'Crime Sem Castigo': obra de Juliana Dal Piva foi escolhida como vencedora na categoria Comunicação e Informação; prêmio teve 2.085 inscrições em 2026 (Secretaria de Estado da Cultura/SP/Divulgação)
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Publicado em 14 de agosto de 2026 às 11h13.
O caso Rubens Paiva, que voltou ao centro das atenções com o sucesso de "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, ganhou um novo reconhecimento no campo editorial. O livro "Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva", da jornalista Juliana Dal Piva, venceu o Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 na categoria Comunicação e Informação.
O anúncio aconteceu na noite desta terça-feira, 11, durante a cerimônia da terceira edição da premiação, realizada no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Ao todo, o Jabuti Acadêmico recebeu 2.085 inscrições neste ano e premiou 27 categorias.
Publicado pela Matrix, o livro reconstrói as investigações sobre a prisão, o desaparecimento e o assassinato de Rubens Paiva, ex-deputado federal levado de sua casa no Rio de Janeiro por militares em 20 de janeiro de 1971.
A obra é uma adaptação da dissertação de mestrado apresentada por Juliana Dal Piva em 2016, no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getulio Vargas. O trabalho acompanha as investigações que levaram à identificação dos responsáveis pelo crime décadas depois.
O livro também aborda a atuação da ditadura militar para dificultar o esclarecimento do caso. Entre os documentos apresentados está um registro encontrado no acervo do Serviço Nacional de Informações (SNI), no Arquivo Nacional, que listava Rubens Paiva como morto em 1977, enquanto o regime continuava sustentando uma versão falsa sobre seu desaparecimento.
O livro reúne milhares de páginas de documentos sobre as investigações realizadas desde 1971 para esclarecer o desaparecimento do ex-deputado. A obra também mostra como a ditadura acompanhou de perto os passos de pessoas que tentavam desvendar o caso, criando obstáculos para impedir que a verdade viesse à tona.
Em 2014, o grupo de Justiça de Transição do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro concluiu as investigações e apontou cinco militares como responsáveis pelo assassinato de Rubens Paiva.
Capa do livro "Crime Sem Castigo: como os militares mataram Rubens Paiva", de Juliana dal Piva
O Jabuti Acadêmico é dedicado a obras científicas, técnicas e profissionais. Cada vencedor recebeu uma estatueta e R$ 5 mil, enquanto as editoras das obras premiadas também foram contempladas com uma estatueta.
Na categoria Economia, o vencedor foi "A loteria do nascimento: filha do porteiro termina universidade, mas não alcança filho do rico", de Fillipi Nascimento e Michael França. Em Direito, o prêmio ficou com "A democracia e o direito depois da pandemia", de José Eduardo Faria.
Em Ciências da Religião e Teologia, "Brasil africano: orixás, sacerdotes, seguidores", do sociólogo Reginaldo Prandi. Em História e Arqueologia, venceu "Sinhás pretas, damas mercadoras: as pretas-minas nas cidades do Rio de Janeiro e de São João Del Rey (1700-1850)", de Sheila de Castro Faria. Já em Letras, Linguística e Estudos Literários, o premiado foi "Presente do acaso: um ensaio biográfico sobre Silviano Santiago", de João Pombo Barile.
Entre os prêmios especiais, "Cosmologias e cosmopolíticas afropindorâmicas", de Alan Alves-Brito, venceu Divulgação Científica. A categoria Ilustração e Infografia ficou com "Amigos da Ciência 2: história do nosso planeta", de Carlos Ruas, Gui Bon, Heitor de Sá Oliveira e Júlio Lacerda. Em Tradução, o vencedor foi "A face leste do Hélicon", de Pedro Barbieri.
A terceira edição também homenageou o físico José Goldemberg como Personalidade Acadêmica do Ano. Com mais de sete décadas de atuação, o pesquisador tem trabalhos nas áreas de física, energia, meio ambiente e educação.
O título de Livro Acadêmico Clássico 2026 foi concedido a "História das mulheres no Brasil", de Mary Del Priore. A partir desta edição, a categoria passou a exigir um intervalo mínimo de 15 anos entre a publicação da primeira edição e a inscrição da obra.
Criado em 2024, o Prêmio Jabuti Acadêmico reconhece obras das áreas científica, técnica e profissional, com a proposta de valorizar a excelência editorial e dar maior visibilidade a autores e editoras que atuam nesses segmentos.