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Hana Ghassan consegue construir identidade própria ou ainda é vista como sucessora de Helder?

Cientista política avalia que a campanha busca associar candidata à gestão de Helder, mas também apresentar uma imagem ligada a cuidado, gestão e presença no interior

Gabi Gutierrez
Gabi Gutierrez

Colaboradora

Publicado em 3 de outubro de 2026 às 06h01.

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RESUMO +

A campanha de Hana Ghassan (MDB) ao governo do Pará busca associar a candidata à gestão de Helder Barbalho e, ao mesmo tempo, construir uma identidade política própria. Segundo o estrategista Edmilson Ferreira, ouvido pela EXAME, a comunicação procura apresentar Hana como continuidade administrativa, mas enfrenta o desafio de diferenciá-la do ex-governador. Pesquisas divulgadas durante a campanha apresentaram cenários distintos na disputa entre Hana e Dr. Daniel Santos (Podemos), e a transferência do capital político de Helder para sua sucessora não pode ser considerada automática.


BELÉM, PARÁ — A construção da imagem de Hana Ghassan (MDB) na disputa pelo governo do Pará passa por um movimento duplo: associar a candidata à gestão de Helder Barbalho (MDB), mas, ao mesmo tempo, apresentar atributos que permitam diferenciá-la do ex-governador.

A avaliação é do publicitário e estrategista em marketing eleitoral Edmilson Ferreira, mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

Segundo Ferreira, a associação com Helder começou antes mesmo da campanha eleitoral. Ele cita como marco o anúncio feito pelo então governador, em julho de 2023, de que Hana seria o nome escolhido para a sucessão. Na avaliação do estrategista, a construção da candidatura também passou pela atuação de Hana à frente das Usinas da Paz e, posteriormente, pela coordenação executiva da COP 30.

“Com um governo muito bem avaliado, Helder Barbalho tenta construir a imagem de Hana Ghassan como o melhor nome para a continuidade da gestão do Estado do Pará”, afirma.

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Para Ferreira, a estratégia busca fazer de Hana a representação da continuidade administrativa do grupo político que comandou o Estado nos últimos oito anos. Ele ressalta, porém, que a transferência de capital político entre uma liderança e seu sucessor não ocorre automaticamente.

“A transferência de voto não é um fenômeno simples de ocorrer, mesmo em uma disputa onde um governo é muito bem avaliado”, diz.

Da associação com Helder à construção de uma identidade própria

Na avaliação do estrategista, a campanha de Hana passou a trabalhar também atributos próprios, para além da associação direta com Helder.

Ferreira identifica uma diferença na forma como as imagens dos dois são apresentadas. Enquanto, segundo ele, a marca política de Helder foi construída com ênfase em grandes obras e em uma presença mais forte em Belém, a comunicação de Hana busca uma narrativa com maior presença no interior e associada a atributos como cuidado e gestão.

“Onde a marca do governo Helder foi construída em grandes obras e presença muito forte em Belém, a narrativa de Hana é mais interiorizada e com atributos femininos de cuidado e gestão”, afirma.

O desafio, na avaliação dele, está justamente em conciliar os dois movimentos: aproveitar a associação com uma administração bem avaliada e, simultaneamente, consolidar Hana como uma liderança com identidade própria.

O comunicador considera que a campanha conseguiu apresentar Hana como uma extensão do governo, mas avalia que ainda existe uma distância entre essa associação e a construção de uma identidade política independente.

“Transitar entre a identidade de um governo forte, como foram os oito anos do Helder, e a necessidade de uma identidade própria é o grande desafio de uma campanha como essa no Pará”, afirma.

 Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de campanha em Belém: o evento

Helder Barbalho em ato de Lula no Pará: atual governadora e candidata terá desafio de se associar a Barbalho e criar marca própria ao mesmo tempo (Ricardo Stuckert/Flickr)

A comparação com Dilma e Lula

A estratégia de apresentar Hana como sucessora de Helder também permite uma comparação com a eleição presidencial de 2010, quando Dilma Rousseff foi lançada pelo PT como sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva. Naquele ano, Dilma disputou sua primeira eleição e venceu o segundo turno contra José Serra.

Para Ferreira, há uma aproximação na forma de apresentar as duas candidatas como nomes capazes de dar continuidade a governos anteriores, embora os contextos sejam diferentes.

“Dilma foi apresentada como a mãe do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, e a mulher que conseguiria dar continuidade ao governo Lula. E aqui, na eleição do Pará, não é muito diferente”, afirma.

O estrategista, no entanto, faz uma ressalva sobre a comparação. Na avaliação dele, os principais problemas enfrentados por Dilma não estiveram propriamente na campanha eleitoral de 2010, mas posteriormente, durante o mandato, especialmente na relação com o Congresso.

