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IA deve ser desenvolvida e não regulada cedo demais, diz Jeff Bezos

Em entrevista à CNBC, bilionário afirmou que IA não deve destruir empregos, defendeu grandes fortunas e disse estar “do lado da América”

Jeff Bezos: executivo deu entrevista à CNBC (Daniel Oberhaus/Wikimedia Commons)

Jeff Bezos: executivo deu entrevista à CNBC (Daniel Oberhaus/Wikimedia Commons)

Publicado em 23 de maio de 2026 às 08h00.

Para Jeff Bezos, bilionário e fundador da Amazon, a inteligência artificial não irá atrapalhar o mercado de trabalho. A tecnologia, segundo ele, deve aumentar a produtividade, reduzir custos e elevar o nível das funções exercidas por trabalhadores.

Em entrevista à CNBC, Bezos afirmou que críticos da IA estão “completamente errados” ao prever uma onda de substituição de empregos. Para ele, ferramentas de IA vão ajudar profissionais a resolver problemas de forma mais eficiente.

“O que realmente vai acontecer é que ela vai elevar todas essas pessoas”, disse Bezos.

O empresário também defendeu que ganhos de produtividade provocados pela IA podem gerar deflação em diferentes bens e serviços. Isso, para ele, só irá acontecer se “deixarmos essa tecnologia se desenvolver e não a prejudicarmos com regulamentações prematuras”.

“O trabalho será feito em um nível mais alto”, afirmou Bezos ao comentar ferramentas de programação com IA. “Será feito com um trator, em vez de uma pá, e isso será bom.”

Duas economias nos Estados Unidos

Além da IA, Bezos comentou as críticas crescentes a bilionários nos Estados Unidos.

O fundador da Amazon afirmou que o país vive “uma história de duas economias”. Segundo ele, há pessoas em boa situação financeira, mas também há muitos americanos enfrentando dificuldades.

“Você tem um grupo de pessoas neste país que está indo muito bem, mas também tem um grupo de pessoas neste país que está lutando”, disse Bezos.

O empresário defendeu eliminar o imposto de renda para a metade dos americanos com menor renda.

“Uma enfermeira no Queens que ganha US$ 75.000 por ano paga mais de US$ 12.000 por ano em impostos”, disse Bezos. “Isso realmente faz sentido?”

Crítica à vilanização dos ricos

Na mesma entrevista, Bezos criticou políticos que, segundo ele, usam uma técnica antiga de escolher um vilão e apontar culpados.

“O problema é que isso não resolve nada”, disse.

Bezos também criticou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, por um vídeo em que ele mencionou Ken Griffin, CEO da Citadel, ao defender um novo imposto sobre residências secundárias.

“Não é certo” o prefeito “ficar na frente da casa de Ken Griffin e agir como se ele fosse algum tipo de vilão”, disse Bezos.

“Ken Griffin não é um vilão, ele não machucou ninguém, ele não está prejudicando Nova York, na verdade é exatamente o oposto”, afirmou.

Questionado se a redução de impostos para americanos de renda menor deveria vir acompanhada de aumento de tributos para os mais ricos, Bezos disse que esse é um debate válido. Mas voltou a criticar o que chamou de “vilanização” dos ricos.

“Já temos o sistema tributário mais progressivo do mundo”, disse Bezos.

Para o fundador da Amazon, o problema fiscal dos Estados Unidos está mais ligado ao excesso de gastos do que à falta de arrecadação.

Defesa das grandes fortunas

Bezos também rejeitou a ideia de que fortunas bilionárias não possam ser construídas de forma justa.

“Isso não está correto em sua essência”, afirmou.

Para defender o argumento, citou redes de alimentação como In-N-Out Burger e Raising Cane’s Chicken Fingers.

“A maneira como você faz US$ 1 bilhão, ou US$ 100 milhões, ou US$ 10 milhões, ou qualquer coisa, é criando um serviço que as pessoas amam”, disse Bezos.

“Se milhões de pessoas escolhem seu serviço, você vai acabar com US$ 1 bilhão”, afirmou. “Tente fazer isso com uma franquia de frango”, disse.

O que Bezos disse sobre Trump

Na entrevista, Bezos afirmou que vê Donald Trump como uma versão “mais madura” e “mais disciplinada” de si mesmo em relação ao primeiro mandato.

“Trump tem muitas boas ideias e fez muitas coisas — ele esteve certo sobre muitas coisas. Você precisa dar crédito ”, disse Bezos.

Segundo a CNBC, ele não apresentou exemplos específicos.

Bezos também negou que a decisão da Amazon de lançar um documentário sobre Melania Trump tenha sido uma tentativa de agradar o presidente. “A coisa da Melania é uma falsidade que não morre”, afirmou.

O empresário disse que seus contatos com governos são apartidários. Segundo ele, também houve diálogo com os ex-presidentes democratas Barack Obama e Joe Biden.

“Precisamos que nossos líderes empresariais deem contribuições à administração, independentemente de quem seja o presidente”, disse Bezos. “Estou do lado da América. E é aí que os líderes empresariais deveriam estar.”

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