Lessa nega orientações do governo durante gestão no BNDES

Ex-presidente do banco negou, em depoimento à CPI, as acusações de influências políticas nas decisões internas da instituição

Brasília - Em depoimento hoje (10) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que analisa os empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o ex-presidente da instituição, Carlos Lessa, que ocupou o cargo entre janeiro de 2003 a novembro de 2004, disse que, dentro do banco, sempre houve o compromisso de seguir as normas para fazer operações. “Ingerências políticas podem acontecer na ponta do sistema”, afirmou.

Assim como todos os ex-dirigentes, que estão sendo ouvidos pelo colegiado, que negaram influências políticas nas decisões internas da instituição, Carlos Lessa disse que, se isto acontece, pode ser “até no nível microscópico”.

“Porém, no banco, tínhamos como postura de favorecer ao máximo as operações dentro das normas estabelecidas”, afirmou.

Depondo como testemunha, ele disse que, nos dois anos de comando do banco, não foi pressionado por ninguém, e minimizou possíveis tentativas de interferência no período em que declarou “diferenças” em relação ao ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que tinha assento no conselho administrativo da instituição.

“As operações são de total responsabilidade do presidente e diretores do banco. Não posso acatar orientações de contra instância que não sejam do procedimento interno. Eu nunca dei um não ao ministro, mas também nunca dei um sim”, afirmou.

Lessa destacou que, como presidente do conselho de administração, o ministro poderia sugerir qualquer alteração sobre procedimentos administrativos, mas não teria como interferir nas decisões sobre operações.

O economista ainda disse que era preocupação do BNDES ampliar o alcance das operações. Lembrou que estudos sobre o acesso para pequenos e médios empresários resultaram no Cartão BNDES, criado ainda durante sua gestão.

“A ideia era dar acesso a fundos para pequenas e médias empresas. Tinhamos que operar através da [então existente] rede de bancos de desenvolvimento. Pegamos todos os bancos privados e uma das preocupações era que não tivesse condição lateral para empresário. Tendo o cartão poderia operar à vontade”, explicou.

Quanto aos critérios adotados pelo banco em relação aos empréstimos concedidos, o economista disse que os financiamentos do BNDES são de longo prazo, e alertou que “a visão de futuro não emana de uma política de austeridade”.

Sobre a evolução das operações no exterior, Lessa avaliou que “não houve modificações significativas” na transição entre os últimos governos, e o BNDES passou a dar importância aos financiamentos com foco no mercado externo.

Ele citou, como exemplo, os financiamentos concedidos à Embraer para a produção de aeronaves para outros países.

“É uma empresa bem-sucedida que começou em São José dos Campos e o BNDES, desde primeiro momento, acompanhou. A Embraer abriu caminho, mas para abrir caminho precisava de financiamento a longo prazo. É um crédito de longuíssimo prazo. Quando assumi a presidência [do banco], eles devem ter firmado uns 300 contratos. Produzem equipamento de altíssima tecnologia com uma importante variável interna”, disse, ressaltando que o crescimento da Embraer gerou qualificação e emprego da mão de obra brasileira, e lembrando que o BNDES concedeu empréstimos à empresa e aos compradores no exterior.

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