Colaboradora
Publicado em 21 de agosto de 2026 às 14h15.
Rondônia chega à campanha eleitoral de 2026 com uma disputa que reúne diferentes perfis políticos e projetos para o estado. Entre os nomes que estarão nas urnas estão o senador Marcos Rogério (PL), o ex-prefeito de Cacoal Adaílton Fúria (PSD), o ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves (União Brasil), além de Expedito Netto (PT), Pedro Abib (MDB) e Samuel Costa (PSB).
A lista oficial tem seis candidatos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A votação para governador acontece em 4 de outubro. Além do governo estadual, os eleitores rondonienses também escolherão presidente da República, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais.
A campanha terá como pano de fundo questões que afetam diretamente o cotidiano da população, como acesso à saúde, infraestrutura, segurança pública, educação e saneamento. Para além da disputa eleitoral, o próximo governo terá de definir como avançar nessas áreas e, ao mesmo tempo, aproveitar o potencial econômico de Rondônia.
Veja quem são e o que dizem os candidatos.
Hildon Chaves é ex-prefeito de Porto Velho e disputa o governo estadual pela Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas. A candidatura foi oficializada em agosto.
Na campanha, a proposta apresentada parte de uma agenda voltada para saúde, educação, infraestrutura, segurança pública, agricultura, geração de emprego e renda. Durante a pré-campanha, a equipe percorreu municípios do interior para coletar demandas que deveriam integrar o plano de governo.
Entre os temas destacados está a saúde pública. Hildon Chaves defende mudanças na estrutura de atendimento de urgência e emergência e apresenta a conclusão do Hospital de Urgência e Emergência de Rondônia como uma das prioridades.
Na infraestrutura, a campanha também anunciou a intenção de incluir a pavimentação da RO-205, entre Machadinho do Oeste e Cujubim, no plano de governo. O trecho possui cerca de 80 quilômetros.
Adaílton Fúria é ex-prefeito de Cacoal e concorre ao governo pelo PSD. O candidato também já havia disputado o cargo em 2022.
A campanha apresenta uma agenda voltada ao desenvolvimento econômico, fortalecimento do agronegócio, segurança pública e redução da burocracia.
O setor produtivo e a formação profissional também aparecem entre os temas defendidos durante a campanha.
Em agosto, a campanha apresentou o plano de governo à Justiça Eleitoral depois de uma pendência inicial no pedido de registro.
O Tribunal Regional Eleitoral havia determinado a apresentação do documento, exigência prevista na legislação eleitoral.
A candidatura também tem defendido uma agenda de desenvolvimento industrial e qualificação profissional, com aproximação entre governo e setor produtivo.
Expedito Netto é ex-deputado federal e concorre pelo PT. A candidatura apresenta como principais bandeiras a ampliação da educação em tempo integral, a realização de concursos públicos, a valorização dos servidores e a regionalização dos serviços de saúde.
Na segurança pública, a proposta inclui o reforço do efetivo policial por meio de concursos e o fortalecimento da estrutura de atendimento no interior.
Na economia, a campanha defende o incentivo à agricultura familiar e ao cooperativismo, além de políticas para agregar valor à produção de Rondônia e ampliar o turismo sustentável.
A saúde regionalizada aparece como uma das principais propostas, com a intenção de ampliar a estrutura hospitalar fora da capital e facilitar o acesso aos serviços especializados.
Pedro Abib é empresário do setor educacional, professor e pesquisador. A candidatura pelo MDB apresenta uma proposta baseada em planejamento, inovação, desenvolvimento econômico e fortalecimento das políticas públicas.
O plano preliminar "Caminhos para Rondônia", elaborado pela Fundação Ulysses Guimarães, foi apresentado durante a pré-campanha e propôs uma agenda voltada às vocações econômicas do estado e ao desenvolvimento social.
Entre as propostas apresentadas por Abib estão a industrialização da produção local, a agregação de valor às commodities, o estímulo à tecnologia e à inovação e uma gestão pública orientada por dados. Saúde e educação também aparecem como áreas prioritárias.
A candidatura defende ainda uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo, com maior integração entre setor produtivo, educação, ciência e tecnologia.
Marcos Rogério é senador por Rondônia e foi lançado pelo PL como candidato ao governo estadual. A candidatura apresentou em agosto o Plano de Governo 2027-2030, estruturado em dez eixos e 228 projetos.
O documento estabelece metas anuais, responsáveis pelas ações e fontes de recursos. A proposta também prevê acompanhamento periódico dos resultados e divulgação pública da execução das metas.
Entre as principais áreas estão saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, gestão pública e desenvolvimento econômico.
Na saúde, o plano prevê medidas para reduzir filas e ampliar o atendimento. Na infraestrutura, a proposta estabelece como meta elevar a parcela das rodovias estaduais asfaltadas de 26% para 45% até 2030.
