Brasil

Mercado ilegal bate recorde no Brasil e chega a R$ 514 bilhões, diz relatório

O estado de São Paulo lidera o ranking nacional de prejuízos, com R$ 205,6 bilhões, pouco mais de 40% de todo o mercado irregular do país

Entre os setores mais afetados pela concorrência ilegal, o destaque é o segmento de bebidas alcoólicas, com prejuízo de R$ 89,5 bilhões (Divulgação/PMDF)

Entre os setores mais afetados pela concorrência ilegal, o destaque é o segmento de bebidas alcoólicas, com prejuízo de R$ 89,5 bilhões (Divulgação/PMDF)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 27 de maio de 2026 às 15h07.

Última atualização em 27 de maio de 2026 às 15h25.

O mercado ilegal no Brasil, que reúne falsificação, contrabando e pirataria, provocou perdas superiores a R$ 514 bilhões em 2025, segundo dados do Anuário da Falsificação 2026, da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).

O valor representa um crescimento de 8% em relação ao ano anterior e consolida um novo recorde de prejuízo para empresas e cofres públicos. Em dólar, as perdas chegaram a US$ 102,8 bilhões, alta de 19% no período.

Bebidas, combustíveis e vestuário lideram perdas

Entre os setores mais afetados pela concorrência ilegal, o destaque é o segmento de bebidas alcoólicas, com prejuízo de R$ 89,5 bilhões em 2025.

Na sequência aparecem:

  • Combustíveis: até R$ 61,5 bilhões
  • Vestuário: R$ 55 bilhões
  • Material esportivo: R$ 32 bilhões
  • Perfumaria: R$ 22,8 bilhões
  • Medicamentos: R$ 16,8 bilhões
  • Defensivos agrícolas: R$ 22 bilhões

Esses setores concentram grande parte da atividade ilícita devido à alta demanda e à possibilidade de adulteração ou falsificação pelo crime organizado, segundo a ABCF.

Bilhões na economia paralela

O relatório aponta que organizações criminosas movimentaram cerca de R$ 140 bilhões em esquemas ilícitos ligados ao mercado ilegal.

Somente em 2025, a Polícia Federal apreendeu R$ 9,6 bilhões em ativos ligados a esses grupos.

No setor de tabaco, por exemplo:

  • 30% a 31% dos cigarros consumidos no país são ilegais
  • A evasão fiscal ultrapassa R$ 11 bilhões por ano

São Paulo concentra maior impacto econômico

O estado de São Paulo lidera o ranking nacional de prejuízos, com R$ 205,6 bilhões, o equivalente a cerca de 40% de todo o mercado ilegal do país.

Na sequência aparecem:

  • Paraná: R$ 71,96 bilhões
  • Rio Grande do Sul: R$ 51,4 bilhões
  • Rio de Janeiro: R$ 35,98 bilhões
  • Minas Gerais: R$ 30,84 bilhões

Fiscalização aumenta, mas não freia avanço do problema

Em 2025, foram realizadas 1.928 operações de fiscalização contra produtos irregulares, aumento de 12% em relação ao ano anterior.

Entre os principais alvos das ações estão:

  • Bebidas: 503 operações
  • Cigarros: 314
  • Autopeças: 219
  • Roupas: 128
  • Medicamentos: 122

Apesar da intensificação, o volume de apreensões ainda é considerado baixo diante da escala do mercado ilegal.

Mercado ilegal de bebidas preocupa autoridades

O setor de bebidas é um dos mais críticos. Estima-se que 36% das bebidas consumidas no Brasil são ilegais. Foram apreendidos 15 milhões de litros em São Paulo em 2025. O número de fábricas clandestinas saltou de 12 em 2020 para 80 em 2024.

O cenário ganhou novos contornos com a crise do metanol, que resultou em 22 mortes confirmadas por intoxicação entre 2025 e 2026.

Medicamentos falsificados e vendas online ampliam riscos

O mercado ilegal de medicamentos movimenta R$ 16,8 bilhões por ano no Brasil e já representa cerca de 20% do setor. 

As comercializações de canetas emagrecedoras pela internet aumentaram 358%, movimentando cerca de R$ 2,8 bilhões. Esse ambiente também ampliou a exposição a fraudes, com aumento de 14% nos golpes envolvendo esses produtos em 2025.  As apreensões saltaram desse tipo de produto saltaram de 609 unidades (2024) para 60.787 (2025)

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