Brasil

Disputa pelo governo do Rio antecipa campanha e muda estratégia

Possibilidade de eleição suplementar impulsiona ataques e alianças no estado

Publicado em 1 de abril de 2026 às 09h00.

A possível realização de uma eleição suplementar para o governo do Rio de Janeiro já influencia o posicionamento de pré-candidatos e antecipa o clima de campanha no estado.

Diante do cenário ainda indefinido, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e o deputado estadual Douglas Ruas (PL) ajustaram suas estratégias com foco em uma disputa de curto prazo pelo Palácio Guanabara.

Paes tem adotado um discurso centrado na crítica à gestão do ex-governador Cláudio Castro, classificando o legado como uma “herança maldita”.

Já Ruas aposta na nacionalização da campanha, vinculando sua imagem ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de olho no eleitorado alinhado ao bolsonarismo.

Segundo interlocutores, a mudança de tom dos dois pré-candidatos está diretamente ligada à possibilidade de uma eleição direta ainda no primeiro semestre, possivelmente em junho.

A hipótese ganhou força após manifestações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), contrariando avaliações anteriores do Tribunal Superior Eleitoral.

Nesse cenário, o vencedor assumiria o governo apenas até o fim do ano, o que limita o tempo de gestão.

Para aliados de Paes, isso reforça a estratégia de enfatizar problemas da administração anterior como forma de construir narrativa política rapidamente.

Em declarações públicas, o ex-prefeito tem criticado a condução da segurança pública e a situação fiscal do estado, defendendo a necessidade de reorganização administrativa.

Ruas aposta em associação a Flávio Bolsonaro

Do outro lado, Ruas busca ampliar sua visibilidade em um curto espaço de tempo ao se associar diretamente a Flávio Bolsonaro.

O deputado tem divulgado apoio do senador e reforçado o alinhamento político, apostando na transferência de capital eleitoral.

A estratégia marca uma mudança em relação ao posicionamento anterior, considerado mais moderado. Com a possibilidade de eleição direta, aliados avaliam que mobilizar a base bolsonarista se torna essencial para elevar o patamar de votos rapidamente.

Apesar do avanço da hipótese de eleição direta, o formato da escolha ainda não está definido. Há discussões sobre alternativas como eleição indireta pela Assembleia Legislativa ou a manutenção do governador interino, Ricardo Couto, por mais tempo no cargo.

Pesquisas internas indicam resistência do eleitorado à realização de duas eleições em um curto intervalo.

*Com O Globo

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