Brasil

Greenhalgh critica excesso de medidas provisórias

Procurando demonstrar independência em relação ao governo, o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh defendeu maior espaço para matérias propostas pelo próprio parlamento. No Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) foi eleito presidente

EXAME.com (EXAME.com)

EXAME.com (EXAME.com)

DR

Da Redação

Publicado em 14 de outubro de 2010 às 15h05.

Mesmo sendo o candidato oficial da base aliada, o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) afirmou que buscará a independência e a harmonia entre os poderes legislativo e executivo. Durante o discurso que marcou o fim de sua campanha à presidência da Câmara, o parlamentar criticou o excesso de matérias enviadas pelo executivo. "Acho que o parlamento não pode ser sufocado, como está sendo", afirmou.

Segundo Greenhalgh, no ano passado, apenas 17 projetos apresentados por parlamentares foram votados na Câmara. A maior parte dos trabalhos concentrou-se no debate sobre propostas encaminhadas pelo Executivo. "Não é possível que 85% das leis aprovadas no Congresso sejam originárias de medidas do governo federal", disse.

Greenhalgh é o candidato oficial do Partido dos Trabalhadores (PT) à presidência da Câmara. Também conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A eleição para escolher o substituto do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) no comando da casa é vista com apreensão por Lula. Greenhalgh disputa o cargo com outros quatro candidatos: Virgílio Guimarães (PT-MG), Severino Cavalcanti (PP-PE), José Carlos Aleluia (PFL-BA) e Jair Bolsonaro (PFL-RJ). Como a votação é secreta, aumenta a preocupação com possíveis traições de parlamentares descontentes com o tratamento dado por Lula ao Congresso. Para ser eleito, o candidato deve conquistar 50% mais um dos votos válidos. Caso isso não ocorra, é realizado um segundo turno entre os dois mais votados. Dos 513 deputados, 485 compareceram ao plenário para votar.

Apesar das dificuldades, os analistas apostam na vitória de Greenhalgh. Para o Credit Suisse First Boston (CSFB), mesmo uma eventual vitória de Virgílio Guimarães não inviabilizará a tramitação de matérias de interesse do governo na Câmara. Apesar de lançar-se sem a permissão do partido, Guimarães tem um longo histórico de apoio aos projetos governistas na Câmara. O problema, de acordo com o CSFB, é que sua eventual vitória atiçará dissidências dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) e da base aliada do governo.

Prevista para começar às 16 horas, a votação foi iniciada com um atraso de aproximadamente duas horas. Como a votação é realizada em cédulas de papel, alguns deputados criticaram a lentidão dos trabalhos. Até as 20 horas e 30 minutos, apenas 160 deputados haviam votado. A expectativa inicial era de que o resultado fosse conhecido após as 20 horas, mas os deputados já estimam que o trabalho avance madrugada adentro.

Senado

Conforme o previsto pelos analistas, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi eleito, nesta segunda-feira (14/2), presidente do Senado e do Congresso para um mandato de dois anos. Calheiros foi o único candidato ao cargo e recebeu 72 votos favoráveis e quatro contrários. O senador, que é visto como um aliado do Palácio do Planalto, substitui o também peemedebista José Sarney.

Apesar da vitória, para o CSFB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva só controlará efetivamente o Congresso se realizar uma reforma ministerial que abra mais espaço para os partidos aliados. De acordo com as estimativas do CSFB, seria desejável que o PT cedesse sete de seus atuais 18 ministérios para ampliar a participação do PMDB, hoje com duas pastas; do PP , atualmente sem nenhum ministério, e da coalizão PL-PSL, que detém dois ministérios.

Além do PT, o PC do B e o PV também seriam obrigados a ceder espaço para reacomodar as forças políticas em torno de Lula. Caso a reforma não seja ampla o suficiente, o governo terá problemas em aprovar importantes reformas constitucionais previstas em sua agenda para 2005. Para o CSFB, no atual cenário político, as chances de aprová-las são bastante baixas.

Com informações da Agência Câmara.

Acompanhe tudo sobre:[]

Mais de Brasil

PF afasta Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão por faltas injustificadas

Mendonça autorizou quebras de sigilos de filho de Lula antes da CPMI do INSS

Tarcísio diz que não abrirá mão da nova sede por causa de desapropriações

Nova sede de SP: consórcio cita BNDES e debêntures como opções de financiamento