Governo da Bahia diz que vacina russa pode chegar ao SUS em outubro

Rui Costa anunciou um acordo com o fundo soberano da Rússia para realizar os testes no estado e distribuir 50 milhões de doses

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), anunciou nesta sexta-feira, 11, a assinatura de um acordo com o Fundo de Investimento Direto Russo (RDIF), o fundo soberano da Rússia, que prevê o fornecimento de 50 milhões de doses da vacina russa contra a covid-19. A intenção é iniciar os ensaios clínicos a partir de outubro com 500 voluntários, ainda durante a fase 3 de testes do imunizante.

"A Bahia assinou um acordo de cooperação com o fundo soberano da Rússia, o RDIF, para o fornecimento de 50 milhões de doses da vacina Sputnik V, a primeira contra o coronavírus registrada em todo o mundo", disse o governador por meio das redes sociais.

No entanto, o protocolo para validar a fase 3 dos estudos clínicos, com testes em humanos, depende ainda de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo o governador, se aprovada pelos órgãos responsáveis, a vacina poderá ser fornecida para todo o Brasil, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e tem a possibilidade de entrega a partir de novembro de 2020. A previsão é que isso seja realizado por meio da Bahiafarma, a fundação estadual de tecnologia e distribuição de medicamentos.

"Acredito na ciência e estou confiante nos resultados. É mais um importante passo dado para salvar vidas humanas", disse ele.

Paraná também fará testes

Além da Bahia, em 27 de agosto, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) anunciou a intenção de testar a vacina russa contra a covid-19 em pelo menos 10.000 voluntários. O protocolo para validar a fase 3 dos estudos clínicos também deve ser submetido à Anvisa. Depois de aprovado, o estado estima um prazo de duas semanas para realizar os ajustes finais. Em um cenário realista, o Tecpar espera iniciar os testes em voluntários em 50 dias.

Primeira vacina registrada

A Sputnik V foi desenvolvida pelo Instituto Gamaleia de Moscou, que trabalha com uma técnica inovadora que utiliza dois tipos de adenovírus humanos para provocar uma reação imune ao Sars-CoV-2, causador da covid-19. Foi a primeira vacina contra o novo coronavírus a ser registrada no mundo.

No dia 11 de agosto, as autoridades russas disseram que a vacina entrava na terceira e última fase dos ensaios clínicos. O anúncio foi recebido com ceticismo por muitos pesquisadores e alguns países como a Alemanha, que duvidaram da eficácia e segurança do imunizante, principalmente pela falta de dados públicos sobre os ensaios realizados no momento do anúncio. No entanto, o presidente Vladimir Putin afirmou que a vacina garantiu "imunidade de longa duração" contra a doença.

A Rússia afirma que 40.000 pessoas devem participar do estudo durante a fase 3, iniciada na quarta-feira, 9, e os resultados iniciais dessa etapa são esperados para outubro ou novembro deste ano.

De acordo com a revista The Lancet, um grupo de pacientes que participaram de um estudo preliminar da vacina russa contra o novo coronavírus desenvolveu uma resposta imune sem nenhum efeito colateral sério. Os resultados dos dois testes, conduzidos em junho-julho deste ano, envolveram 76 participantes, mostraram que 100% deles desenvolveram anticorpos para a doença.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 12,90
  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 29,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa mensal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.