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CPI vota quebras de sigilo e convocações no caso Master

Requerimentos incluem convocação de ex-diretor do Banco Central

Publicado em 31 de março de 2026 às 07h47.

A CPI do Crime Organizado vota nesta terça-feira, 31, requerimentos para quebra de sigilos e convocações ligados ao caso Master, com foco no núcleo financeiro da investigação.

Entre os alvos estão empresas, fundos e pessoas físicas, incluindo Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, além de ex-autoridades públicas.

Os pedidos de quebra de sigilo abrangem dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos de estruturas como Kairos FIP, Clínica Mais Médicos, Laguz FIDC, Fraction 024 e Prime Aviation.

Também atingem nomes como Artur Martins de Figueiredo, Marcus Vinicius da Mata, Ahmed Mohamad Oliveira e o próprio Zettel.

A avaliação de integrantes da comissão é que esta etapa permitirá mapear o fluxo de recursos, identificar intermediários e rastrear beneficiários finais das operações investigadas.

Convocações incluem ex-diretor do BC e ex-governadores

Na mesma sessão, os parlamentares analisam a convocação do ex-diretor do Banco Central Renato Dias de Brito Gomes, que atuava na área de organização do sistema financeiro e resolução bancária.

Também estão na pauta pedidos para ouvir Yan Felix Hirano, apontado como possível facilitador na inserção de recursos no sistema financeiro, e o desembargador Macário Júdice.

O colegiado deve decidir ainda sobre a convocação dos ex-governadores Cláudio Castro e Ibaneis Rocha, ambos incluídos em requerimentos apresentados pelo relator, senador Alessandro Vieira.

No caso de Ibaneis, o relator aponta duas frentes de esclarecimento: operações do escritório de advocacia fundado pelo governador com fundos ligados ao ecossistema investigado, incluindo cessões de créditos associadas à Reag e ao Banco Master; e sua atuação institucional à frente do Governo do Distrito Federal em decisões envolvendo o BRB, que chegou a negociar a aquisição do Banco Master.

Investigação mira fluxo financeiro e atuação institucional

Em relação a Cláudio Castro, o objetivo é detalhar o ambiente operacional do crime organizado e seus mecanismos de financiamento. A avaliação é que, por ter comandado o Executivo do Rio de Janeiro, ele pode contribuir com informações sobre forças de segurança, lavagem de dinheiro e a atuação de facções e milícias, especialmente no contexto da chamada “narcomilícia”.

A pauta inclui ainda pedidos de informação ao Banco Central sobre processos envolvendo o conglomerado Master e a transferência de controle do Banco Máxima.

Também há solicitações ao BNDES, sobre uma operação de R$ 5,05 bilhões na BR-163/MT, e à Força Aérea Brasileira, com dados de planos de voo.

No campo das oitivas, a CPI convocou o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto para esclarecer a atuação da autoridade monetária na supervisão do Banco Master.

A expectativa, porém, é de ausência, já que ele não compareceu a convocação anterior após decisão do Supremo Tribunal Federal que converteu o chamado em convite.

O pesquisador Leandro Piquet Carneiro também deve prestar depoimento à comissão.

*Com O Globo

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