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Problema é achar erro no dia a dia, diz presidente do Coaf

Antonio Gustavo Rodrigues afirmou que às vezes é difícil desconfiar de uma operação que tem aparência de normalidade


	Antônio Gustavo Rodrigues: "se eu virar corrupto de um dia para o outro e depositar R$ 10 mil na minha conta, como é que o banco vai descobrir?", questionou
 (Agência Brasil)

Antônio Gustavo Rodrigues: "se eu virar corrupto de um dia para o outro e depositar R$ 10 mil na minha conta, como é que o banco vai descobrir?", questionou (Agência Brasil)

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Da Redação

Publicado em 27 de abril de 2015 às 15h04.

Brasília - Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antonio Gustavo Rodrigues, disse que o sistema de inteligência financeira funciona bem, mas que às vezes é difícil desconfiar de uma operação que tem aparência de normalidade.

"São bilhões de transações que ocorrem todos os dias. Se eu virar corrupto de um dia para o outro e depositar R$ 10 mil na minha conta, como é que o banco vai descobrir? Isso vai chamar a atenção? Pelo meu movimento, não."

Para o presidente do Coaf, a operação Lava Jato trouxe o "aprendizado" das tipologias que estão sendo usadas. "O modus operandi. A forma de trabalhar do cara.

São coisas que você vai pegando e incluindo. Anos atrás tinha uso de cartão pré-pago para fazer saque. Você descobre o fenômeno e conversa com o regulador para evitar que aconteça.

O objetivo dos alertas é que os bancos prestem atenção. Você transmite a vários setores: "Preste atenção a esse tipo de coisa".

Sobre o fato da mulher de João Vaccari, tesoureiro do PT, efetuar saques picados para evitar que o banco comunicasse a operação ao Coaf, o que ocorre em várias investigações, Antonio Gustavo afirma que, no caso dos bancos há uma norma do Banco Central que diz que eles devem comunicar operações acima de R$ 10 mil que sejam suspeitas.

"Devem olhar a situação, a lista de alertas, verificar se é suspeita e comunicar. Não é qualquer operação acima de R$ 10 mil. Tem o valor agregado de o banco conhecer o cliente. Se achar suspeito, comunica. Tem um segundo grupo, que é de natureza automática. No caso dos bancos, qualquer saque ou depósito em espécie acima de R$ 100 mil tem de ser comunicado se houver suspeita ou não. Se forem dois saques de R$ 50 mil, o banco deve perceber isso como tentativa de burla à comunicação automática e considerar como suspeita. O mesmo se o cara fez três saques de R$ 33 mil ou um de R$ 99 mil", diz

Questionado se o criminosos não estariam aproveitando do fato dos bancos não comunicarem ao Coaf sobre operações financeiras abaixo de

R$ 10 mil, Antonio Gustavo afirma que da última vez em que um levantamento foi feito, 20% das notificações recebidas pelo órgão de bancos eram inferiores a R$ 10 mil.

"Se os bancos pegam um cara (com operação suspeita de) R$ 500, R$ 1 mil, eles comunicam. Tem situações em que a comunicação tem valor zero. A pessoa foi lá fazer uma proposta de operação que não se consumou e eles comunicam. Você baixar R$ 1 mil, com o volume de transações que ocorre todo dia? A gente vai ser entupido de informação e perde o foco", avalia.

BC

Para o presidente do Coaf é papel do Banco Central fiscalizar se os bancos estão falhando nas comunicações com o órgão. "São bilhões de transações que ocorrem todos os dias. Depois que o cara é bandido, tudo o que ele fez está errado.

O problema é você descobrir isso no dia a dia. Tem situações que podem envolver funcionário, gerente (do banco), que eventualmente participe de algum esquema.

Pode haver falha do sistema? Pode. Se eu virar corrupto de um dia para o outro e depositar R$ 10 mil na minha conta, como é que o banco vai descobrir?

Isso vai chamar a atenção? Pelo meu movimento, não. Depois que eu virar corrupto famoso, todo mundo vai dizer: "O banco não comunicou". O banco tem cliente de baixo risco. Se esse cara sai do trilho, vai ser muito mais difícil de ele pegar" diz.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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