Cleitinho: senador ficou conhecido por vídeos virais nas redes sociais (Saulo Cruz/Agência Senado/Flickr)
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Publicado em 3 de outubro de 2026 às 07h30.
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) chega à reta final da disputa pelo governo de Minas Gerais mantendo a liderança registrada desde o início da campanha. No Datafolha divulgado em 1º de outubro, ele tem 49% dos votos válidos, contra 20% de Patrus Ananias (PT) e 13% de Alexandre Kalil (PDT). A trajetória eleitoral do candidato combina presença no interior, comunicação pelas redes sociais e um discurso de fiscalização e crítica às estruturas tradicionais da política, enquanto a disputa pelo Executivo amplia a cobrança sobre propostas e capacidade de gestão.
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) começou a campanha pelo governo de Minas Gerais na liderança das pesquisas e chega à reta final mantendo uma distância ampla dos principais adversários.
O desempenho não surgiu nas últimas semanas. Na primeira pesquisa Datafolha realizada após o início oficial da campanha, entre 18 e 20 de agosto, Cleitinho já liderava com 32% das intenções de voto.
Patrus e Kalil apareciam com 12% cada. Na ocasião, 13% estavam indecisos e 14% declaravam voto branco ou nulo.
No Datafolha divulgado nesta quinta-feira, 1º, o senador aparece com 49% das intenções de votos válidos, contra 20% de Patrus Ananias (PT) e 13% de Alexandre Kalil (PDT).
Segundo o agregador de pesquisas EXAME/Inteligov, Cleitinho tem 38,01% das intenções de voto.
A trajetória que levou Cleitinho à posição atual começou longe das estruturas tradicionais da política mineira.
Natural de Divinópolis, no Centro-Oeste do estado, Cleiton Gontijo de Azevedo trabalhou como comerciante no sacolão de verduras da família e também foi músico.
Entrou na política eleitoral em 2016, quando conquistou uma cadeira na Câmara Municipal de Divinópolis. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual e, em 2022, chegou ao Senado.
Desde os primeiros mandatos, Cleitinho construiu a imagem pública em torno de críticas aos privilégios da classe política, fiscalização de serviços públicos e uma comunicação voltada diretamente ao eleitor.
A própria biografia mantida pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais registra que sua campanha para deputado estadual foi feita principalmente pela internet e pela circulação de vídeos e áudios nas redes sociais.
Foi um estilo que acompanhou sua ascensão de vereador a senador e que agora aparece no centro da tentativa de chegar ao Palácio Tiradentes.
Para Daniel Machado, especialista em inteligência política pela Universidade de São Paulo (USP), a força eleitoral de Cleitinho está relacionada também a um movimento de perda de identificação de parte do eleitorado com partidos e lideranças tradicionais.
“O crescimento de Cleitinho precisa ser compreendido dentro de um fenômeno que não é apenas mineiro ou brasileiro", diz Machado.
"Em diferentes democracias, vemos o avanço de lideranças que se apresentam como intérpretes diretas da vontade popular, rejeitam os modelos tradicionais da política e procuram estabelecer uma relação aparentemente sem intermediários com o cidadão.”
Na avaliação do especialista, o senador transformou a indignação com situações do cotidiano e a crítica à própria política em componentes permanentes de sua identidade pública.
“Ele não se comunica como um político convencional; comunica-se como alguém que transformou a indignação cotidiana do cidadão em identidade política”, diz Machado.
Para o cientista político, Cleitinho conseguiu ainda transformar a própria biografia e o jeito de falar em elementos reconhecíveis pelo eleitor.
“Cleitinho cresceu porque transformou sua biografia, seu jeito de falar e sua postura contestadora em uma narrativa coerente. Ele não vende apenas propostas: vende a ideia de que continua sendo alguém de fora das estruturas, mesmo depois de passar por diferentes cargos políticos”, afirma Machado.
Minas tem 853 municípios e significativas diferenças econômicas, sociais e políticas entre suas regiões. A campanha de Cleitinho afirma ter colocado o interior no centro da estratégia para ampliar o alcance da candidatura.
Segundo Rafael Silva, coordenador da campanha do candidato, a equipe buscou construir uma agenda menos associada a um campo partidário específico e concentrar viagens fora da capital.
“Começamos uma campanha pelo Republicanos estudando como iríamos levar uma proposta de trabalho mais próxima do eleitor, sem querer ter um lado preferido de partido, mas atendendo aos anseios de toda a população, porque o nosso interesse desde o início foi fazer uma campanha para todos”, diz o coordenador.
Segundo Silva, parte dos esforços foi direcionada a viagens por municípios mineiros para ouvir demandas locais.
“Direcionamos os esforços mais concentrados no interior do estado, percorrendo as cidades de Minas Gerais e identificando as dificuldades e os pedidos dessas cidades para dar escuta a eles”, diz.
Os deslocamentos também passaram a alimentar a comunicação digital. A campanha promoveu transmissões ao vivo e publicou registros das agendas do senador, explorando uma ferramenta usada por Cleitinho desde o início da carreira política.
Para Dulce Correia, professora de Ciências Sociais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as redes tiveram um peso importante na construção política do senador, mas não explicam isoladamente seu desempenho.
A comunicação digital, segundo ela, amplifica características que Cleitinho também apresenta no contato com eleitores e nos espaços institucionais.
