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Greve dos Correios: 17 sindicatos recusam proposta e anunciam paralisação

Pelo menos 12 estados devem ser afetados. A paralisação será por tempo indeterminado. Os servidores afirmam que voltarão aos postos de trabalho quando as reivindicações forem atendidas

Correios: greve ocorre em meio a crise financeira da estatal (Eduardo Frazão/Exame)

Correios: greve ocorre em meio a crise financeira da estatal (Eduardo Frazão/Exame)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 23 de dezembro de 2025 às 22h05.

Última atualização em 23 de dezembro de 2025 às 22h14.

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (FENTECT) afirmou que 17 sindicatos filiados rejeitaram a proposta dos Correios e aprovaram uma greve a partir das 22h desta terça-feira, 23.

A paralisação será por tempo indeterminado. Os servidores afirmam que retornarão aos postos de trabalho quando as reivindicações forem atendidas.

Os trabalhadores seguiram a orientação da FENTECT e recusaram o acordo apresentado pela diretoria da estatal durante uma reunião de conciliação mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).

A expectativa é que o movimento aprovado por parte dos sindicatos tenham mais força após as assembleias desta terça.

A greve aprovada na semana passada teve adesão de apenas 9% dos funcionários após a decisão da ministra Kátia Magalhães Arruda, do Tribunal Superior do Trabalho, determinar que os trabalhadores dos Correios deveria manter 80% do efetivo em atividade durante a paralisação.

A manutenção da greve ocorre em meio ao processo da empresa para buscar um empréstimo de R$ 12 bilhões para cobrir prejuízos.

Recusaram a proposta e aprovaram a greve os sindicatos de 12 estados:

  • SINTECT-Ceará
  • SINTECT-Minas Gerais
  • SINTECT-Mato Grosso
  • SINTECT-Paraiba
  • SINTCOM-Paraná
  • SINTECT-Rio de Janeiro
  • SINTECT-Rio Grande do Sul
  • SINTECT-Santa Catarina
  • SINTECT-São José dos Campos, São Paulo
  • SINTECT-Campinas, São Paulo
  • SINTECT-Juiz de Fora, Minas Gerais
  • SINTECT-Distrito Federal
  • SINTECT-Sergipe
  • SINTECT-Santos, São Paulo
  • SINTECT-São Paulo
  • SINCORT-Pará
  • SINTECT-Uberaba, Minas Gerais

O SINTECT de Alagoas não aceitou a proposta, mas descartou entrar em greve.

Outros 16 sindicatos filiados a federação aprovaram a proposta e não entraram de greve:

  • SINTECT-TO
  • SINTECT-PE
  • SINTECT-SMA
  • SINCOTELBA-BA
  • SINTECT-RN
  • SINTECT-AP
  • SINTECT-MS
    SINTECT SJO
  • SINTECT ES
  • SINTECT -RPO
  • SINTECT- AM
  • SINTECT- RR
  • SINTECT GO
  • SINTECT MA
  • SINTECT BRU
  • SINTECT ACR

Qual foi a proposta dos Correios para os trabalhadores?

A proposta dos Correios para os servidores foi de um reajuste salarial de 5,13%, com vigência a partir de janeiro de 2026. O pagamento será realizado a partir de abril de 2026, incluindo o retroativo referente aos meses de janeiro, fevereiro e março.

A reposição integral da inflação, com aplicação de 100% do INPC no período de agosto de 2025 a julho de 2026, a ser incorporada aos salários a partir de 1º de agosto de 2026.

Os reajustes salariais incidem sobre todas as cláusulas com impacto econômico, incluindo benefícios e a função motorizada (MV), garantindo o direito a toda categoria.

Segundo a Federação, a proposta manteve o pagamento de 70% das férias, agora assegurada claramente. No acordo anterior, esse direito não era pleno, pois previa pagamento proporcional.

Outra garantia foi a manutenção da entrega matutina. Os sindicatos afirmam que a reivindicação é importante para preservar melhores condições de saúde, segurança e organização da jornada de trabalho, impedindo mudanças que poderiam gerar impactos negativos aos trabalhadores.

A proposta também garante o plano de saúde dos trabalhadores nos moldes atuais, com os Correios permanecendo como mantenedores.

O acordo coletivo teria vigência por dois anos.

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