Commodities podem trazer a Mantega a desvalorização cambial

Dólar atingiu na semana passada a menor cotação em dois anos e meio, de R$ 1,5664

Nova York - Economistas preveem que o fim do ciclo de alta das commodities levará a uma queda de 6 por cento do real em relação ao dólar até o fim do ano. A baixa da moeda brasileira derrubaria a rentabilidade dos títulos em moeda local.

O dólar, que atingiu na semana passada a menor cotação em dois anos e meio de R$ 1,5664, vai subir para R$ 1,68 até o fim de 2011, de acordo com a estimativa mediana de aproximadamente 100 economistas participantes da última pesquisa semanal do Banco Central publicada em 11 de abril. O ganho de 4,7 por cento do real este ano colaborou para uma rentabilidade em dólar de 6,9 por cento das aplicações em títulos domésticos, segundo o JPMorgan Chase & Co. Os títulos de governos da América Latina denominados em moeda local avançaram 5,7 por cento no mesmo período.

Os esforços do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para conter a valorização de 37 por cento do real nos últimos dois anos fracassaram com a disparada das commodities, que elevou as exportações brasileiras para o valor recorde de US$ 214 bilhões nos 12 meses até março.

A alta das commodities pode perder fôlego no fim deste ano com a possibilidade de o Federal Reserve, o banco central americano, elevar os juros no fim do ano, de acordo com Jankiel Santos, economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank.

“Está bastante claro que na perspectiva de médio e longo prazo a moeda está sobrevalorizada”, disse Vladimir Caramaschi, estrategista-chefe do Crédit Agricole Brasil SA, em entrevista por telefone. “Ninguém acha que vai ser o Mantega quem vai trazer a taxa de câmbio para este nível. O mercado está muito cético quanto ao que ele pode fazer para compensar a tendência da moeda. Basicamente a situação vai mudar quando o ambiente externo mudar”.


Imposto maior

Tanto Caramaschi quanto Santos preveem que o dólar vai chegar ao fim do ano a R$ 1,70. A moeda fechou ontem a R$ 1,5865.
Mantega elevou na semana passada o Imposto sobre Operações Financeiras para captações no exterior com menos de dois anos de prazo, depois de triplicar no fim do ano passado a alíquota do IOF para aplicações de estrangeiros em renda fixa local. O BC já comprou cerca de US$ 27,4 bilhões no mercado de câmbio à vista este ano até 8 de abril. Essas iniciativas são tomadas para conter a alta do real.

O rendimento das Notas do Tesouro Nacional série F com vencimento em 2021 caiu 7 pontos-base, ou 0,07 ponto percentual, nos últimos dois meses, para 12,76 por cento, segundo dados compilados pela Bloomberg. Os papéis rendem 539 pontos-base a mais do que títulos mexicanos em pesos de prazo similar e 930 a mais do que os títulos do Tesouro americano também com vencimento em 2021.

Soja e minério

Os preços de matérias-primas subiram 28 por cento nos últimos 12 meses, de acordo com o índice UBS Bloomberg CMCI. A soja se valorizou 38 por cento no período, enquanto o minério de ferro triplicou de valor em dois anos. O Brasil é o segundo maior exportador das duas commodities.

Enquanto as vendas externas de commodities crescem e beneficiam empresas como a Vale SA e a Cosan SA Indústria e Comércio, exportadores de produtos manufaturados, como a Embraer SA e a Souza Cruz SA veem suas margens de lucros prejudicadas pela valorização do real.

Os operadores veem 24,4 por cento de chances de o Federal Reserve elevar a taxa básica de juros na reunião de dezembro, comparado a uma probabilidade estimada em 25,8 por cento no mês passado, segundo o mercado de juros futuros. O Fed mantém a taxa entre zero e 0,25 por cento desde dezembro de 2008. No Brasil, o BC subiu a Selic em 100 pontos-base este ano para 11,75 por cento, aumentando a atratividade dos ativos de renda fixa do País.

Um aumento nos juros americanos resultaria em condições menos favoráveis para a alta dos preços de commodities, disse Santos, do Espírito Santo Investment Bank, em entrevista por telefone de São Paulo. “Vamos assistir a um colapso dos preços de commodities? Não, mas você pode ver um nível de preço não tão alto”.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 12,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 29,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa mensal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.