Brasil

Delação de Delcídio não acelera expulsão, diz Falcão

Presidente nacional do PT disse que o suposto acordo de delação do senador não têm impacto sobre o processo de análise de expulsão


	Rui Falcão: "Não acelera nem desacelera. Eles vão examinar os fatos e não o clima", disse o dirigente sobre o caso Delcídio
 (Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Rui Falcão: "Não acelera nem desacelera. Eles vão examinar os fatos e não o clima", disse o dirigente sobre o caso Delcídio (Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)

DR

Da Redação

Publicado em 3 de março de 2016 às 19h31.

São Paulo - O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou nesta quinta-feira, 3, que as notícias do suposto acordo de delação do senador Delcídio Amaral, ex-líder do governo no Senado, não têm impacto sobre o processo de análise de possível expulsão do parlamentar do partido.

Segundo o dirigente, a comissão - de três integrantes ainda a serem apontados pela legenda para analisar o caso - o fará com base em fatos e não em clima político.

"Não acelera nem desacelera. Eles vão examinar os fatos e não o clima", afirmou Falcão. Segundo o presidente do PT, não há um prazo fixado, mas ele espera que a questão da expulsão de Delcídio seja resolvida daqui a dois ou três meses.

Rui Falcão não quis se pronunciar sobre o processo de cassação de Delcídio na Comissão de Ética do Senado. O presidente do PT afirmou apenas que o processo deve ser encaminhado "normalmente" na Casa.

Depois de se reunir com o ex-presidente Lula na capital paulista, Rui Falcão destacou a jornalistas que Delcídio está suspenso e que, portanto, não é neste momento considerado um filiado do Partido dos Trabalhadores.

O dirigente petista também questionou a credibilidade de Delcídio ao lembrar que ele foi preso preventivamente pela Lava Jato depois de ser gravado negociando uma fuga para o exterior do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró - também preso na Lava Jato.

Na conversa gravada, Delcídio dava a entender que poderia influenciar ministros do Supremo, como Teori Zavascki, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Edson Fachin.

"Se é verdade que ele fez as declarações que estão mencionando por aí, não merece nenhuma credibilidade, porque nunca o presidente Lula fez qualquer tipo de tratativa como aquelas que são mencionadas e tampouco a presidente da República interferiu em nomeações", declarou Falcão.

O dirigente evitou falar sobre o teor de sua conversa com Lula nesta tarde. Na reunião, que ocorreu no instituto do ex-presidente, Falcão disse não ter tratado do tema Delcídio, mas apenas falado sobre questões do PT.

O presidente do partido disse que ele e Lula falaram sobre as repercussões da festa de aniversário do PT na semana passada, no Rio, e sobre o projeto do partido de fazer uma conferência para discutir os rumos da economia - a proposta de realizar o encontro foi aprovada na reunião do diretório nacional do PT realizada também na semana passada na capital fluminense.

A revista IstoÉ divulgou nesta quinta-feira os detalhes da delação de Delcídio, que teria 400 páginas.

O senador citou vários nomes, entre eles os da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e detalhou os bastidores da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, entre outros assuntos.

Segundo Delcídio, teria partido de Lula a ordem para que o senador tentasse convencer o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, preso na Lava Jato, a não implicar o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente, em uma eventual delação premiada.

A delação de Delcídio também traria informações de que a presidente Dilma Rousseff teria tentado intervir ao menos três vezes na condução da operação Lava Jato.

Uma das investidas da presidente Dilma, segundo o suposto conteúdo da delação de Delcídio, passaria pela nomeação do desembargador Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

"Tal nomeação seria relevante para o governo", pois o nomeado cuidaria dos "habeas corpus e recursos da Lava Jato no STJ", informou a IstoÉ.

As revelações do ex-líder do governo fazem parte de um documento preliminar da colaboração, que aguarda homologação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Acompanhe tudo sobre:Delcídio do AmaralOperação Lava JatoPartidos políticosPolítica no BrasilPT – Partido dos TrabalhadoresSenado

Mais de Brasil

Lula anuncia pagamento do Pé-de-Meia e gratuidade dos 41 remédios do Farmácia Popular

Denúncia da PGR contra Bolsonaro apresenta ‘aparente articulação para golpe de Estado’, diz Barroso

Mudança em lei de concessões está próxima de ser fechada com o Congresso, diz Haddad

Governo de São Paulo inicia extinção da EMTU