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Paes e Ceciliano trocam farpas em disputa ao governo do Rio

Embate ocorre após anúncio de pré-candidatura de Paes e possível eleição indireta para o governo do estado

Governo do RJ: Eduardo Paes e André Ceciliano trocam farpas após anúncio de pré-candidatura (Reprodução/Redes sociais/-)

Governo do RJ: Eduardo Paes e André Ceciliano trocam farpas após anúncio de pré-candidatura (Reprodução/Redes sociais/-)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 21h00.

Embora as eleições de 2026 estejam marcadas apenas para outubro deste ano, as movimentações para a disputa ao governo do Rio de Janeiro já provocou troca de farpas pública entre o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o ex-deputado estadual André Ceciliano (PT).

O prefeito da capital fluminense anunciou a pré-candidatura na última segunda-feira, 19, e reforçou o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

"Minha decisão é de apoiar a candidatura do presidente Lula, nunca tive dúvida disso", disse.

"O presidente Lula me disse que gostaria de ver a deputada Benedita da Silva de volta ao Senado. Eu disse que seria uma honra, mas que também vou buscar a aliança mais ampla possível. O Rio precisa de união, de força, inclusive com gente que não concorde comigo na eleição presidencial".

Ainda durante o evento, Paes aproveitou para criticar André Ceciliano (PT), secretário de Assuntos Legislativos do Palácio do Planalto e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O político é ventilado como possível candidato do PT ao governo do Rio de Janeiro.

Paes citou Ceciliano indiretamente, ao falar sobre Rodrigo Bacellar (União), deputado estadual e ex-presidente da Alerj que foi preso em dezembro de 2025 pela Polícia Federal (PF) no âmbito da operação Unha e Carne.

A ação foi deflagrada após investigação apontar que políticos da Alerj estariam vazando informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho.

O prefeito fluminense citou Ceciliano ao falar sobre candidaturas que seriam "patrocinadas" por Bacellar:

"É o que me parece do que se especula da candidatura do André Ceciliano, que aliás era o único nome do PT que não tinha declarado voto em mim, e sim no Bacellar para governador".

"Falei ao presidente Lula que tem que tomar muito cuidado", continuou, ao confirmar que se reuniu com o presidente na última semana.

"Como é uma candidatura patrocinada pelo deputado Bacellar, ligado ao Comando Vermelho, o presidente Lula e o PT têm que tomar muito cuidado para não parecer que estão prometendo proteger deputados."

"O padrinho da candidatura do André Ceciliano é o Bacellar. Ceciliano e Bacellar são a mesma coisa. E não serei refém do mesmo grupo do qual o governador Cláudio Castro é refém", disse Paes.

Após as falas do prefeito, André Ceciliano se manifestou em nota enviada ao jornal O Globo para rebater as acusações.

"Em nenhum momento coloquei meu nome como candidato a coisa alguma em 2026, a não ser a deputado estadual, mas percebo na fala nervosinha do prefeito que ele está dando uma importância a mim maior do que eu imaginava", disse.

"Tenho sido procurado por deputados de diferentes matizes ideológicas sobre a possibilidade de disputar essa eleição indireta, mas já disse que esse projeto só fará sentido se, de alguma forma, isso vier a contribuir para a reeleição do presidente Lula no Rio, que precisa de um palanque no estado berço do bolsonarismo."

A disputa no Rio de Janeiro

Nesta eleição, o atual governador Cláudio Castro (PL) não poderá disputar a reeleição por estar em seu segundo mandato.

Além disso, o Tribunal Superior Eleitoral ainda julga a possível cassação do mandato do governador, em processo que deve ser retomado neste ano.

Ainda assim, Castro deve deixar o governo em abril para tentar uma vaga no Senado.

Caso deixe o cargo, uma eleição indireta será realizada, com o governador definido pela Alerj.

Como este ano é eleitoral, o eleito comandará o estado até o fim deste ano. 

Para disputar as eleições, Paes precisa deixar o cargo até 4 de abril, seis meses antes do pleito. No entanto, a expectativa é que ele transmita o cargo ao vice-prefeito, Eduardo Cavaliere (PSD), em 20 de março.

Apesar de Ceciliano ser ventilado como candidato do PT, o vice-presidente da sigla e atual prefeito de Maricá, Washington Quaquá publicou nota no começo de janeiro deste ano afirmando que o partido irá apoiar a candidatura de Paes - antes mesmo do próprio Paes oficializar que iria concorrer.

Segundo a nota do diretório estadual do PT no Rio de Janeiro, o partido "não pode e não irá priorizar candidaturas e projetos individuais em substituição ao projeto coletivo do campo democrático representado pelas candidaturas do Presidente Lula e de Eduardo Paes ao governo do estado". 'Qualquer um que atrapalhe essa aliança joga água no moinho do bolsonarismo", informou a sigla.

Confira a lista completa de possíveis candidatos ao governo do Rio de Janeiro.

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