(Reprodução/Redes sociais)
Colaboradora
Publicado em 3 de outubro de 2026 às 06h01.
O candidato Dr. Daniel Santos (Podemos) chega à reta final da eleição para o governo do Pará como principal adversário de Hana Ghassan (MDB), apoiada pelo grupo político dos Barbalho. Ex-aliado de Helder Barbalho, Daniel construiu sua base eleitoral em Ananindeua, rompeu com o grupo antes das eleições municipais de 2024 e passou a ocupar o espaço de oposição. Na Quaest divulgada em 26 de setembro, Daniel registra 41% das intenções de voto, ante 32% de Hana, enquanto levantamento do Real Time Big Data apresenta cenário diferente, com 37% para Daniel e 44% para a candidata do MDB.
O candidato Dr. Daniel Santos (Podemos) chega à reta final da eleição para o governo do Pará como o principal adversário de Hana Ghassan (MDB), candidata apoiada pelo grupo político dos Barbalho.
A disputa coloca frente a frente dois nomes com trajetórias que já estiveram do mesmo lado: antes de se tornar o principal nome de oposição ao grupo, Daniel foi aliado de Helder Barbalho, então governador do estado, e chegou à Prefeitura de Ananindeua pelo MDB, com apoio do grupo.
Na pesquisa, divulgada em 26 de setembro, Daniel aparece com 41% das intenções de voto, contra 32% de Hana. Em agosto, os dois apareciam tecnicamente empatados, com 28% para Daniel e 27% para Hana.
Outras pesquisas, como a do instituto Real Time Big Data, mostram um cenário diverso: Dr. Daniel tem 37% e Hana, 44%, no primeiro turno estimulado.
A situação acontece em uma eleição na qual Daniel tenta transformar a força eleitoral construída em Ananindeua em uma candidatura de alcance estadual. A cidade foi a base de sua carreira política e também o ponto de partida da relação com o grupo Barbalho.
A carreira política de Daniel começou em 2012, quando foi eleito vereador de Ananindeua pelo PSDB, com 4.445 votos. Em 2016, foi reeleito com 12.675 votos e chegou à presidência da Câmara Municipal.
Dois anos depois, em 2018, deu o salto para a política estadual. Candidato a deputado estadual pelo PSDB, recebeu 113.588 votos e foi o mais votado para a Assembleia Legislativa do Pará. Na Alepa, também chegou à presidência da Casa.
Foi nesse período que Daniel se aproximou do grupo político dos Barbalho. Ele deixou o PSDB e ingressou no MDB, partido pelo qual disputou a Prefeitura de Ananindeua em 2020.
Com apoio de Helder Barbalho, venceu a eleição no primeiro turno, com 152.352 votos, equivalentes a 67,70% dos votos válidos.
Helder Barbalho e Dr. Daniel: políticos foram aliados na eleição de 2020 (Facebook Dr. Daniel/Reprodução)
A vitória consolidou Daniel como uma das principais lideranças políticas da Região Metropolitana de Belém e ampliou sua projeção para além do Legislativo estadual.
O rompimento com o grupo Barbalho, que começou a se desenhar antes da eleição municipal de 2024, quando Daniel deixou o MDB e se filiou ao PSB.
Um dos pontos de conflito foi a sucessão municipal de Ananindeua. Na época, existia uma divergência sobre quem ocuparia a vice na chapa de Daniel para a eleição de 2024. Daniel preferia Ed Wilson, enquanto Helder defendia um nome ligado ao seu grupo. O prefeito acabou deixando o MDB e indicando Ed Wilson como vice.
O rompimento ganhou dimensão eleitoral quando Helder passou a apoiar Antônio Doido, do MDB, contra Daniel na disputa pela Prefeitura de Ananindeua, nas eleições de 2024. Daniel, por sua vez, apoiou Éder Mauro (PL) no segundo turno da eleição para prefeito de Belém, enquanto Helder apoiava Igor Normando (MDB).
A disputa, contudo, não impediu a reeleição de Daniel. Pelo PSB, ele recebeu 229.930 votos em 2024, o equivalente a 83,48% dos votos válidos. Antônio Doido terminou em segundo, com 23.091 votos, ou 8,38%.
Entre as duas eleições municipais, Daniel aumentou sua votação em 77.578 votos, passando de 152.352 em 2020 para 229.930 em 2024.
Para o cientista político André Buna, uma rivalidade interna no partido pode ter separado os caminhos de ambos. Daniel tentou ampliar seu espaço dentro do MDB, mas encontrou resistência da estrutura partidária ligada ao grupo político que comandava a legenda no Pará.
“Ele teve essas 'asinhas cortadas’ porque queria ser prefeito e governador pelo MDB. Contudo, não era o desejo da elite local”, diz.
Após o rompimento, a posição de Daniel passou a ser reinterpretada pelo eleitorado. Para Buna, a identificação também aproximou a disputa estadual do cenário nacional do eleitorado.
