Geraldo Alckmin oficializa filiação ao PSB em evento em Brasília

A entrada no novo partido intensifica as negociações para que o ex-tucano seja vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve concorrer à Presidência da República nas eleições de outubro
 (Reuters/Paulo Whitaker)
(Reuters/Paulo Whitaker)
Por Alessandra Azevedo, de BrasíliaPublicado em 23/03/2022 12:25 | Última atualização em 23/03/2022 13:01Tempo de Leitura: 5 min de leitura

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin se filiou ao PSB nesta quarta-feira, 23, em evento em Brasília. A entrada no novo partido intensifica as negociações para que o ex-tucano seja vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve concorrer à Presidência da República nas eleições de outubro.

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No evento, Alckmin afirmou que se sente “em casa” no PSB e cumprimentou o partido “pela decisão de apoiar o presidente Lula para a Presidência da República”. Em meio a aplausos, o ex-governador afirmou que o petista “representa a democracia”, por ser fruto do processo democrático. 

“Nós temos de ter os olhos abertos para enxergar e a humildade para entender que ele [Lula] é hoje aquele que melhor reflete e interpreta o sentimento de esperança do povo brasileiro”, disse Alckmin. “Não tenho dúvida que o presidente Lula, se Deus quiser, eleito, vai reinserir o Brasil no cenário mundial”, afirmou.

Segundo Alckmin, Lula, se for eleito, vai “alargar o horizonte do desenvolvimento econômico” e diminuir as desigualdades sociais. “O Brasil precisa ser bom não só para alguns, precisa ser bom para todos. Precisa trazer prosperidade para todos, qualidade de vida para todos”, defendeu.

Em entrevista coletiva após o ato de filiação, Alckmin afirmou que não há data definida para lançamento de chapa e que as conversas acontecem entre os partidos. A filiação foi um “passo importante”, mas "chapa é para frente”, disse. “Tudo tem seu tempo. Campanha não é neste momento”, reforçou. 

Alckmin também lembrou do desempenho dos governos Lula na economia. "Um exemplo de responsabilidade fiscal com redução da dívida em relação ao PIB foi no governo do presidente Lula. Fez a economia crescer. Em 2010, cresceu 7,5%, e ao mesmo tempo melhorou a relação dívida-PIB. O importante é retomar a atividade econômica", disse.

Lula não participou do evento. O PT foi representado pela presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann, que, em rápido discurso, afirmou que o ato tem “imenso significado” para o futuro do país. “Nunca foi tão necessário somar forças”, afirmou. Ela lembrou que PT e PSB têm uma trajetória comum na luta pela democracia. 

“Estivemos juntos no governo, na oposição, na defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores, do povo brasileiro, da soberania nacional. Juntos, fizemos história neste país e, juntos, vamos fazer história novamente, em torno da candidatura do presidente Lula, que manda um abraço afetuoso a todos vocês”, disse Gleisi.

Ainda em relação à defesa da democracia, Alckmin disse que é preciso “combater a mentira”, que é o que “há de pior” para o regime democrático. Para ele, pessoas que agem de maneira displicente em relação ao resultado das eleições, que ameaçam o Parlamento e que agridem o Supremo Tribunal Federal (STF) estão ofendendo, ameaçando e agredindo a democracia. 

Alckmin deixou o PSDB em dezembro, após mais de 33 anos no partido. Ao anunciar a saída, disse que “é tempo de mudança” e de “traçar um novo caminho”. As especulações sobre uma possível filiação ao PSB começaram em novembro, mas o ex-governador também conversou com outros partidos antes de tomar a decisão.

Momento de união

No ato, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, defendeu que, para "virar a página da história", é preciso unir as forças progressistas. Ele afirmou que não se trata de divisão entre direita e esquerda, mas de uma "disputa entre a democracia e o arbítrio, entre a civilização e a barbárie, entre manter o país em condições inaceitáveis". 

"Significa dizer e reconhecer que não somos forças suficientes para ganhar a eleição presidencial. Precisamos alargar o espectro político, unir homens em mulheres de bem para que tomem fileiras pela defesa da democracia, da liberdade, dos direitos sociais do povo brasileiro, pelas mudanças no sistema político brasileiro", discursou Siqueira.

A contribuição de Alckmin nesse contexto, segundo o presidente do PSB, "vai muito além do que alguns estão pensando". Siqueira ressaltou que o ex-governador tem "honradez, capacidade e longa história na vida política" e disse que ele vai "contribuir muito para virar a página dessa história". 

Siqueira também criticou o presidente Jair Bolsonaro, a quem chamou de “figura nefasta que governa nosso país”. A eleição dele, na visão do presidente do PSB, é resultado “da falência do sistema político”, que permitiu que “figura tão inexpressiva do Congresso Nacional” chegasse à Presidência da República. “Essa anomalia precisa ser encerrada”, disse.

“O dia de hoje não tem significado apenas eleitoral”, afirmou o prefeito do Recife, João Campos, para quem a filiação de Alckmin representa um movimento de união. “A gente tem de buscar unidade nas convergências. Chega de divergências, daquilo que nos separa. A entrada de Geraldo Alckmin no partido dá sinal claro de que é possível e tem caminho”, disse. 

O evento marcou a filiação de cerca de 40 nomes ao PSB, além de Alckmin. Entre eles, o vice-governador do Maranhão, Carlos Brandão; o senador Dário Berger; o advogado Augusto de Arruda Botelho; e a líder do Movimento Sem-Teto do centro de São Paulo, Carmen Silva.

Também compareceram ao evento líderes do PSB, como os governadores Paulo Câmara (PE) e Flávio Dino (MA), e o ex-governador Rodrigo Rollemberg (DF).