Estagiária de jornalismo
Publicado em 22 de setembro de 2026 às 10h28.
Morreu nesta terça-feira, 22, aos 95 anos, o jornalista e escritor Zuenir Ventura, um dos nomes mais importantes da imprensa brasileira e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele estava em casa, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela ABL.
Ao longo de décadas de carreira, Zuenir se dedicou a temas centrais da sociedade brasileira, como a ditadura militar, a violência urbana e a exploração da Amazônia. Também ficou marcado pela atuação na defesa dos direitos humanos.
Entre seus trabalhos mais conhecidos está “1968 - O Ano que não Terminou”, publicado em 1989, sobre a juventude e a turbulência política e cultural daquele período. O livro posteriormente inspirou a minissérie “Anos Rebeldes”, da TV Globo.
Outro marco foi “Cidade Partida”, de 1994, escrito depois que o jornalista acompanhou a rotina de moradores de Vigário Geral, no Rio, nos meses seguintes à chacina ocorrida na comunidade. A obra ficou em segundo lugar na categoria reportagem do Prêmio Jabuti de 1995.
Zuenir Carlos Ventura nasceu em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, Minas Gerais. Mudou-se ainda criança para Nova Friburgo e depois foi para o Rio, onde estudou Letras Neolatinas na atual UFRJ, tendo entre seus professores Manuel Bandeira e Alceu Amoroso Lima.
Começou no jornalismo na Tribuna da Imprensa, como arquivista, e passou por veículos como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Fatos e Fotos, Visão, Veja, Isto É e Jornal do Brasil. Também foi colunista de O Globo e professor de Comunicação Verbal.
Em 1989, recebeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog pela série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, publicada no Jornal do Brasil. Em 2008, dividiu o Troféu Especial de Imprensa ONU com outros jornalistas pelo trabalho de destaque na defesa dos direitos humanos.
Durante a ditadura, Zuenir e sua mulher, a jornalista Mary Akiersztein, foram presos em 1968 e levados ao Dops do Rio. Ele permaneceu detido por três meses.
Em 2014, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira que havia pertencido a Ariano Suassuna. Tomou posse no ano seguinte.
Além de “1968 - O Ano que não Terminou” e “Cidade Partida”, publicou obras como “Minhas Histórias dos Outros”, “Chico Mendes: Crime e Castigo” e “Sagrada Família”. Zuenir deixa a mulher, Mary, os filhos Elisa e Mauro e os netos Alice e Eric.