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Datafolha: 71% consideraram inadequada homenagem a Lula no carnaval

Levantamento mostra que 25% consideram a homenagem da escola de samba Acadêmicos de Niterói adequada; desfile causou debate em ano eleitoral

Homenagem a Lula no carnaval: oposição denunciou o desfile como equivalente a um ato de campanha meses antes de o período oficial começar, em agosto (Pablo PORCIUNCULA / AFP /Getty Images)

Homenagem a Lula no carnaval: oposição denunciou o desfile como equivalente a um ato de campanha meses antes de o período oficial começar, em agosto (Pablo PORCIUNCULA / AFP /Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 8 de março de 2026 às 10h38.

A homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Rio de Janeiro, foi considerada inadequada por 71% dos eleitores, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste domingo, 8.

O levantamento indica que 25% avaliaram que a homenagem foi adequada, enquanto 4% disseram não saber ou preferiram não responder.

Homenagem a Lula abriu o Carnaval do Rio

Realizado no dia 15 de fevereiro, o desfile da agremiação abordou a trajetória de Lula e fez crítica indiretas a adversários políticos, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e grupos conservadores.

O samba-enredo levou o título “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, percorrendo diferentes fases da trajetória do petista - da infância em Garanhuns (PE), aos tempos de metalúrgico no ABC Paulista, até a atuação em Brasília, chegando aos dias atuais.

O desfile contou com uma escultura em metal de mais de 18 metros representando Lula. O humorista Paulo Vieira foi escolhido para viver o presidente na avenida. A atriz Dira Paes interpretou Dona Lindu, mãe de Lula. Ela desfilou acompanhada de crianças que representaram o presidente e seus irmãos.

Componentes deram vida a personagens da política nacional, entre eles, a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Fernando Collor, além de referências ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao senador Sérgio Moro.

A tradicional subida à rampa do Palácio do Planalto, que marcou a posse do atual mandato, também foi reencenada.

Como o enredo de uma escola de samba sobre Lula pode antecipar a campanha

Contra-ataque da oposição de Lula

A oposição denunciou o desfile como equivalente a um ato de campanha meses antes de o período oficial começar, em agosto.

Mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou por unanimidade na quinta-feira os pedidos apresentados por dois partidos de oposição para impedir que a Acadêmicos de Niterói desfilasse, ao considerar que o espetáculo constitui “campanha eleitoral antecipada”.

Após o desfile, o partido Novo e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, acionaram também a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade de Lula.

A alegação é a de que o Partido dos Trabalhadores (PT) utilizou dinheiro público para fazer campanha antecipada durante o carnaval.

A escola de samba recebeu R$ 1 milhão, parte de um total de R$ 12 milhões repassados pela Embratur à Liesa, a liga das escolas do Grupo Especial. Todas as escolas receberam cariocas receberam o recurso. Os recursos são justificados como apoio à promoção internacional da cultura brasileira.

O instituto realizou a pesquisa presencialmente entre os dias 3 e 5 de março. O Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-03715/2026.

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