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Flávio diz que Moraes quer ‘interferir nas eleições’ após ser impedido de visitar Jair Bolsonaro

Restrição vale até após o primeiro turno da eleição presidencial e inclui apuração sobre eventual propaganda eleitoral antecipada

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 13 de julho de 2026 às 20h36.

Última atualização em 13 de julho de 2026 às 20h38.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, criticou nesta segunda-feira, 13, a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que proibiu visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo período de 90 dias.

"É algo desproporcional, configura tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições deste ano. Eu só poderia voltar a falar com o presidente Jair Bolsonaro depois do primeiro turno das eleições deste ano. Alguém acha que isso é uma coincidência? Qual o critério para esses 90 dias?", disse em transmissão ao vivo nas redes sociais.

A restrição foi determinada após a divulgação de uma carta escrita pelo ex-presidente ao senador. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar depois de ser condenado por liderar uma trama golpista.

Com a medida, Flávio Bolsonaro fica impedido de manter qualquer comunicação com o pai até o fim do primeiro turno da eleição presidencial. A decisão também afeta a campanha presidencial do PL, que contava com orientações do ex-presidente.

Carta de Jair Bolsonaro

No sábado, durante um pronunciamento transmitido em seu canal no YouTube, Flávio Bolsonaro leu uma carta enviada por Jair Bolsonaro. O gesto foi interpretado como uma demonstração de apoio político ao senador em meio à crise envolvendo o parlamentar e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Na mensagem, o ex-presidente afirmou que o momento é de apoio ao senador.

Além de impedir as visitas por 90 dias, Alexandre de Moraes determinou que a defesa de Jair Bolsonaro informe, no prazo de 48 horas, se o ex-presidente tinha conhecimento de que a carta produzida durante o período de prisão domiciliar seria divulgada nas redes sociais do filho.

A decisão também prevê o envio do caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada.

Segundo Moraes, Flávio Bolsonaro utilizou a visita ao pai para obter um documento destinado exclusivamente à divulgação nas redes sociais, o que, na avaliação do ministro, representaria uma forma de contornar a proibição imposta ao ex-presidente de utilizar plataformas digitais, de maneira direta ou indireta.

A restrição integra as medidas cautelares estabelecidas na prisão domiciliar humanitária concedida a Jair Bolsonaro em março e mantidas no início deste mês.

Na decisão, Moraes também afirmou que o conteúdo da carta ultrapassa o limite de uma manifestação política e pode caracterizar propaganda eleitoral antecipada. De acordo com o ministro, Flávio utilizou as redes sociais para impulsionar sua pré-candidatura por meio de expressões equivalentes a um pedido explícito de voto. Por esse motivo, determinou o encaminhamento da decisão e dos vídeos ao procurador-geral eleitoral para que o Ministério Público Eleitoral analise a adoção das medidas cabíveis.

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