Lula: avaliação de CEO da AtlasIntel é que petista deve perder até cinco pontos na região (Ricardo Stuckert/Flickr)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 28 de setembro de 2026 às 07h01.
O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tende a ter um desempenho inferior no Nordeste em comparação com a eleição anterior. Segundo ele, a eventual redução da vantagem na região pode ser compensada por uma melhora no Sudeste, onde pequenas oscilações têm peso maior pelo tamanho do eleitorado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ter um desempenho pior no Nordeste nesta eleição em comparação com o ciclo anterior, segundo avaliação de Andrei Roman, CEO da AtlasIntel.
Para Roman, a diferença reduzida entre Lula e Flávio Bolsonaro torna a disputa dependente de pequenas variações regionais, especialmente nos estados do Sudeste.Em entrevista ao programa Eleições em Pauta, da EXAME, Roman afirmou que os levantamentos eleitorais indicam um padrão comum: uma redução da vantagem de Lula no Nordeste e uma melhora relativa do desempenho do presidente no Sudeste em comparação com a eleição anterior.
“Tudo indica que o Lula terá um desempenho muito pior no Nordeste dessa vez”, afirmou Roman. Segundo ele, em alguns estados da região, a diferença em relação ao pleito anterior poderia chegar a cerca de cinco pontos percentuais, de acordo com sua análise dos cenários eleitorais.
Historicamente, candidatos petistas registram percentuais próximos de 70% na região. Em 2022, Lula registrou 69% dos votos válidos entre eleitores nordestinos.
Segundo Roman, uma eventual perda de parte do apoio no Nordeste não precisa ser compensada na mesma proporção no Sudeste porque a região concentra um eleitorado maior. Só nos três maiores colégios eleitorais estão 40% dos eleitores brasileiros.
“Como o tamanho do Sudeste é maior do que o do Nordeste, ele não precisa subir cinco pontos em São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. Ele pode subir três pontos, por exemplo, apenas. E isso já compensa a queda no Nordeste”, afirmou.
A avaliação do CEO da AtlasIntel considera a distribuição regional do eleitorado brasileiro. O Nordeste historicamente representa uma das principais bases eleitorais de Lula, enquanto o Sudeste concentra o maior contingente de eleitores do país.
Segundo Roman, a diferença inferior a um ponto percentual entre Lula e Flávio Bolsonaro nos cenários de segundo turno faz com que “qualquer estado” possa influenciar o resultado da eleição.Roman relacionou a mudança no cenário nordestino a uma avaliação de que o governo Lula enfrenta dificuldades para ampliar apoio em alguns segmentos do eleitorado.
Ele citou fatores como mudanças na relação dos eleitores com programas sociais e uma alteração no perfil político de grupos como jovens e parte da classe média baixa.
Segundo Roman, o desafio para o governo seria transformar ações administrativas em uma conexão política mais ampla com esses segmentos.
“Nesses segmentos, o Lula, ao longo desse mandato, não conseguiu formular, em termos de retórica política, uma proposta que realmente fosse angariar apoio”, afirmou.
Na entrevista, Roman afirmou que o movimento da campanha de Lula de concentrar agendas no Sudeste é coerente com a dinâmica apontada pelas pesquisas.
“Faz bastante sentido esse foco da campanha do Lula aqui no Sudeste na reta final”, disse.
Segundo ele, a região será importante porque uma pequena variação no desempenho dos candidatos pode alterar o equilíbrio nacional em uma disputa apertada.
Roman afirmou que a eleição deve ser definida pela capacidade dos candidatos de converter suas vantagens regionais em votos no resultado nacional.O CEO da AtlasIntel afirmou que “tudo indica” que Lula terá desempenho pior no Nordeste em comparação com a eleição anterior.
Não. A declaração de Roman se refere a uma redução da vantagem de Lula na região, segundo a análise dele dos cenários eleitorais.
Segundo ele, o Sudeste possui um eleitorado maior e pequenas mudanças de desempenho na região podem compensar variações em outras áreas do país.
Roman avaliou que uma eventual redução da vantagem de Lula no Nordeste poderia ser compensada por melhora de desempenho no Sudeste, onde há mais eleitores.