“Não foi por escolha dele ou do partido, mas por uma escolha do eleitor. O eleitor resolveu assumir o Dr. Daniel como um opositor ao barbalhismo”, afirma.
E associação entre Hana Ghassan, Helder Barbalho e Lula, segundo Buna, contribuiu para que Daniel fosse identificado por parte desse eleitorado como alternativa ao grupo que governa o Estado.
“Ele obviamente vai surfar e vai se aproveitar dessa vinculação. Que é uma, não vou, é orgânica, mas é uma vinculação intencional. Tanto por parte do candidato, que nunca tentou se afastar dessa vinculação, quanto do eleitorado que trouxe”, diz.
O movimento de abraçar esta narrativa, segundo ele, transformou o rompimento político em um elemento da identidade eleitoral do candidato.
“Isso foi meio que abraçado, inclusive, pelo seu eleitorado, como uma perseguição, inclusive, como um resgate do passado da família Barbalho e do MDBismo no estado”, afirma.
A votação obtida por Daniel nas duas últimas eleições municipais é um dos principais elementos de sua candidatura ao governo.
Em 2020, ainda aliado dos Barbalho e pelo MDB, venceu Ananindeua com 67,70% dos votos válidos. Quatro anos depois, já rompido com o grupo e filiado ao PSB, foi reeleito com 83,48%.
A diferença entre os dois resultados é de 15,78 pontos percentuais. Em votos absolutos, a votação cresceu mais de 50% entre uma eleição e outra.
Além dos números expressivos de Daniel, a esposa, deputada federal Alessandra Haber, também tem um grande eleitorado. Em 2022, Alessandra foi eleita deputada com 258.907 votos, a maior votação entre homens e mulheres no Pará naquele pleito. A marca também fez dela a mulher mais votada da história eleitoral recente do Estado, posto que ela manteve nas eleições de 2024.
A pesquisa Quaest mais recente mostra Daniel com 41% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Hana Ghassan aparece com 32%. Os demais candidatos registram percentuais entre 1% e 2%, e 17% dos entrevistados ainda se declararam indecisos.
Na pesquisa anterior, divulgada em agosto, Daniel tinha 28% e Hana, 27%, com 29% de indecisos. A redução desse grupo e o aumento do percentual atribuído aos dois principais candidatos mostram uma disputa mais definida na reta final da eleição.
Segundo Buna, parte desse movimento está relacionada ao aumento do conhecimento dos candidatos e à redução da indecisão. Ele também identifica um processo de “verticalização” da disputa, em que o cenário nacional passa a influenciar a eleição estadual.
Nesse contexto, Daniel chega à reta final tentando consolidar uma candidatura que nasceu politicamente dentro de uma das principais estruturas de poder do Pará, mas que agora se apresenta justamente como alternativa a ela.
Dr. Daniel Santos é candidato do Podemos ao governo do Pará. Sua carreira eleitoral começou em 2012, como vereador de Ananindeua. Depois, foi deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa do Pará e prefeito de Ananindeua.
Os levantamentos citados na matéria apresentam cenários diferentes. Na Quaest divulgada em 26 de setembro, Daniel aparece com 41% das intenções de voto, contra 32% de Hana Ghassan. Já o Real Time Big Data registra 44% para Hana e 37% para Daniel no primeiro turno estimulado. Pesquisas de institutos diferentes possuem metodologias e amostras próprias e não formam uma mesma série histórica.
Sim. Daniel deixou o PSDB e ingressou no MDB, partido pelo qual disputou a Prefeitura de Ananindeua em 2020 com apoio de Helder Barbalho. Naquela eleição, venceu no primeiro turno com 152.352 votos, equivalentes a 67,70% dos votos válidos.
O rompimento começou a se desenhar antes da eleição municipal de 2024, em meio a divergências sobre a composição da chapa de Daniel em Ananindeua. Ele deixou o MDB e, posteriormente, Helder Barbalho apoiou Antônio Doido contra Daniel na disputa pela prefeitura. Na eleição de Belém, Daniel apoiou Éder Mauro (PL), enquanto Helder apoiou Igor Normando (MDB).
Daniel venceu a Prefeitura de Ananindeua em 2020 com 152.352 votos, ou 67,70% dos votos válidos. Em 2024, foi reeleito com 229.930 votos, equivalentes a 83,48% dos votos válidos. Entre as duas eleições, sua votação aumentou em 77.578 votos.
Ananindeua foi a principal base da trajetória política de Daniel. Foi no município que ele iniciou a carreira como vereador, presidiu a Câmara Municipal e venceu duas eleições para prefeito. Na disputa estadual, um dos desafios de sua candidatura é ampliar para outras regiões do Pará a força eleitoral construída no município.
Após deixar o MDB e romper politicamente com o grupo, Daniel passou a ser identificado por parte do eleitorado como um nome de oposição. Segundo o cientista político André Buna, ouvido pela EXAME, esse posicionamento foi incorporado à identidade eleitoral do candidato na disputa estadual.