Brasil

Fipe eleva projeção do IPC de setembro para 0,45%

Aumento foi realizado pela fundação por causa do crescimento rápido e inesperado do grupo Alimentação do índice

Mercado Municipal Paulistano: alta nos preços do grupo Alimentação do IPC foi maior que o esperado (Germano Lüders/EXAME)

Mercado Municipal Paulistano: alta nos preços do grupo Alimentação do IPC foi maior que o esperado (Germano Lüders/EXAME)

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Da Redação

Publicado em 10 de outubro de 2010 às 03h47.

São Paulo - O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), Antonio Evaldo Comune, elevou hoje de 0,30% para 0,45% a previsão de inflação para a cidade de São Paulo no mês de setembro.

Em entrevista à Agência Estado concedida na sede da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), ele disse que, mais uma vez, a revisão na expectativa foi motivada pelo aumento mais rápido e intenso que o esperado para o grupo Alimentação, cuja estimativa para setembro também foi ajustada, de uma alta de 0,90% para 1,43%.

Nesta sexta-feira, a Fipe divulgou que a taxa do IPC da terceira quadrissemana de setembro subiu 0,35% na capital paulista. O resultado foi superior ao verificado na segunda quadrissemana do mês, de 0,21%, e superou a estimativa da própria Fipe, que aguardava uma taxa de 0,25% para o período.

O grupo Alimentação apresentou elevação de 1,00% ante variação positiva de 0,42% da segunda medição de setembro. Sozinha, esta alta da Alimentação respondeu por 0,23 ponto porcentual, ou 65,38%, de toda a inflação da terceira quadrissemana de setembro. "A Alimentação está subindo mais rápido do que a gente esperava", comentou Comune. "E vem coisa mais pesada daqui para a frente", adiantou, referindo-se a elevação na projeção para o grupo no final do mês.

De acordo com o coordenador do IPC, apesar da intensidade mais forte que está sendo observada na alta da Alimentação, os fatores para o movimento foram basicamente os mesmos da quadrissemana anterior: o aumento nos preços da carne bovina e do frango, além da queda cada vez menor dos preços dos alimentos in natura.

"A alta da carne está ligada a oferta menor por conta da entressafra mais severa. O aumento do frango está ligado ao preço mais alto das rações que estão atreladas às commodities, como o milho e a soja", explicou, acrescentando que a recuperação no preço dos alimentos in natura é um movimento natural destes itens após a sequência de quedas fortes observadas nos últimos meses.


Entre a segunda e a terceira quadrissemanas, a alta da carne bovina passou de 4,57% para 5,48% e o avanço no preço do frango passou para 5,45% contra elevação de 4,18% na segunda leitura do mês. A queda do subgrupo Produtos In Natura passou de 1,87% para 0,72% entre a segunda e a terceira medições de setembro.

Quanto a projeção para o IPC acumulado de 2010, Comune preferiu não modificar o número esperado pela Fipe, de 4,70%. Destacou, entretanto, que a nova taxa mensal prevista para setembro, de 0,45%, já é um número que "começa a incomodar" e que não está descartada uma revisão na expectativa para a inflação do ano na capital paulista.

Vale lembrar que o coordenador do IPC iniciou setembro trabalhando com uma estimativa de 0,25% para o fechamento do mês. Na semana passada, ele já havia elevado esta previsão para 0,30% e, hoje, ajustou o número para 0,45%, uma diferença de 0,20 ponto porcentual ante a expectativa inicial.

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