cautelares impostas a ele, de não acessar redes sociais.
Segundo o ministro do STF, Martins teria feito uma pesquisa na plataforma LinkedIn.
"O acusado demonstra total desrespeito pelas normas impostas e pelas instituições constitucionalmente democráticas, em virtude de que, ao fazer uso das redes sociais, ofende as medidas cautelares aplicadas, assim como, todo o ordenamento jurídico", escreveu o magistrado na decisão em que determina a prisão preventiva.
O ex-assessor de Bolsonaro é réu do chamado "núcleo 2" da trama golpista. Ele é acusado de "operacionalizar" a tentativa de golpe, e foi condenado pelo STF, em 16 de dezembro, a 21 anos e 6 meses de prisão por cinco crimes.
O chamado "núcleo 2" da investigação sobre a trama golpista é apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como o grupo responsável por colocar o plano de golpe em prática.
Segundo a denúncia, esse núcleo teria dado apoio jurídico, operacional e de inteligência à tentativa de golpe, incluindo a elaboração da chamada "minuta golpista", um rascunho de documento que previa a decretação de um estado de exceção no país.
De acordo com a acusação, Martins teria escrito uma das versões dessa minuta. A defesa dele nega essa participação. Martins, porém, ainda não está cumprindo a pena definitiva porque os recursos sobre a sentença não foram esgotados ainda.
O ex-assessor de Bolsonaro tem 38 anos e é natural de Sorocaba, no interior paulista. Em seu perfil no LinkedIn, ele afirma ser formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e ter cursado Diplomacia e Defesa na Escola Superior de Guerra, que integra a estrutura do Ministério da Defesa.
O paulista assumiu o cargo de assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República em 2019, no início do governo Bolsonaro, após ter trabalhado com o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, durante o governo de transição.
Entre fevereiro e agosto de 2024, o ex-assessor ficou preso preventivamente. Ele foi solto depois, desde que cumprisse medidas cautelares impostas pela Justiça. Em dezembro deste ano, a Primeiro Turma do STF julgou o "núcleo 2" e condenou Martins e outros quatro réus, entre os quais estava também o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques.
Vasques foi preso na sexta-feira, 26, após tentativa de fuga. Ele tentou fugir do Brasil, rompeu a tornozeleira e foi detido no Paraguai ao tentar embarcar para El Salvador com documentos falsos.
Um dia após a tentativa de fuga do ex-diretor da PRF, a Polícia Federal também cumpriu mandados de prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, contra outros 10 condenados pela trama golpista, incluindo Filipe Martins.
Segundo a PF, os mandados foram cumpridos nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Bahia, Tocantins e no Distrito Federal. Ainda de acordo com a PF, o Exército Brasileiro participa das diligências.