A segurança pública também ocupa espaço relevante, com propostas relacionadas à recomposição de efetivos, inteligência e integração das forças de segurança.
Samuel Costa é candidato pelo PSB e apresentou plano de governo ao solicitar o registro da candidatura.
Entre as propostas divulgadas está a implantação de 100 escolas de tempo integral durante os quatro anos de eventual mandato. A candidatura também defende a criação da Universidade Estadual de Rondônia.
Na saúde, uma das principais propostas é a construção de um novo Hospital João Paulo II, em Porto Velho, com a intenção de ampliar a estrutura de urgência e emergência da capital.
Durante a pré-campanha, Samuel Costa também defendeu a ampliação da oferta de creches e medidas de proteção às mulheres, incluindo o fortalecimento da Patrulha Maria da Penha e a criação de Delegacias Especializadas da Mulher com atendimento 24 horas.
O estado tem demandas desafiadoras para quem for assumir a cadeira de governador. Entenda os principais pontos que devem ser abordados por cada um deles durante o período de campanha eleitoral:
O saneamento é um dos principais gargalos estruturais de Rondônia.
Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) citados em documento da Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia mostram que apenas 12,46% da população do estado era atendida por coleta de esgoto em 2024. Considerando a parcela da população efetivamente atendida por coleta e tratamento, o índice era de 8,99%.
O mesmo levantamento aponta perdas de 59,81% na distribuição de água. O cenário coloca a expansão da rede de água e esgoto entre os principais desafios para a próxima gestão.
O governo estadual informa que obras de saneamento em andamento somam mais de R$ 574 milhões, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e contrapartida estadual.
A distribuição dos serviços de saúde pelo território estadual é outro desafio.
Documento técnico do governo de Rondônia aponta dificuldades de acesso aos serviços especializados em comunidades rurais e isoladas, além de problemas relacionados à distância, transporte, falta de profissionais e desigualdade regional.
O documento também cita a necessidade de ampliar a infraestrutura, melhorar a integração entre os níveis de atendimento e reduzir as desigualdades na distribuição dos serviços de saúde.
A questão é especialmente relevante para um estado com população distribuída por municípios distantes entre si e grandes áreas rurais.
A infraestrutura rodoviária tem impacto direto sobre a mobilidade da população e o escoamento da produção agropecuária.
A BR-364 é o principal eixo rodoviário de Rondônia. O trecho entre Porto Velho e Vilhena possui 686,7 quilômetros e passou por concessão com previsão de investimentos de R$ 6,35 bilhões.
Além da rodovia federal, o governo estadual mantém uma agenda de recuperação de estradas estaduais. A RO-493, por exemplo, recebeu obras de recuperação em um trecho de 71 quilômetros para melhorar o tráfego e facilitar o escoamento da produção agrícola e pecuária.
Para a próxima gestão, o desafio será conciliar a manutenção da malha estadual com a integração às obras e investimentos federais.
A educação também aparece entre as áreas centrais da disputa.
Segundo balanço divulgado pelo Governo de Rondônia, mais de R$ 3,6 bilhões foram investidos na educação estadual entre 2019 e 2024, em áreas como infraestrutura, tecnologia, formação de professores, equipamentos e valorização dos profissionais.
Para 2025, o governo estadual projetou investimentos superiores a R$ 2,9 bilhões na área. O planejamento incluía novas salas de aula, reformas de escolas, acessibilidade, segurança e expansão do uso de energia solar.
O desafio para o próximo governo será manter os investimentos e transformar a infraestrutura em melhoria contínua dos indicadores de aprendizagem.
A segurança pública também deverá ocupar espaço importante na agenda estadual.
O planejamento do governo de Rondônia para 2026 prevê investimentos em tecnologia, renovação de equipamentos e fortalecimento das forças de segurança.
A próxima administração terá de definir como ampliar a capacidade de prevenção e investigação, especialmente diante das diferenças entre a capital e os municípios do interior.
Rondônia possui uma economia fortemente ligada ao agronegócio, à pecuária e à produção de commodities. Ao mesmo tempo, candidatos de diferentes correntes têm colocado a industrialização, a tecnologia e a agregação de valor à produção entre as propostas para os próximos anos.
A logística é parte central desse desafio. O governo federal anunciou mais de R$ 1,2 bilhão em investimentos no Quadrante Rondon, dentro do Programa Rotas de Integração Sul-Americana. O pacote inclui a construção da ponte binacional sobre o Rio Mamoré, que ligará Guajará-Mirim (RO) a Guayaramerín, na Bolívia, além de obras de recuperação da BR-364 no Acre.
A combinação entre infraestrutura, produção, industrialização e acesso a mercados pode definir parte importante da agenda econômica do próximo governo.