Brasil

CNH sem autoescola vai sair neste mês, diz ministro dos Transportes

Renan Filho afirma que o modelo atual é "burocrático, moroso, caro e, por consequência, excludente"

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 11 de novembro de 2025 às 11h54.

Última atualização em 11 de novembro de 2025 às 15h54.

Belém - O ministro dos Transportes, Renan Filho, confirmou que as mudanças no processo de emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) devem ser oficializadas até o fim do mês de novembro.

"Nós estamos ultimando o processamento das informações da consulta pública. Hoje ou amanhã a gente conclua. E agora, depois da abertura da COP, a gente vai tomar uma decisão, mas vai sair este mês", afirmou o chefe da pasta em conversa com a EXAME nos corredores da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

A proposta promete extinguir a obrigatoriedade das aulas de autoescola, o que tornaria mais barato a emissão da CNH. No último dia 2 de novembro, a consulta pública foi encerrada pelo Ministério dos Transportes.

Uma reunião do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) validará a proposta ainda neste mês.

Segundo o governo, as provas escrita e a prática para tirar a habilitação permanecerão, mas as aulas da autoescola serão facultativas.

O fato de dados da pasta mostrarem que milhões de brasileiros dirigem sem carta, diz Renan, evidencia a "falência" do atual modelo, que é "burocrático, moroso, caro e, por consequência, excludente".

"As pessoas não conseguem tirar carteira. Ao ponto de que, em alguns estados do Brasil, 70% das pessoas que têm uma moto — quando você olha o CPF que possui a moto — não possuem CNH", disse.

A medida enfrenta resistência dos donos de autoescola. A Federação Nacional das Autoescolas e Centros de Formação de Condutores (Feneauto) afirma que no dia seguinte da publicação da nova norma, acionará a Justiça para derrubar a iniciativa.

O ministro defende que o novo modelo estimulará a inovação na forma de ensinar e de aprender a dirigir. As mudanças também incluem a possibilidade de fazer aulas com instrutores autônomos credenciados pelos Detrans.

"[As mudanças] vão estimular concorrência. E a concorrência faz sobretudo duas coisas: reduz o preço e melhora a qualidade do serviço. Isso vai beneficiar o trânsito brasileiro e as pessoas, que vão conseguir tirar uma carteira mais barata", disse.

Entenda, ponto a ponto, os detalhes da proposta:

Qual é a justificativa do governo para tirar a obrigatoriedade das autoescolas?

O objetivo da medida é reduzir o custo e ampliar o acesso à habilitação para pessoas de baixa renda e mulheres.

A gestão petista afirma que mais de 18 milhões de brasileiros dirigem sem CNH e 54% não têm carteira de motorista. O grande motivo é o custo, segundo pesquisa realizada pela pasta.

Como vai funcionar o processo para tirar CNH com as mudanças do governo?

A abertura do processo será feita diretamente pelo site da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) ou por meio da Carteira Digital de Trânsito (CDT).

Segundo o Ministério dos Transportes, o governo manterá as provas escrita e a prática para tirar a habilitação, mas as aulas da autoescola serão facultativas.

O aluno terá de cumprir um número mínimo de aulas práticas?

Segundo o ministério, não. O novo modelo retira a exigência de carga horária mínima de 20 horas-aula práticas. O candidato poderá escolher como fará sua preparação: contratando um centro de formação de condutores ou um instrutor autônomo credenciado pelos Detrans.

Será obrigatório frequentar os Centros de Formação de Condutores (CFCs) para as aulas?

A proposta do governo retira a obrigatoriedade das aulas de autoescola no processo de emissão da Carteira Nacional de Habilitação.

O conteúdo teórico poderá ser estudado de forma presencial nos CFCs, por ensino à distância (EAD) em empresas credenciadas ou, em formato digital, oferecido pela própria Senatran.

E como ficam as categorias C, D e E?

A proposta também prevê a facilitação dos processos de obtenção da CNH para as categorias C (veículos de carga, como caminhões), D (transporte de passageiros, como ônibus) e E (carretas e veículos articulados) permitindo que os serviços sejam realizados pelos Centros de Formação de Condutores (CFCs) ou por outras entidades, para tornar o processo mais ágil e menos burocrático.

Como será o procedimento para credenciar instrutores autônomos?

Segundo o governo, os instrutores deverão ser credenciados pelos Detrans. A Senatran permitirá a formação desses profissionais por cursos digitais. O instrutor será identificado pela Carteira Digital de Trânsito e constará no sistema como profissional habilitado.

Quando que a CNH sem autoescola passa a valer?

A expectativa é que a medida seja formalizada ainda neste ano.

A desregulamentação será realizada por meio de portarias, sem a necessidade de aprovação de um projeto de lei.

Existem outros países que já adotam essa medida?

Sim. A proposta se inspira em práticas de países como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Japão, Paraguai e Uruguai, onde os modelos de formação são mais flexíveis e centrados na autonomia do cidadão.

Qual será o valor para tirar a CNH após as mudanças?

Segundo o governo, o custo para emitir a CNH poderá cair em até 80%. O custo médio para ter uma habilitação no país é de R$ 3.215,64. O custo com autoescola representa 77% do valor.

Acompanhe tudo sobre:Carteira de habilitação (CNH)Renan FilhoMinistério dos Transportes

Mais de Brasil

Camilo Santana deixará governo em abril para apoiar reeleição de Elmano no Ceará

CPI do INSS adia depoimento de Vorcaro para depois do carnaval

Câmara aprova pacote de reajustes e criação de cargos com impacto de R$ 4,3 bi

Senado aprova MP que cria o programa Gás do Povo; texto vai para sanção de Lula