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Sem jornada de 52h: líderes do Centrão pedem retirada de emenda à PEC da 6x1

Proposta teve repercussão negativa e tem sido rechaçada por Motta

Escala 6x1: relatório de Leo Prates (Republicanos-BA) será apresentado na próxima segunda-feira, 25 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Escala 6x1: relatório de Leo Prates (Republicanos-BA) será apresentado na próxima segunda-feira, 25 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 21 de maio de 2026 às 17h42.

Última atualização em 21 de maio de 2026 às 17h46.

A emenda apresentada pelo Centrão que colocava um prazo de dez anos de transição para a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sofreu mais um revés, agora definitivo, articulado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Seis líderes de partidos de centro e próximos a Motta pediram a retirada da tramitação do texto, proposto pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS).

A emenda, protocolada na última quinta-feira, 14, criava uma série de exceções à redução de jornada e também abria uma brecha para que houvesse aumento da jornada de trabalho em até 30% durante o período de transição. Na prática, se fosse aprovada, a norma poderia permitir jornadas de até 52 horas semanais.

Em nota divulgada na noite de quarta-feira, os líderes Isnaldo Bulhões (MDB-AL), Augusto Coutinho (Republicanos-PE), Antônio Brito (PSD-BA), Pedro Lucas (União Brasil-MA), Rodrigo Gambale (Podemos-SP), Doutor Luizinho (PP-RJ) e Adolfo Viana (PSDB-BA) pedem a Motta a retirada de tramitação da emenda "a fim de evitar distorções que comprometam a clareza do debate e a compreensão da proposta".

O texto cita "dúvidas sobre os reais efeitos" da emenda, que, nas palavras dos parlamentares, "flexibiliza a jornada de trabalho de acordo com a diversidade setorial e regional do país".

Retirada de apoio

A emenda apresentada por Turra tinha apoio de setores ligados ao agronegócio e foi inicialmente assinada por 176 deputados, cinco a mais do que o mínimo necessário. A proposta, porém, teve uma reação amplamente negativa da opinião pública e das entidades representativas de trabalhadores.

A partir daí, já nesta semana, ao menos 34 deputados apresentaram requerimentos para retirar suas assinaturas do documento, sendo pelo menos 8 deles do próprio PP, partido de Turra; além de 6 do União Brasil; 6 do PL, partido ao qual é filiada a família Bolsonaro; e 4 do PSD de Gilberto Kassab.

A interlocutores, o relator Leo Prates (Republicanos-BA) tem afirmado que não vai incorporar a emenda em seu relatório. A proposta também é rechaçada pelo governo Lula, que a vê como um retrocesso.

A apresentação do relatório de Prates, prevista para esta semana, foi adiada para a próxima segunda-feira, 25, por falta de acordo com o governo acerca da regra de transição para a aplicação da jornada de 40 horas semanais. Prates defende uma transição em etapas, até 2029. Já o governo quer uma aplicação ainda neste ano.

Confira quem retirou sua assinatura do texto:

  1. Afonso Hamm (PP-RS)
  2. AJ Albuquerque (PP-CE)
  3. Aline Gurgel (União-AP)
  4. Amaro Neto (PP-ES)
  5. Arthur Oliveira Maia (União-BA)
  6. Capitão Alden (PL-BA)
  7. Claudio Cajado (PP-BA)
  8. Daniel Agrobom (PSD-GO)
  9. Daniela do Waguinho (Republicanos-RJ)
  10. Danilo Forte (PP-CE)
  11. Bebeto (PP-RJ)
  12. Eunício Oliveira (MDB-CE)
  13. Fernanda Pessoa (PSD-CE)
  14. Fernando Máximo (PL-RO)
  15. Gustinho Ribeiro (PP-SE)
  16. Henderson Pinto (União-PA)
  17. Hildo Rocha (MDB-MA)
  18. Jaziel (PL-CE)
  19. João Carlos Bacelar (PL-BA)
  20. José Nelto (União-GO)
  21. Josias Da Vitoria (PP-ES)
  22. Laura Carneiro (PSD-RJ)
  23. Lucio Mosquini (PL-RO)
  24. Luciano Vieira (PSDB-RJ)
  25. Marcos Pollon (PL-MS)
  26. Mário Heringer (PDT-MG)
  27. Max Lemos (UNIÃO-RJ)
  28. Meire Serafim (UNIÃO-AC)
  29. Murillo Gouvea (PSDB-RJ)
  30. Pinheirinho (PP-MG)
  31. Rafael Fera (PODE-RO)
  32. Roberta Roma (PL-BA)
  33. Vitor Lippi (PSD-SP)
  34. Zacharias Calil (MDB-GO)
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