Eleições Roraima: pleito acontece em meio às instabilidades políticas do estado
Colaboradora
Publicado em 21 de agosto de 2026 às 14h13.
Roraima terá, em 4 de outubro, uma nova eleição para governador, além das disputas para presidente, Senado e Câmara dos Deputados. No governo estadual, a corrida reúne candidatos com diferentes trajetórias políticas e propostas para áreas como saúde, segurança, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Com o início oficial da campanha, os eleitores podem conhecer os nomes que disputam o comando do estado e as principais propostas apresentadas para o próximo mandato.
Abaixo, os candidatos registrados na disputa pelo cargo de governador do estado:
As propostas dos candidatos que disputam o governo de Roraima nas eleições de 2026 refletem diferentes visões para o estado.
Arthur Henrique (PL) foca seu plano em áreas estruturais, como a expansão do atendimento na saúde, a reforma de escolas no interior, o fomento à economia local e a integração tecnológica na segurança.
No campo progressista, Rosi Aires (PSOL) e sua vice, Lúcia Patamona, propõem um "desenvolvimento sustentável com proteção socioambiental", defendendo fortemente os direitos trabalhistas, o respeito aos povos indígenas e políticas voltadas às minorias.
Já os candidatos de centro e direita apostam na reorganização administrativa. Farah Mesquita (Solidariedade) divide sua plataforma em 10 eixos, destacando a descentralização econômica, a desburocratização para a abertura de empresas e a modernização dos serviços públicos.
Na mesma linha estratégica de organização, o atual governador interino, Soldado Sampaio (Republicanos), que assumiu o estado após a cassação da chapa eleita em 2022, apresenta o programa "10 Eixos para Reconstruir Roraima", com forte ênfase no aquecimento da economia pelo agronegócio, ampliação de hospitais regionais, além de investimentos em segurança e infraestrutura logística.
A disputa pelo governo de Roraima nas eleições de 2026 ocorre em meio a uma crise política e jurídica que começou com a cassação da chapa eleita em 2022.
O então governador Antonio Denarium e o vice Edilson Damião perderam os mandatos após condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a cassação e a inelegibilidade de Denarium por oito anos.
A decisão provocou a convocação de uma eleição suplementar para governador e vice-governador, realizada em 21 de junho de 2026.
Três chapas participaram da votação: Arthur Henrique e Subtenente Velton (PL), Soldado Sampaio e Tayla Peres (Republicanos) e Nelita Frank (PT).
Arthur Henrique, ex-prefeito de Boa Vista, foi o mais votado, com 160.004 votos, o equivalente a 60,87% dos votos válidos. Soldado Sampaio ficou em segundo, com 93.897 votos (35,72%), enquanto Nelita Frank recebeu 8.948 votos (3,40%). Ao todo, 270.558 eleitores compareceram às urnas.
O resultado, porém, não encerrou a disputa. Arthur Henrique e o vice-subtenente Velton concorreram sub judice, depois que o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) indeferiu os registros das candidaturas. Por isso, os votos recebidos por Arthur foram registrados como “anulados sub judice” enquanto a situação jurídica não fosse definida.
A controvérsia envolve o prazo de desincompatibilização exigido para quem pretende disputar uma eleição suplementar.
O TRE-RR havia estabelecido uma regra específica para o pleito, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a aplicação do prazo de seis meses previsto na legislação eleitoral.
O tema passou a ser discutido também no TSE, que suspendeu a análise do recurso de Arthur Henrique até que o STF definisse a questão.
Enquanto a situação jurídica da eleição suplementar não é definitivamente resolvida, o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, Soldado Sampaio, permanece como governador interino.
É nesse contexto que Roraima chega à eleição geral de 4 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher governador e vice-governador para o próximo mandato, além de presidente da República, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais.
A eleição de outubro é independente da eleição suplementar realizada em junho e terá sua própria disputa e seus próprios registros de candidatura.