Eleições e Copa: Mundial anestesiou o engajamento da corrida eleitoral nas redes (Freepik IA/EXAME)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 4 de julho de 2026 às 10h49.
A Copa do Mundo de 2026 não diminuiu o número de publicações sobre as eleições de 2026 nas redes sociais, mas reduziu a atenção dos usuários ao tema, segundo levantamento da Datrix, realizado a pedido da EXAME.
O estudo comparou dois períodos de três semanas: entre 21 de maio e 10 de junho, antes da abertura da Copa, e entre 11 de junho e 1º de julho, já com o Mundial em andamento.
Que horas será Brasil x Noruega neste domingo? Fifa toma decisão sobre o confrontoNesse período, as interações — indicador que mede curtidas, comentários, compartilhamentos e outras formas de participação dos usuários — com conteúdos sobre a Copa cresceram 947%, passando de 6,99 bilhões para 73,2 bilhões. Já o conteúdo político perdeu 55,3% do engajamento, com as interações caindo de 44,62 bilhões para 19,94 bilhões.
Segundo João Paulo Castro, CEO da Datrix, os números mostram que o fenômeno não representa um desaparecimento das discussões políticas, mas uma mudança temporária na atenção do público.
"O volume de conteúdo político nas redes segue relativamente estável. Candidatos, veículos de comunicação e formadores de opinião continuam publicando em ritmo semelhante. O que mudou foi o interesse dos usuários", afirma Castro.
Em volume de publicações, a retração sobre a corrida eleitoral foi bem mais moderada. As menções relacionadas às eleições passaram de 13,55 milhões para 9,15 milhões entre os dois períodos analisados, uma queda de 32,5%. No mesmo intervalo, o conteúdo sobre a Copa mais que dobrou, ao saltar de 1,95 milhão para 4,42 milhões de publicações, alta de 126%.
O mesmo comportamento aparece nas impressões, métrica que estima o potencial de visualizações dos conteúdos publicados. Enquanto as postagens sobre política recuaram apenas 4,9%, de 362,85 bilhões para 345,19 bilhões de impressões, os conteúdos ligados ao Mundial avançaram 104%, chegando a 682,86 bilhões.
Os dados mostram que, mesmo com acontecimentos recentes, como a crise entre Michelle Bolsonaro (PL) e Flávio Bolsonaro (PL), a operação da Polícia Federal (PF) contra Jaques Wagner (PT), ex-líder do governo no Senado, e o impasse sobre a votação da escala 6x1, a política está em segundo plano no momento.
Essa mudança também aparece na participação de cada tema no total de interações monitoradas, o chamado share of voice. Antes do início da Copa, a política concentrava 86,5% das interações do ecossistema analisado, contra 13,5% da Copa. Durante a fase de grupos, o cenário se inverteu: a política passou a responder por 21,4% das interações, enquanto o Mundial concentrou 78,6%.
É uma queda de 65,1 pontos percentuais na participação da política — uma inversão completa de protagonismo. Em volume de publicações, o movimento existe, mas é bem mais brando (de 87,4% para 67,4% de participação da política, -20 p.p.), o que reforça que o fenômeno não é de silenciamento, e sim de desengajamento, segundo Castro.
Para o levantamento, a Datrix monitorou publicações em português nas principais redes sociais. No grupo de política, foram considerados termos relacionados às eleições de 2026, nomes de pré-candidatos e temas da corrida presidencial. Já o universo da Copa reuniu referências ao Mundial de 2026, à seleção brasileira, jogadores convocados, atletas de outras seleções e hashtags oficiais do torneio.