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Para José Mujica, corrupção no Brasil é inexplicável

Em entrevista ao jornal El País, ex-presidente uruguaio afirma que afã de fazer dinheiro mata a esquerda

A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente uruguaio José Mujica (Carlos Pazos/Reuters)

Talita Abrantes

Publicado em 6 de maio de 2015 às 18h59.

São Paulo – Em entrevista ao jornal El País, o ex-presidente uruguaio José Mujica classificou a corrupção no Brasil como algo inexplicável.

“A questão de ter dinheiro para ser alguém pode ser uma ferramenta de progresso no mundo do comércio, onde há riscos empresariais, mas, quando isso se insere na política, estamos fritos. (...) É inexplicável isso no Brasil”, afirmou em entrevista.  concedida em Buenos Aires, onde está para evento de lançamento do livro “Uma ovelha negra na política”, que fala sobre período em que ele governou o Uruguai.

Segundo ele, “a democracia moderna é muito cara. O Brasil é muito grande, tem estados que são como países. Ali há partidos locais e o governo nacional tem de negociar com eles. Aí começa tudo”, disse.

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Presidente do Uruguai entre 2010 e 2015, Pepe Mujica se tornou uma estrela na política internacional por cultivar uma vida modesta apesar do cargo de comando. Para ele, “quando o afã de fazer dinheiro se mete dentro da política, isso mata a nós da esquerda”.

Em uma entrevista recente à BBC, o ex-presidente afirmou que “quem gosta de ter muito dinheiro deve ser tirado da política” e que o tráfico de influência é uma doença que existe no Brasil, uma vez que os governos "têm que fazer o impossível para conseguir a maioria parlamentar de alguma maneira".

Apesar dos bastidores por vezes nefastos do mundo da política, Mujica diz que "tem medo" de quem afirma que não tem partido. “Os partidos são o primeiro elemento de controle que os indivíduos têm”, afirmou na entrevista ao El País.

“A crise da política apenas acentua o individualismo. Prefiro que as pessoas não estejam com a esquerda, mas que estejam com a política. Pagaria esse preço. A antipolítica é aventureirismo ou fascismo. Prefiro a política conservadora, mas a política”, disse para a publicação.

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