Há uma continuidade entre a forma como ele aparece diante da câmera, no ambiente parlamentar e nas ruas, o que contribui para produzir uma percepção de autenticidade, avalia. Cleitinho também costuma organizar as mensagens a partir de situações do cotidiano, com linguagem simples, emoção e indignação, em vez de explicações técnicas extensas.
Esse formato se adapta às redes sociais, onde vídeos curtos e mensagens de compreensão rápida disputam a atenção do público.
Dulce pondera, no entanto, que alcance digital não se converte automaticamente em voto e que uma eleição estadual também depende de presença territorial, organização política e capacidade de mobilização.
A candidatura ao governo coloca Cleitinho diante de um tipo de avaliação diferente das eleições anteriores. Vereadores, deputados e senadores exercem funções legislativas e de fiscalização.
O comando do Executivo exige administrar diretamente áreas como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e as contas estaduais.
Para Machado, essa mudança altera também a cobrança sobre o candidato.
“A passagem de senador e comunicador popular para candidato a governador muda o tipo de cobrança", diz. "O eleitor pode admirar quem denuncia problemas, mas, numa disputa pelo Executivo, começa a perguntar quem possui equipe, capacidade administrativa, articulação política e soluções para saúde, educação, segurança, infraestrutura e para a situação fiscal de Minas Gerais.”
Dulce identifica na comunicação de Cleitinho características associadas ao populismo contemporâneo, entre elas a valorização do cidadão comum, a crítica às estruturas tradicionais da política e a tentativa de estabelecer uma ligação direta entre liderança e eleitor.
“Esse posicionamento ajudou a construir uma base entre setores da direita e eleitores insatisfeitos com a política tradicional. Uma eleição para governador, porém, exige chegar também a grupos que não necessariamente se identificam com esse campo político”, afirma.
Para ela, a tentativa de preservar a imagem contestadora e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência da polarização nacional produz uma tensão.
“Uma mudança acentuada de tom pode causar estranhamento em parte dos apoiadores que foram atraídos pelo discurso antissistema. Uma campanha excessivamente baseada no confronto, por outro lado, pode dificultar a aproximação com eleitores que dão maior peso à capacidade de diálogo e administração”, aponta
A questão passa a ser se uma identidade política construída principalmente sobre fiscalização, crítica e denúncia poderá ser associada pelo eleitor também à capacidade de gestão e negociação exigida de um governador.
Os números mostram que Cleitinho chega aos últimos dias da campanha com uma preferência eleitoral que não depende apenas do conhecimento de seu nome.
No Datafolha mais recente, ele registra 27% na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista de candidatos. Em agosto, eram 15%. Naquela ocasião, 64% ainda não sabiam espontaneamente em quem votar.
A estabilidade de sua liderança no primeiro turno também contrasta com a oscilação vista nas simulações de uma disputa direta contra Patrus.
Em setembro, um levantamento chegou a colocar os dois separados por apenas um ponto percentual. Na reta final, pesquisas de diferentes institutos voltaram a registrar vantagem do senador nesse confronto.
Para Machado, a dianteira de Cleitinho não deve ser explicada apenas pelo momento atual da campanha.
“A liderança de Cleitinho não pode ser tratada como um fenômeno circunstancial. Ela aparece em diferentes levantamentos e revela uma base eleitoral real, construída ao longo de sucessivas eleições, com presença pública, exposição digital e uma identidade política bastante definida”, diz.
No Datafolha divulgado em 1º de outubro, Cleitinho Azevedo aparece com 49% das intenções de votos válidos, contra 20% de Patrus Ananias (PT) e 13% de Alexandre Kalil (PDT). No agregador de pesquisas EXAME/Inteligov citado na matéria, Cleitinho registra 38,01% das intenções de voto.
Sim. Na primeira pesquisa Datafolha realizada após o início oficial da campanha, entre 18 e 20 de agosto, Cleitinho tinha 32% das intenções de voto. Patrus Ananias e Alexandre Kalil apareciam com 12% cada.
Natural de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Cleitinho trabalhou como comerciante no sacolão da família e como músico antes de entrar na política eleitoral. Foi eleito vereador de Divinópolis em 2016, deputado estadual em 2018 e senador por Minas Gerais em 2022.
Segundo a coordenação da campanha, uma das prioridades é ampliar a presença no interior de Minas Gerais, com viagens a municípios e contato com demandas locais. Os deslocamentos também alimentam a estratégia digital, com transmissões ao vivo e publicações sobre as agendas do candidato.
As redes sociais acompanham Cleitinho desde seus primeiros mandatos e ajudaram a ampliar uma comunicação baseada em vídeos, linguagem direta e situações do cotidiano. A professora Dulce Correia, da UFMG, pondera, porém, que alcance digital não se converte automaticamente em votos e que uma eleição estadual também depende de presença territorial, organização política e mobilização.
A candidatura ao governo transfere o foco para atribuições diretamente ligadas à administração estadual. Diferentemente dos cargos legislativos exercidos anteriormente por Cleitinho, o governador é responsável pela condução do Executivo e pela gestão de áreas como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e contas estaduais.
No Datafolha mais recente citado na matéria, Cleitinho registra 27% na pesquisa espontânea, modalidade em que os entrevistados não recebem previamente uma lista de candidatos. Em agosto, ele tinha 15%, enquanto 64% dos entrevistados ainda não sabiam espontaneamente em quem votar.