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Lula pede a Trump assento para a Palestina em Conselho da Paz dos EUA

Em conversa de 50 minutos, presidente brasileiro propôs limites ao órgão sugerido pelos EUA e reforçou pedido de reforma do Conselho de Segurança da ONU

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 13h57.

Última atualização em 26 de janeiro de 2026 às 14h04.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu para o presidente americano Donald Trump que a Palestina tenha um assento formal no Conselho da Paz sugerido pelos Estados Unidos para tratar do conflito na Faixa de Gaza.

Durante a conversa, Lula propôs também que a atuação do grupo se restrinja à situação em Gaza.

O petista reiterou a necessidade de uma reforma estrutural da Organização das Nações Unidas, com foco na ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança.

Os presidentes conversaram por telefone nesta segunda-feira, 26, em ligação que durou cerca de cinquenta minutos, segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto.

No lançamento oficial do Conselho durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, Trump afirmou que o grupo conta com apoio de dezenas de líderes mundiais e pode funcionar como uma alternativa à Organização das Nações Unidas (ONU).

O presidente brasileiro foi convidado para fazer parte do Conselho, mas não sinalizou se aceitou ou não a proposta americana.

O estatuto do Conselho afirma que sua missão é “promover a estabilidade, restabelecer uma governança confiável e legítima e garantir uma paz duradoura” em regiões afetadas por conflitos, ao mesmo tempo em que critica “instituições e enfoques que falharam repetidamente”, em referência indireta à ONU.

Até agora, cerca de 35 dirigentes já concordaram em apoiar a iniciativa.

Além de tratar do Conselho, o Planalto informou ainda que a visita de Lula a Washington será marcada após o fim de sua agenda internacional na Ásia em fevereiro. A Casa Branca ainda não divulgou comunicado oficial sobre o teor da ligação.

Venezuela

Os dois presidentes ainda falaram sobre a situação da Venezuela. No início do mês, os Estados Unidos realizaram uma operação no país sul-americano e capturaram o então presidente Nicolás Maduro.

Na ligação, Lula destacou a necessidade de preservar a paz e a estabilidade na Venezuela. Segundo o presidente brasileiro, a solução para a crise política no país vizinho deve priorizar o bem-estar da população venezuelana, evitando rupturas institucionais e incentivando a retomada do diálogo interno.

Combate ao crime organizado

A ligação também tratou do combate ao crime organizado e da repressão a fluxos financeiros ilícitos.

O Planalto afirma que Lula reiterou proposta enviada ao Departamento de Estado norte-americano em dezembro para ampliar a cooperação com os EUA no enfrentamento à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas.

A medida inclui ainda o congelamento de ativos de organizações criminosas e o intercâmbio de dados sobre transações financeiras. Segundo o governo, a iniciativa foi bem recebida por Trump.

Fim das tarifas

Além disso, os presidentes discutiram a redução de tarifas a produtos brasileiros. Lula e Trump “saudaram o bom relacionamento” construído nos últimos meses, que resultou na retirada de parte significativa das barreiras comerciais.

Ambos trocaram informações sobre indicadores macroeconômicos que, segundo a nota oficial, mostram perspectivas positivas para as duas economias. Trump afirmou que o crescimento de Brasil e Estados Unidos é benéfico para toda a região.

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