No Ceará, Ciro Gomes ficou atrás de Elmano de Freitas (PT) na disputa pelo governo estadual (Andre Borges/Bloomberg/Getty Images)
Repórter
Publicado em 4 de outubro de 2026 às 22h35.
As eleições de 2026 terminaram com derrotas de nomes conhecidos da política brasileira. Entre os principais resultados estão Ciro Gomes (PSDB), que não conseguiu voltar ao governo do Ceará; Fernando Haddad (PT), derrotado novamente por Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo; e Gleisi Hoffmann (PT), que não conquistou uma vaga no Senado pelo Paraná.
No Ceará, Ciro Gomes ficou atrás de Elmano de Freitas (PT) na disputa pelo governo estadual. Com 97% das urnas apuradas, o petista tinha 52,88% dos votos, contra 46,52% do tucano. Ciro, de 68 anos, tentava retornar ao cargo. Nas eleições de 2018 e 2022, ele havia disputado a Presidência da República pelo PDT, sem chegar ao segundo turno.
Em São Paulo, Fernando Haddad (PT) foi derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) já no primeiro turno. Foi a segunda vez que os dois disputaram o governo paulista e Haddad perdeu para o atual governador. O resultado também representa o quarto revés eleitoral seguido do petista.
Haddad havia perdido a disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2016, quando terminou em segundo lugar no primeiro turno. Em 2018, concorreu à Presidência pelo PT após assumir a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva e chegou ao segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL), mas foi derrotado.
No Amapá, o líder do governo Lula no Congresso, Randolfe Rodrigues, também não conseguiu se eleger para o Senado. O senador recebeu 18,5% dos votos. As duas vagas do estado ficaram com Rayssa Furlan (Podemos), com 29,9%, e Lucas Barreto (PSD), com 24,2%.
Em Alagoas, Renan Calheiros (MDB) perdeu a disputa por uma das duas vagas ao Senado e ficará fora do Congresso pela primeira vez neste século. Com 96,79% das urnas apuradas, Arthur Lira (PP), ex-presidente da Câmara, e Marina JHC (PSDB), mulher do ex-prefeito de Maceió JHC, foram eleitos. A derrota encerra uma trajetória parlamentar iniciada em 1979, quando Renan foi eleito deputado estadual, e que inclui mais de três décadas consecutivas no Senado.
No Rio Grande do Sul, a ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PSOL) também ficou fora do Senado. Com 91,53% das urnas apuradas, Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (NOVO) lideravam a disputa, com 30,02% e 29,99% dos votos, respectivamente. Manuela aparecia em terceiro, com 17,17%.
No Piauí, o senador Ciro Nogueira (PP) não conseguiu a reeleição. Marcelo Castro (MDB) e Julinho do Lula (PSD) ficaram com as duas vagas em disputa. Ciro chegou à eleição em meio às investigações envolvendo o Banco Master e sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Já no Paraná, a deputada federal e ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann não conseguiu retornar ao Senado, cargo que ocupou entre 2011 e 2018. A derrota é a primeira desde que ela disputou o governo do estado, em 2014.
Próxima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gleisi foi ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais entre março de 2025 e abril de 2026 e comandou a Casa Civil entre 2011 e 2014, durante o governo Dilma Rousseff.
Em São Paulo, as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) não conseguiram uma das duas vagas ao Senado em disputa. As duas fizeram uma dobradinha informal durante a campanha, conhecida como “duas mulheres por SP”, em uma estratégia para aproximar as candidaturas de eleitores de centro e centro-esquerda ligados ao campo político da aliança nacional.
Tebet deixou o Ministério do Planejamento e Orçamento do governo Lula em março de 2026 para disputar o Senado por São Paulo. Ela se filiou ao PSB para concorrer no estado e já havia sido senadora por Mato Grosso do Sul.
Marina deixou o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima em abril de 2026 para cumprir os prazos eleitorais e disputar uma das vagas pelo Senado paulista. Ela permaneceu na Rede, partido que ajudou a fundar, e passou a integrar o palanque que também tinha Tebet e Fernando Haddad como candidatos.
As duas ficaram atrás de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), eleitos para as duas vagas de São Paulo.