No caso paraense, Ferreira aponta como elemento de diferenciação a trajetória política dos dois principais nomes que disputam o governo. Enquanto Hana construiu sua carreira na administração pública antes de disputar uma eleição majoritária, o adversário, Dr. Daniel Santos (Podemos) acumulou experiência eleitoral como vereador, deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa do Pará e prefeito de Ananindeua.

Para o estrategista, essa diferença coloca para Hana o desafio de consolidar rapidamente uma identidade política própria.

A disputa pela identidade da candidata

Ferreira considera que a principal questão da campanha de Hana, nesta etapa da eleição, é definir o espaço ocupado pela candidata em relação ao grupo político que representa.

Na avaliação dele, a comunicação ainda recorre fortemente à imagem de Helder. Para o estrategista, isso pode fazer com que parte do eleitorado enxergue a candidatura principalmente como representação de um grupo político, e não necessariamente pela trajetória individual da governadora.

“O equívoco na estratégia de comunicação da governadora está em insistir em manter a campanha no Helder”, afirma.

A avaliação é feita pelo estrategista a partir da análise da comunicação eleitoral, e não de uma pesquisa específica sobre a percepção do eleitor.

Os levantamentos eleitorais divulgados ao longo de setembro, por outro lado, apresentaram cenários distintos. Pesquisa Real Time Big Data, divulgada em 15 de setembro, apontou Hana com 40% das intenções de voto contra 35% de Dr. Daniel. Já a Quaest, divulgada no fim de agosto, registrou 27% para Hana e 28% para Daniel, em empate técnico.

Em 28 de setembro, novo levantamento do Real Time Big Data, realizado entre os dias 23 e 26, registrou 52% para Hana e 44% para Daniel no cenário estimulado de primeiro turno.

Os números mostram que as pesquisas realizadas em diferentes momentos da campanha apresentaram variações no cenário eleitoral. Por isso, a relação entre a avaliação da gestão anterior, a imagem de Helder e a intenção de voto em Hana não pode ser tratada apenas como uma transferência automática de capital político.

Para Ferreira, é justamente nesse espaço que se encontra um dos principais desafios da candidatura: apresentar Hana como alguém que conhece a máquina pública e, ao mesmo tempo, possui autonomia política.

“A personificação de uma identidade própria que conhece a máquina pública e tem autonomia e independência será determinante para a tomada de decisão do eleitor”, afirma.


Perguntas frequentes

Quem é Hana Ghassan? +

Hana Ghassan é governadora do Pará e candidata do MDB ao governo estadual. Antes da disputa eleitoral, teve atuação na administração pública, incluindo participação nas Usinas da Paz e na coordenação executiva da COP 30.

Qual é a relação entre Hana Ghassan e Helder Barbalho? +

Hana é a candidata apoiada pelo grupo político de Helder Barbalho. Segundo o estrategista Edmilson Ferreira, a construção dessa sucessão começou antes da campanha, e um dos marcos foi o anúncio feito por Helder, em julho de 2023, de que Hana seria o nome escolhido para sucedê-lo.

Qual é a estratégia da campanha de Hana Ghassan? +

Segundo Ferreira, a estratégia combina dois movimentos: associar Hana à continuidade da gestão de Helder e desenvolver atributos próprios para a candidata. O estrategista identifica na comunicação de Hana maior presença do interior do estado e uma narrativa ligada a cuidado e gestão.

O apoio de Helder Barbalho garante votos para Hana Ghassan? +

Não é possível tratar o apoio como transferência automática de votos. Ferreira afirma que esse processo não é simples mesmo quando o governo anterior possui boa avaliação. A matéria também ressalta que não é possível estabelecer uma relação automática entre a imagem de Helder e a intenção de voto em Hana.

Por que a campanha de Hana é comparada à de Dilma Rousseff em 2010? +

A comparação apresentada pelo estrategista está relacionada à estratégia de sucessão. Dilma Rousseff foi lançada pelo PT em 2010 como candidata à continuidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto Hana é apresentada como nome de continuidade da gestão de Helder. Ferreira ressalta, porém, que as duas eleições ocorreram em contextos diferentes.

O que mostram as pesquisas sobre Hana Ghassan e Dr. Daniel Santos? +

Os levantamentos citados apresentam resultados diferentes. O Real Time Big Data divulgado em 15 de setembro registrou 40% para Hana e 35% para Daniel. A Quaest divulgada no fim de agosto apontou 27% para Hana e 28% para Daniel, em empate técnico. Em levantamento do Real Time Big Data realizado entre 23 e 26 de setembro, Hana registrou 52% e Daniel, 44%, no cenário estimulado de primeiro turno. Pesquisas de institutos e períodos diferentes não formam uma mesma série histórica.

Qual é o principal desafio de Hana Ghassan na campanha? +

Na avaliação de Edmilson Ferreira, o desafio é aproveitar a associação com a gestão de Helder Barbalho sem depender exclusivamente da imagem do ex-governador. Para o estrategista, a campanha precisa consolidar Hana como uma liderança com identidade e autonomia próprias.

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