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Mendonça atende pedido da PF e prorroga inquérito do caso Master por 60 dias

Solicitação foi encaminhada pela Polícia Federal na terça-feira, 17, para garantir mais tempo para o avanço das apurações

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 18 de março de 2026 às 15h17.

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta quarta-feira, 18, a ampliação por 60 dias do inquérito relacionado ao caso Master. A decisão ocorre após solicitação da Polícia Federal (PF) para continuidade das investigações.

O pedido foi encaminhado pela Polícia Federal na terça-feira, 17, para garantir mais tempo para o avanço das apurações.

"Considerando-se as razões apresentadas pela autoridade de polícia judiciária federal no e-Doc. 524, defiro o pedido, prorrogando o inquérito por mais 60 (sessenta) dias", disse Mendonça, no despacho.

Na decisão, o ministro registrou que a corporação apontou a necessidade de novas etapas investigativas.

"A Polícia Federal requer nova prorrogação de prazo para a realização de diligências reputadas imprescindíveis para o esclarecimento dos fatos".

Com a medida, o inquérito segue em curso por mais 60 dias sob responsabilidade da Polícia Federal.

Prisão de Daniel Vorcaro

No início de março, Mendonça autorizou a transferência do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e de outros três investigados na terceira fase da operação Compliance Zero para unidades do sistema penitenciário em São Paulo. Dias depois, o banqueiro foi encaminhado à Penitenciária Federal de Brasília.

A prisão de Vorcaro foi decretada após indícios de que a atuação criminosa do grupo não teria cessado mesmo após medidas anteriores. Para o juiz responsável, havia risco concreto à integridade de autoridades envolvidas na apuração.

A Polícia Federal afirma que o grupo tentava influenciar a opinião pública contra agentes do Estado e que a estrutura de intimidação permanecia ativa.

Segundo a acusação citada no processo, o controlador do Banco Master lideraria uma estrutura dividida em quatro frentes: financeira, corrupção institucional, ocultação patrimonial e um núcleo voltado à intimidação e interferência em apurações.

A investigação aponta que o Banco Master teria adotado uma estratégia de captação de recursos por meio da emissão de CDBs com rentabilidade muito acima da média do mercado.

O dinheiro captado seria direcionado a operações de alto risco, ativos de baixa liquidez e fundos ligados ao próprio conglomerado.

De acordo com a Polícia Federal, o modelo expunha investidores e poderia configurar gestão fraudulenta e indução ao erro. A apuração também aponta que parte da estrutura financeira teria sido usada para ocultar recursos e viabilizar pagamentos indevidos.

Quem foi preso na operação da PF?

  • Daniel Vorcaro, apontado como líder da organização criminosa;
  • Fabiano Zettel, investigado por realizar pagamentos e orientar núcleo de intimidação;
  • Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado suspeito de participação no monitoramento de adversários;
  • Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, apontado como integrante do grupo denominado “A Turma”.

Núcleo de intimidação

A decisão que autorizou a prisão destaca um ponto considerado determinante: a existência de um grupo informal conhecido como “A Turma”, responsável por monitorar, intimidar e coletar informações sobre pessoas vistas como ameaça aos interesses do grupo.

Também foram apontados indícios de que o grupo contratado por Vorcaro teria obtido acesso a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais como a Interpol, organização internacional de cooperação policial.

Segundo os investigadores, esse núcleo atuava para:

  • Monitorar jornalistas, ex-funcionários e concorrentes;
  • Obter dados sigilosos por meio de acessos indevidos a sistemas restritos;
  • Pressionar pessoas consideradas críticas ao banco;
  • Tentar remover conteúdos negativos na internet.

Mensagens atribuídas a Vorcaro mostram pedidos para “levantar tudo” sobre determinados alvos e sugestões de intimidação. Em conversas analisadas, há menções a agressões físicas contra um jornalista, inclusive com a ideia de simular um assalto.

“Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”, diz Vorcaro em uma das mensagens, após se incomodar com matérias do jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.

“Esse Lauro, quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. Mourão responde estar “em cima de todos os links negativos” e que vão “derrubar todos e vamos soltar positivas”.

Para a Polícia Federal, os diálogos indicam intenção de intimidar a imprensa e até simular um episódio de violência para silenciar as possíveis críticas.

Em nota, o jornal afirmou "repudiar veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país". No comunicado, O Globo disse que os jornalistas não se intimidarão com as ameaças e devem seguir cobrindo o caso.

Em outra situação, Vorcaro reclama sobre uma empregada que estaria o ameaçando. "Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda (sic)”. Mourão questiona sobre qual providência tomar e Vorcaro pede que ele "puxe" o endereço da funcionária.

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