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Foco de incêndio na Amazônia indica ação intencional, diz ministro

João Paulo Capobianco aponta indícios de ação criminosa no meio da floresta nativa; Força Aérea envia aeronaves KC-390 para reforçar combate às chamas

Queimadas na Amazônia (Gustavo Basso/Getty Images)

Queimadas na Amazônia (Gustavo Basso/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 12 de outubro de 2026 às 14h12.

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O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, classificou como crítico o cenário dos incêndios florestais no Amazonas e afirmou que os focos detectados no meio de áreas preservadas indicam ação humana intencional.

A declaração ocorreu neste domingo, 11, após um sobrevoo pelas regiões mais atingidas no estado, que teve a decolagem atrasada em razão da densa camada de fumaça sobre a capital Manaus.

Segundo o ministro, a presença de queimadas no interior da mata virgem, distantes das áreas de pastagens, sinaliza uma tentativa deliberada de degradação ambiental para posterior desmatamento.

"Identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada. Não se trata apenas daquele fogo que foi colocado na pastagem e adentrou a floresta", destacou Capobianco.

Decreto de emergência e apoio federal

A Polícia Civil do Amazonas abriu investigações para apurar os crimes ambientais e registrou dezenas de boletins de ocorrência relacionados ao fogo.

Diante do avanço do fogo, o governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), decretou situação de emergência em 36 municípios atingidos pelas queimadas e pela seca severa.

A medida foi homologada pelo governo federal por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), chefiado pelo ministro Waldez Góes, que viabiliza a liberação de recursos extraordinários para suporte humanitário e operações de combate.

Para conter o avanço das chamas, a Força Aérea Brasileira (FAB) mobilizou duas aeronaves KC-390 Millennium na Base Aérea de Manaus. Os cargueiros são equipados com o sistema modular aerotransportado (MAFFS), capaz de lançar até 12 mil litros de água por saída diretamente sobre os focos de incêndio em voos de baixa altitude.

Impacto do El Niño

Estatísticas do Painel do Fogo indicam que o Amazonas registrou 1.380 focos de queimada nos primeiros dez dias de outubro, volume quase quatro vezes superior ao apurado no mesmo período do ano anterior.

O agravamento do quadro ecológico ocorre sob influência do fenômeno El Niño, que intensifica a estiagem na Região Norte e dificulta a dispersão da fumaça em cidades como Manaus, Parintins, Itacoatiara e Tefé.

A operação de socorro ocorre em meio a atritos operacionais entre as esferas de governo. Enquanto o Corpo de Bombeiros do Amazonas alegou falta de apoio em áreas federais, o Ministério do Meio Ambiente informou que a gestão estadual chegou a dispensar o envio de brigadistas da União antes de recuar.

Além dos cargueiros da FAB, as forças federais mantêm 11 aeronaves e cerca de 290 brigadistas atuando nas frentes de combate na calha do Rio Amazonas.

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