No Planalto, clima é de desânimo após resultado do Datafolha; 8 pontos explicam reprovação recorde
Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a última sexta-feira, 14, enumerando os problemas do governo para melhorar situação para as eleições de 2026


Repórter especial de Macroeconomia
Publicado em 16 de fevereiro de 2025 às 06h00.
Última atualização em 16 de fevereiro de 2025 às 10h36.
O resultado da pesquisa Datafolha, na qual apenas 24% dos eleitores consideraram o governo do presidenteLuiz Inácio Lula da Silvaótimo ou bom, levou a um clima de desânimo no Palácio do Planalto.
Na última sexta-feira, 14, após a divulgação dos dados que mostram que a pior aprovação de Lula chega próximo à do ex-presidenteJair Bolsonaro, os auxiliares do petista passaram o restante do dia enumerando os principais problemas do terceiro mandato do chefe do Executivo.
"O fato é que nunca antes na história da política recente, o PT teve menos de um terço do eleitorado. O resultado mostra que se não houver uma guinada, o governo acabou precocemente", resumiu um auxiliar de Lula.
Sem essa guinada, a avaliação entre membros da equipe é de que Lula pode deixar ser candidato a reeleição em 2026 caso a popularidade não melhore até o fim deste ano.
O grupo que fez o exercício encontrou oito pontos que detalham os erros e problemas da gestão.Os oito pontos da queda na aprovação de Lula
1. O eleitor esperava mais do governo: a falta de uma marca decepcionou, principalmente o eleitor pobre do Nordeste.
Na avaliação dos auxiliares de Lula, ressuscitar os velhos programas não traz resultado positivo porque, no inconsciente popular, eles passaram a ser obrigação.
2. Crises do Pix e do preço dos alimentos: a repercussão negativa das crises do Pix e do aumento do preço dos alimentos foi colocada na conta de Lula pela opinião popular.
Especialmente porque o aumento do nível de emprego não significou melhores salários. A criação de postos de trabalho se concentra em vagas de salário mínimo -- e quem ganha menos gasta mais na proporção de sua renda para comer.
3. Insatisfação da classe média: assim como os mais pobres, a classe média não tem percebido uma melhora econômica e também é afetada pela inflação, que reduz o poder de compra.
O excesso de medidas para ampliar a arrecadação do governo também preocupa a classe média, na avaliaçãode auxiliares do presidente. O temor de taxação do Pix é um exemplo que sintetiza esse sentimento, apontam.
Além do custo dos alimentos, os preços dos combustíveis pesam na avaliação negativa desse extrato populacional.
4. A comunicação ruim do governo: a avaliação entre auxiliares de Lula é de que o presidente mantém o discurso de fomentar o antagonismo entre o patrão e o trabalhador, enquanto o brasileiro passou a ter outros anseios.
5. O governo perde de goleada nas redes sociais: enquanto a direita dominou as redes sociais, o governo não sabe como navegar nesse "mar digital".
A falta de estratégia e coordenação das diversas áreas leva a ações fragmentadas e sem forças para dialogar com o público que está nas redes sociais.
6. A relação de Lula com a classe política piorou: entre os assessores do presidente, a avaliação é de que Lula não evoluiu e acha que pode fazer política como nos dois primeiros mandatos, quando a liberação de emendas garantia a votação das pautas de interesse do governo.
Além disso, o petista não tem se reunido com deputados e senadores na mesma intensidade com que fazia nos mandatos anteriores.
7. Ministros palacianos enfraquecidos: para assessores de Lula, falta no Palácio do Planalto alguém que tenha proximidade com o presidente para dizer "algumas verdades" a ele como faziam José Dirceu, Luiz Gushiken, José Genoino ou Antonio Palocci em seus outros mandatos.
8. A equipe de ministros é fraca: Com exceção do ministro dos Transportes, Renan Filho, considerado um "tocador" de obras, e do ministro da Educação, Camilo Santana, que criou o programa pé de meia, a avaliação é de que a equipe de ministros não entrega resultados satisfatórios para alavancar a popularidade de Lula.