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Apoio à punição de adolescentes como adultos sobe para 70%, aponta Datafolha

Levantamento mostra aumento da parcela favorável à equiparação das penas nos últimos quatro anos; maioria também defende a proibição do uso de drogas

Datafolha: em 2022, 65% defendiam que adolescentes respondessem como adultos (Darrin Klimek/Getty Images)

Datafolha: em 2022, 65% defendiam que adolescentes respondessem como adultos (Darrin Klimek/Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 4 de julho de 2026 às 14h32.

Última atualização em 4 de julho de 2026 às 14h33.

Sete em cada dez brasileiros acreditam que adolescentes que cometem crimes devem receber punições semelhantes às aplicadas a adultos. É o que mostra uma pesquisa Datafolha, segundo a qual 70% dos entrevistados defendem esse modelo, enquanto 27% consideram que a reeducação é a resposta mais adequada. Outros 3% não souberam opinar.

O apoio à punição mais rígida cresceu desde o último levantamento realizado pelo instituto. Em 2022, 65% defendiam que adolescentes respondessem como adultos, enquanto 34% eram favoráveis à reeducação.

Os dados são divulgados em um momento em que a discussão sobre a maioridade penal voltou ao centro do debate político. Um projeto de lei sobre o tema foi apresentado neste ano na Câmara dos Deputados, aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e aguarda a instalação da comissão que analisará o mérito da proposta.

Diferenças entre grupos

A pesquisa mostra que o apoio à punição equivalente à de adultos é maior entre os evangélicos: 75% compartilham dessa opinião. Entre os católicos, o índice é de 72%.

Já a alternativa da reeducação reúne apoio de 24% dos evangélicos e de 25% dos católicos.

No recorte por intenção de voto para a Presidência, 61% dos eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem a punição de adolescentes como adultos, enquanto 37% preferem medidas voltadas à reeducação.

Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), o apoio à punição é ainda maior: 81% são favoráveis à equiparação das penas, contra 17% que optam pela reeducação.

Maioria também rejeita liberação das drogas

O levantamento também investigou a percepção dos brasileiros sobre a política de drogas.

Segundo o Datafolha, 85% concordam com a afirmação de que o uso de drogas deve ser proibido porque seus efeitos atingem toda a sociedade.

Já 13% entendem que o consumo não deveria ser proibido, por considerarem que as consequências recaem principalmente sobre o próprio usuário. Outros 2% não responderam.

Como foi feita a pesquisa

As perguntas integram o bloco sobre comportamento da pesquisa de matriz ideológica do Datafolha, que aborda temas como criminalidade, drogas, pobreza, armas, migração, pena de morte, religião, sindicatos e responsabilização de adolescentes.

Embora o questionário utilize a expressão "adolescentes que cometem crimes", a legislação brasileira classifica essas condutas como atos infracionais quando praticadas por menores de 18 anos.

O levantamento foi realizado entre os dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros.

*Com informações de O Globo

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