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Em carta, Bolsonaro diz que Flávio é seu 'porta-voz' e pede 'união'

Senador apresentou a carta em pronunciamento transmitido em suas rede sociais

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 11 de julho de 2026 às 13h13.

Última atualização em 11 de julho de 2026 às 14h06.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL) pré-candidato à Presidência da República, divulgou neste sábado, 11, uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma transmissão realizada em seu canal no YouTube. Na mensagem, o ex-chefe do Executivo manifestou apoio ao parlamentar, que tem enfrentado críticas, inclusive da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Ao longo da carta, Bolsonaro afirma que o país atravessa um momento decisivo e defende que apoiadores concentrem esforços na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.

"O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento", escreveu Bolsonaro na carta lida pelo senador.

A divulgação da mensagem ocorre durante a articulação da campanha presidencial do senador e reforça a participação do ex-presidente nas movimentações do PL para a eleição de 2026. A leitura também foi realizada dias depois de Flávio buscar reduzir os efeitos da crise pública envolvendo Michelle Bolsonaro.

Na quinta-feira, o senador declarou estar "sempre aberto" ao diálogo com a ex-primeira-dama e afirmou esperar que ela retome a participação na campanha quando considerar adequado. A manifestação ocorreu após Michelle tornar públicas divergências com Flávio, alegando ter sido desrespeitada em discussões relacionadas às articulações políticas da legenda.

A situação levou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a defender um entendimento entre os dois antes da convenção nacional do partido, prevista para o próximo dia 25. De acordo com ele, a sigla precisa iniciar a campanha com unidade.

Na carta, Bolsonaro também define Flávio Bolsonaro como "porta-voz" e afirma confiar no filho para "resgatar o Brasil". Depois da leitura do texto, o senador voltou a defender a união entre os integrantes do partido.

"Ele pedindo aqui unidade, pedindo para que a gente deixe possíveis diferenças menores de lado, para que a gente possa pensar unidade e combater o verdadeiro inimigo do Brasil", afirmou o parlamentar.

Prisão de Bolsonaro

Em setembro de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado em 2022 pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Serão 27 anos e 3 meses de pena privativa, sendo 24 anos e 9 meses de reclusão e 2 anos e 6 meses em detenção. Além disso, Bolsonaro pagará 124 dias-multa, que representa dois salários mínimos por dia.

Com o resultado do julgamento, Bolsonaro se tornou o primeiro ex-presidente da República a ser condenado por tentativa de golpe de Estado.

Na decisão sobre os efeitos civis e administrativos da pena, a Corte decidiu que todos os condenados ficarão inelegíveis por 8 anos depois do cumprimento da pena. Também foi determinado que os condenados terão que pagar uma multa coletiva por dano morais de R$ 30 milhões.

A Turma condenou Bolsonaro por todos os crimes apontados pela Procuradoria-Geral da União (PGR) na denúncia.

A PGR pediu na denúncia que os ministros somem as penas de todos os crimes. Nesse cenário, a punição máxima poderia chegar a 43 anos de prisão.

Veja a pena de Bolsonaro para cada crime

  • Organização criminosa: 7 anos e 7 meses de prisão
  • Abolição violenta do estado democrático de direito: 6 anos e 6 meses
  • Golpe de Estado: 8 anos e 2 meses
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça: 2 anos e 6 meses, 62 dias-multa.
  • Deterioração de patrimônio tombado: 2 anos e 6 meses, 62 dias-multa.

Entenda a acusação contra Bolsonaro e aliados

Segundo a Procuradoria-Geral da República, uma organização estava "enraizada na própria estrutura do Estado e com forte influência de setores militares", e se "desenvolveu em ordem hierárquica e com divisão das tarefas preponderantes entre seus integrantes".

A acusação afirma que os delitos descritos não são de ocorrência instantânea, mas se desenrolam em cadeia de acontecimentos, alguns com mais marcante visibilidade do que outros, sempre articulados ao mesmo objetivo – o de a organização, tendo à frente o então presidente da República Jair Bolsonaro, não deixar o Poder, ou a ele retornar, pela força, ameaçada ou exercida, contrariando o resultado apurado da vontade popular nas urnas.

Entre os fatos revelados pelos investigadores está o plano "Punhal Verde e Amarelo", uma trama para assassinar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

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