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Pagamentos eram decididos caso a caso, diz executivo da Odebrecht

Segundo Márcio Faria, a solicitação de propina entre a empreiteira e a Petrobras surgia "basicamente, na fase de licitação ou após a assinatura de contrato"

Odebrecht: "era solicitada caso a caso. Cada contrato tinha sua história", declarou o delator (Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

Odebrecht: "era solicitada caso a caso. Cada contrato tinha sua história", declarou o delator (Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 13 de março de 2017 às 17h39.

São Paulo - O executivo Márcio Faria, um dos delatores da Odebrecht na Operação Lava Jato, afirmou em audiência nesta segunda-feira, 13, perante o juiz federal Sérgio Moro que o pagamento de propina era decidido "caso a caso". Márcio Faria prestou depoimento como testemunha de defesa do empreiteiro Marcelo Odebrecht.

Segundo o delator, a solicitação de propina em contratos entre a empreiteira e a Petrobras surgia "basicamente, na fase de licitação ou após a assinatura de contrato".

"Era solicitada caso a caso. Cada contrato tinha sua história", declarou.

Os depoimentos de Emílio Odebrecht e do ex-executivo do grupo Márcio Faria, que fizeram delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR), foram colocados sob sigilo, por Moro, a pedido da defesa. A reportagem teve acesso aos vídeos.

Márcio Faria afirmou que na diretoria de Serviços da Petrobras "quem cuidava disso era seu Pedro Barusco", ex-gerente da estatal. O delator disse que, "normalmente", Barusco levava "o assunto" a outro empreiteiro da Odebrecht Rogério Araújo.

"Isso era repassado para o pessoal de Operações Estruturadas (o 'Departamento de Propina' da empreiteira) que providenciava o pagamento seja em efetivo no Brasil ou no exterior em contas informadas", narrou.

Faria declarou que o Setor de Operações Estruturadas era "liderado pelo sr Hilberto Silva que tinha seus assessores Fernando Migliaccio e Luiz Soares".

O Ministério Público Federal quis saber do delator como eram direcionados os pagamentos.

"Eu não tinha a relação direta com o pessoal Operações Estruturadas. Normalmente eu pedia a César Rocha, que trabalhava comigo, para providenciar", contou.

"A partir do momento em que eu informava, que eu dava o 'de acordo', eu saía do processo."

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