Brasil

Exposição traz pinturas da mexicana Frida Kahlo ao Brasil

A exposição sobre Frida Kahlo promete aproximar o público não apenas do universo da mexicana como também da vida e produção de outras 15 importantes criadoras


	Le Cadre, de Frida Kahlo. A exposição estreia dia 27 de setembro, no Instituto Cultural Tomie Ohtake, em São Paulo.
 (Divulgação)

Le Cadre, de Frida Kahlo. A exposição estreia dia 27 de setembro, no Instituto Cultural Tomie Ohtake, em São Paulo. (Divulgação)

DR

Da Redação

Publicado em 14 de agosto de 2015 às 15h33.

Priorizar nos meus resultados Google

São Paulo - Em sua viagem ao México, em 1938, o poeta francês André Breton ficou deslumbrado com as pinturas de uma, até então, desconhecida para o mundo das artes, Frida Kahlo.

O líder do surrealismo na Europa não poderia imaginar que sua anfitriã no país latino-americano criasse obras tão repletas de símbolos - naquele ano, ela pintava Lo que el agua me ha dado, autorretrato no qual representou-se deitada em uma banheira de onde emergiam pequenas cenas, como memórias, sobre seu corpo (e dele o espectador pode ver apenas seus pés).

Apesar do entusiasmo de Breton, que arranjou para Frida sua primeira exposição individual, na galeria de Julien Levy, em Nova York, a artista recusou o título de surrealista. "Não pinto sonhos e fantasias, pinto minha realidade", ela teria dito.

Entre tantas histórias formou-se o mito de Frida Kahlo (1907-1954) - ela gostava de afirmar, por exemplo, que havia nascido em 1910 para que a data coincidisse com a Revolução Mexicana. Por outro lado, a pintora estampou sua biografia nas obras.

Abortos, traições do marido, o pintor Diego Rivera (1886-1957), a relação de dor com um corpo debilitado pela poliomielite contraída na infância e pelo acidente de ônibus que, anos depois, lhe causou lesões na coluna e no útero, são passagens representadas em seus quadros.

Entretanto, com a inauguração, em 27 de setembro, da exposição Frida Kahlo - Conexões entre Mulheres Surrealistas no México, no Instituto Tomie Ohtake, o público poderá aproximar-se não apenas do universo da mexicana como também da vida e produção de outras 15 importantes criadoras.

Trata-se de um projeto de fôlego. Até o momento, estão confirmadas 19 pinturas e 13 obras sobre papel de Frida Kahlo para a mostra, que, em 2016, também será apresentada na Caixa Cultural do Rio (de 2 de fevereiro a 27 de março) e na Caixa Cultural de Brasília (de 12 de abril a 12 de junho).

Orçada em R$ 9,5 milhões, a exposição traz, na verdade, uma centena de obras e promove a oportunidade de o Brasil receber trabalhos de surrealistas reconhecidas - mas não tanto populares - como Leonora Carrington, Remedios Varo, Maria Izquierdo e Lola Álvarez Bravo.

Foi justamente a relação - por vezes, inédita - de Frida com outras artistas que viveram em seu país a inspiração para a concepção da mostra. "Sabia-se que Alice Rahon chegou ao México por causa de Frida, mas apenas há pouco tempo encontramos a carta na qual ela diz que comprou os bilhetes imediatamente depois de ter conhecido a artista em Paris", conta a curadora Teresa Arcq.

A poeta, estilista e pintora francesa tornou-se, depois de amante, amiga próxima da mexicana por toda a vida. Elas se conheceram no fim da década de 1930 na França. "Alice tinha acabado de voltar da Índia e vestia saris indus quando encontrou Frida com seus trajes tehuana. Foi uma atração impressionante". Curiosamente, ainda, as duas tiveram biografias muito parecidas.

"Alice teve pólio quando menina e também sofreu um acidente que fraturou sua bacia. Ela teve de ficar paralisada em uma cama por cerca de um ano, engessada como Frida, e foi nesse momento que começou a desenhar", explica a historiadora. Mais ainda, continua Teresa, a francesa perdeu um filho pequeno e, desde então, nunca mais conseguiu engravidar.

"Ela mancava porque tinha uma perna mais curta que a outra, como Frida", completa. A tela Balada para Frida Kahlo (1956/66), pintada por Alice Rahon com a mesma tonalidade da famosa Casa Azul da mexicana, será a obra a encerrar o percurso da exposição.

Mas é importante dizer que as conexões de Frida Kahlo com as outras surrealistas da mostra não ocorrem apenas no campo afetivo. A celebrada mexicana foi fundamental, por exemplo, para que a espanhola Remedios Varo (1908-1963) conseguisse exilar-se no México.

"Não havia documento que pudesse comprovar a relação das duas, mas encontramos uma carta de Remedios de 1939 a Frida na qual ela pede ajuda para sair com o marido da Europa", diz a curadora. A artista, assim, criou um comitê junto ao consulado de seu país e sensibilizou o diplomata Renato Leduc para a causa.

Pouco tempo depois, ele chegou a se casar de fachada com a inglesa Leonora Carrington (1917-2011) para que ela pudesse se mudar para as mesmas terras.

Desde que os chamados "arquivos secretos" de Frida e Rivera foram abertos, em 2006, surgem novas pesquisas em torno dos artistas. Quando a pintora morreu, aos 47 anos, seu marido, único herdeiro, doou a Casa Azul e tudo o que estava nela para o governo mexicano, mas pediu que os álbuns com documentos e fotografias pertencentes ao casal ficassem fechados por até 15 anos depois de sua morte.

A mecenas e amiga do muralista, Dolores Olmedo, entretanto, conservou os papéis longe do público por mais tempo. Segundo a historiadora Teresa Arcq, está sendo realizado agora um maciço projeto para a publicação de um livro com as correspondências dos dois pintores - e ela participa da empreitada. 

Acompanhe tudo sobre:América LatinaArteMulheresMéxico

Mais de Brasil

Lula diz que SUS vai oferecer canetas emagrecedoras a pacientes com obesidade

Mendonça nega ação de deputado aliado de Flávio que questionava aumento do Bolsa Família

Datafolha: Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro, 44%, no 2º turno, e seguem tecnicamente empatados

Deputado aliado de Flávio aciona TSE contra reajuste do Bolsa Família e Mendonça será relator